Espionaje puede complicar acercamiento entre Brasil y EEUU.

Em outubro, Dilma faz visita de Estado a Washington, mas relações entre os dois países continuam frias.
As revelações de que os Estados Unidos monitoraram a atividade telefônica e de correio eletrônico de empresas e indivíduos brasileiros durante a última década, como parte de suas atividades de espionagem, levaram o Brasil a exigir oficialmente esclarecimentos dos EUA sobre a questão. Isso poderá complicar as relações bilaterais antes da visita de Estado aos EUA da presidente Dilma Rousseff

Análise

Referindo-se a documentos obtidos por meio do ex-contratado da Agência de Segurança Nacional (NSA na sigla em inglês) e denunciante Edward Snowden, a reportagem publicada pelo jornal brasileiro O Globo em 6 de julho indicou o Brasil como um dos países prioritários (juntamente com China, Rússia, Irã e Paquistão) para monitoramento da NSA. Ela acrescentou que a quantidade de tráfego monitorado só perdia para os 2,3 bilhões de telefonemas e mensagens interceptados nos EUA.

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, emitiu uma declaração oficial em 7 de julho expressando a preocupação de seu governo sobre a suposta vigilância de cidadãos brasileiros pelos EUA. Ele declarou que o Brasil pediu oficialmente esclarecimentos aos EUA. Patriota também disse que o Brasil pretende propor mudanças nas regras internacionais administradas pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) para melhorar o sigilo das comunicações, assim como medidas da ONU para proteger a privacidade dos usuários da internet e a soberania dos países, enquanto garante a segurança cibernética.

A embaixada dos Estados Unidos no Brasil não quis comentar o caso, mas o gabinete do diretor da NSA emitiu uma declaração segundo a qual, por uma questão de política, os EUA reúnem inteligência estrangeira do tipo coletado por todos os países.

As revelações ocorreram enquanto Rousseff se prepara para uma visita de Estado aos EUA (a primeira de um presidente brasileiro desde 1995), marcada para outubro. A visita parecia anunciar o estabelecimento de laços mais estreitos entre os dois países depois de anos de relações bilaterais razoavelmente frias sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-11). A posição mais pragmática de Rousseff em política externa serviu para melhorar as relações com os EUA, mas permaneceu certa frieza, como ilustram suas recentes críticas aos EUA por seu papel na “guerra monetária”, assim como a falta de apoio dos EUA ao pedido do Brasil de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. A próxima visita de Estado é considerada uma vitória importante da diplomacia brasileira, marcando o reconhecimento pelos EUA da crescente influência geopolítica do país.

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