Volvieron las protestas en Porto Alegre contra el aumento del transporte

Brigada Militar dispersa protesto contra aumento da passagem após 15 minutos de marcha em Porto Alegre

A manifestação contra o aumento da passagem que ocorreu na noite desta quarta-feira (2) em Porto Alegre não conseguiu completar mais do que 15 minutos de marcha. O protesto foi dispersado com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral pela Brigada Militar ao chegar na esquina da Avenida Júlio de Castilhos com a Rua Coronel Vicente, gerando correria e pânico nos ativistas e na população que circulava pela região.

O ato ocorreu no mesmo dia em que o Conselho Municipal de Transporte Urbano (COMTU) aprovou uma solicitação de reajuste da passagem que, se for sancionada pelo prefeito José Fortunati (PDT), passará de R$ 2,80 para R$ 2,95. A concentração começou após as 18h, em frente a prefeitura, na Praça Montevidéu.

No início, os manifestantes entoavam os gritos tradicionais dos protestos, como “somos o povo e o passe livre os ricos vão pagar”, “não vai ter Copa e nem aumento” e “se a passagem aumentar, Porto Alegre vai parar”. Pelo carro de som, algumas pessoas se pronunciaram contra o corte de árvores promovido pela prefeitura na madrugada do dia 31 na Avenida Edvaldo Pereira Paiva, próximo à Usina do Gasômetro.

Em seguida, um grupo de manifestantes começou a forçar o acesso às escadarias da prefeitura, rompendo as cordas que promoviam seu isolamento. Os ativistas queimaram sacos de lixo no local e não chegou a ocorrer um enfrentamento direto com a Guarda Municipal.

Entretanto, após um tempo, foram arremessados objetos em direção aos agentes da Guarda Municipal, que passou a utilizar dois jatos d’água contra os manifestantes. Os jatos eram apontados para cima, fazendo com que a água caísse em forma de chuva.

Eram 19h30min quando os manifestantes resolveram iniciar a marcha, saindo pela Avenida Borges de Medeiros em direção à Avenida Júlio de Castilhos. No início da caminhada, ainda na Borges, algumas pessoas quebraram vidros de janelas laterais da prefeitura. A Brigada Militar chegou a jogar bombas de efeito moral, mas não houve dispersão nem correria. Do carro de som, ativistas pediam calma e diziam que o objetivo do protesto era dialogar com a população a respeito do aumento da passagem.

A marcha seguiu pela Júlio de Castilhos até o Camelódromo, onde parou por poucos minutos, informando, através do carro de som, sobre a votação do COMTU e a iminência do aumento da passagem. No prosseguimento, algumas pessoas quebraram vidros de uma agência da Caixa Econômica Federal.

Ao chegar na esquina com a Rua Coronel Vicente, o grupo se deparou com um bloqueio policial em frente à Igreja Universal do Reino de Deus. Ao mesmo tempo, os efetivos da Brigada Militar que acompanhavam a marcha pela parte de trás avançaram em direção aos manifestantes, arremessando bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral.

Com isso, houve correria e dispersão generalizadas. Uma parte dos manifestantes seguiu em direção à Avenida Mauá. Outra parte subiu a Rua Coronel Vicente, sendo perseguida pela cavalaria da Brigada Militar. Algumas pessoas entraram na Rua Voluntários da Pátria e disperaram rumo ao Viaduto da Conceição.

Com a dispersão total, algumas pessoas seguiram separadamente até o Largo Zumbi dos Palmares, tradicional ponto onde costumam terminar os protestos. Às 20h10, havia um pequeno grupo na esquina da Rua José do Patrocínio com a Avenida Loureiro da Silva. A cavalaria da Brigada Militar fechou a Perimetral e observa o grupo à distância.

Em seguida, houve uma correria em direção à esquina da José do Patrocínio com a Rua da República, onde um grupo de policiais militares revistava manifestantes contra a parede. Um efetivo da tropa de choque se posicionou em volta da revista para impedir que as pessoas se aproximassem. Enquanto os ativistas tentavam observar a revista, os policiais da barreira batiam os cassetetes nos escudos e no equipamento que protegia suas pernas.

Nesse momento, uma menina chamou os policiais de fascistas e de filhos da puta. Foi o bastante para ser perseguida pela Rua da República e detida após entrar em um estacionamento, já próxima da esquina com a Rua Lima e Silva. Quando os brigadianos saíram para deter a menina, um grupo de pessoas tentou ir atrás, mas foi impedido pelos policiais militares. Um deles chegou a dizer: “Fiquem aqui! Senão eu vou estourar vocês!”.

Os policiais voltaram até a esquina da República com a José do Patrocínio junto com a menina que havia dito os xingamentos. A cena revoltou as pessoas que acompanhavam a ação, que começaram a vaiar a Brigada Militar. Com a movimentação, alguns bares da região acabaram recolhendo as mesas das calçadas.

Em seguida, os policiais encerraram as revistas e entraram nos camburões, deixando o local. Até o fechamento desta reportagem, o Sul21 não obteve nenhuma informação relativa a número de detidos no ato.

Militante do Bloco de Luta diz que percebeu ação de pessoas infiltradas no ato

Militante do Bloco de Luta pelo Transporte Público e da Juventude do PSTU, Matheus Gomes conversou com a reportagem do Sul21 após o protesto desta quarta-feira (2). Ele disse que foi possível perceber a ação de gente que diz não ser envolvida com as atividades do movimento.

“Todo mundo percebeu a ação de pessoas estranhas ao movimento. Claramente havia gente infiltrada fazendo ações provocativas. Do carro de som, dávamos a orientação de seguir com o ato organizado, dialogando com a população, mas havia um setor que de forma alguma correspondia ao que o Bloco orientava”, comenta.

Para ele, a ação da Brigada Militar também foi mais agressiva do que em outros protestos. Nos últimos atos, a polícia estava com uma postura de não intervir diretamente nas marchas e promover detenções após a dispersão. Nesta quarta-feira, a conduta posta em prática foi a de dispersar a caminhada pouco tempo após seu início. “Tiveram uma ação mais ostensiva neste ato”, avalia Matheus.
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