Mercadante suena como nuevo jefe de gabinete de Dilma Roussef

Substituição de Gleisi é primeiro ponto fechado da reforma ministerial, e leva em consideração articulação política de Mercadante. Martelo foi batido com Lula e Franklin Martins no Alvorada

Foi dada a largada para a tão falada reforma ministerial. Apesar de não ter sido confirmado oficialmente, já é dado como certo entre os assessores do Palácio do Planalto que o ministro Aloizio Mercadante, da Educação, passará a ocupar a Casa Civil a partir de fevereiro em substituição a Gleisi Hoffmann. A formalização do nome de Mercadante, contudo, só será feita depois da viagem que a presidenta Dilma Rousseff fará ao exterior nos próximos dias, quando participará de eventos na Suíça e em Cuba.

A consolidação do nome de Mercadante foi feita em reunião que contou com a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ex-ministro de Comunicação do governo Lula, Franklin Martins, e do chefe de gabinete de Dilma, Giles Azevedo. Demonstrando que a sintonia entre os dois continua, Lula chegou ao Palácio da Alvorada para a reunião, posou para fotos com Dilma e discutiu, no encontro, as alianças regionais a serem firmadas daqui por diante.

No final da tarde, no Palácio do Planalto, o porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, afirmou que a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula trataram sobre conjuntura política, Copa do Mundo e educação. O porta-voz não quis falar sobre a reforma ministerial e disse que as mudanças a serem feitas só serão anunciadas oficialmente após o retorno da viagem da presidenta.

Na reunião no Alvorada surgiram questões como as coligações do PT com o PMDB nos estados, os locais onde essas alianças apresentam mais fragilidades ou serão rompidas – como no Rio de Janeiro – e costuras políticas do xadrez eleitoral para as próximas eleições, como a candidatura própria do PSB, que tem à frente o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (com a parceria da ex-ministra Marina Silva), e a situação dos aliados nos estados que possuem governadores da legenda de Campos.

Na prática, sabe-se que a saída dos demais ministros poderá demorar mais um pouco para ser consolidada. A mudança na Casa Civil foi antecipada diante de pedidos feitos pela própria Gleisi Hoffmann no final do ano para retornar ao Senado o quanto antes e, assim, dar início às articulações para o seu palanque no Paraná, onde será candidata ao governo estadual.

Três nomes

Conforme as especulações feitas ao longo da tarde, outros três nomes estão cotados para serem indicados como novos ministros. O atual secretário-executivo do Ministério da Educação, José Henrique Paim, passaria a ser o titular da pasta, em substituição a Mercadante. O secretário de Saúde de São Bernardo (SP), Arthur Chioro, substituiria Alexandre Padilha no Ministério da Saúde, com a saída do titular para disputar o governo de São Paulo pelo PT.

Já o filho do ex-vice-presidente da República José de Alencar, Josué Gomes da Silva. Josué Silva, caso seja confirmado, ocupará o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, no lugar de Fernando Pimentel, que vai disputar eleição em Minas Gerais.

A ida de Mercadante para a Casa Civil, que já vinha sendo esperada dentro do governo desde julho passado, é vista como uma mudança na condução dos trabalhos da pasta, que passará a ter uma atuação mais política do que técnica, ao contrário do que vinha acontecendo com Gleisi. Desde as manifestações populares observadas em junho, Mercadante assumiu a função de articulador político do governo, passando a tomar a frente nas reuniões e nos encontros da presidenta junto aos setores da população chamados para conversar com o Executivo e apresentar suas demandas.

Ao longo desse período, Mercadante também acumulou a antipatia de setores do governo que não gostaram da sua postura, por considerarem que ele estaria atropelando outros ministros como a própria Gleisi Hoffmann e a ministra da Articulação Institucional, Ideli Salvatti.

Simpatia de parlamentares

Por outro lado, muitos dos parlamentares ouvidos nos últimos seis meses creditaram ao ministro da Educação alguns ganhos obtidos pelo governo, devido à sua capacidade de atuar como bombeiro em meio às divergências entre Congresso e Planalto e por realizar um trabalho político de articulação entre os vários partidos nos estados. Ex-senador e ex-líder do governo no Congresso, o ministro costuma transitar bem pelo Legislativo, sobretudo entre as lideranças partidárias.

Mas a reforma ministerial passa por outros nomes que ainda estão sendo discutidos. Ainda não se sabe, por exemplo, se o ministério da Integração Nacional, que já pertenceu ao PMDB e nos últimos anos era ocupado pelo PSB – até a saída da legenda do governo – voltará para os peemedebistas ou passará a ser ocupada pelo Pros, partido para onde migraram os irmãos Ciro e Cid Gomes, do Ceará, aliados do governo.

Os peemedebistas insistem para que o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) venha a ser um dos contemplados, mas ainda não se sabe qual a pasta que ele conduzirá. Também não se sabe se Ciro Gomes será indicado para ocupar um dos ministérios ou se ficará sem cargo no governo, para atuar de forma mais livre na campanha e, assim, atuar como mais um articulador pela reeleição de Dilma no Nordeste.

Peemedebistas

Outra questão a ser acertada é se o governo vai mesmo ceder às pressões feitas nos últimos dias pelo PMDB e ampliar o número de integrantes do partido dentro do primeiro escalão – o que também exigirá boa parte de remanejamento de cargos e mais habilidade política do que nunca, num período em que o que está em jogo é a eleição presidencial deste ano.

 

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