Elecciones en Brasil: ex presidente Cardoso afirma que si gana la oposición habrá una ruptura en la política exterior

NUEVO GOBIERNO SE ALEJARÁ DE CHAVISMO, DICE EX PRESIDENTE CARDOSO

En una entrevista con el programa de TV Oppenheimer Presenta, que conduce el periodista y ganador del premio Pulitzer Andrés Oppenheimer, el ex presidente Fernando Henrique Cardoso consideró que si la mandataria Dilma Rousseff pierde las elecciones generales de octubre, la diplomacia de su país será más severa con Venezuela y Argentina.
“La victoria de la oposición podría significar una especie de ruptura en la política exterior de Brasil, especialmente respecto a Sudamérica”, dijo el ex presidente, quien participa en la campaña del candidato de su Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB) Aécio Neves, tercero en las encuestas de intención de voto.
El ex mandatario estima que la candidata ambientalista Marina Silva -que empata con Dilma en la intención de voto para una eventual segunda vuelta electoral- probablemente no dará un respaldo incondicional a Venezuela, Argentina y a otros gobiernos que considera populistas de izquierda, y con los que en los últimos años la presidenta Dilma Rousseff ha mantenido relaciones estrechas.
Cardoso confirmó lo que ya ha dicho -de forma velada- a la prensa brasileña: si su candidato, Aécio Neves, no llega a segunda vuelta, el PSDB pedirá el voto por la ambientalista Silva en esa instancia.
Respecto de la política exterior del gobierno de Dilma y el Partido de los Trabajadores, el ex presidente, un sociólogo cargado de pergaminos académicos, aseguró que “el corazón de muchos funcionarios del gobierno es, para decirlo en una palabra sencilla, ‘bolivariano’. Están con Chávez. Pero en la cabeza no, porque los intereses de Brasil no coinciden con eso. Entonces, no saben qué hacer. Quedan un tanto paralizados”.
Cardoso añadió: “La visión prevaleciente (en el gobierno) es anticuada, tercermundista, del tiempo de los años sesentas o setentas. Yo creo que Marina Silva no tiene esa misma visión, tan anticuada. Ella es más abierta en lo que hace a la cuestión externa”.
Agregó que bajo el gobierno de Dilma Rousseff “hay una parálisis de la política externa de Brasil”, porque la presidenta se ha concentrado en tratar de revitalizar un debilitado Mercosur, en lugar de también abocarse a firmar acuerdos de libre comercio con la Unión Europea, Estados Unidos y Japón.
Si gana Silva, procurará apartarse de las actuales políticas aislacionistas de Brasil, que se centran en el Mercosur, dijo Cardoso. Según las actuales regulaciones del Mercosur, ningún miembro del grupo puede negociar unilateralmente acuerdos de libre comercio con terceros.
Con un cambio de gobierno, Brasil haría más por defender la democracia en la región, dijo Cardoso.
“Venezuela fue integrada a Mercosur sin que hubiera habido ningún esfuerzo del gobierno de Brasil para que allá se cumpliera con la cláusula democrática del Mercosur”, aseguró. “Yo dudo que, con la oposición en el gobierno (de Brasil), eso hubiera ocurrido de ese modo”.
Con respecto a Argentina, Cardoso dijo que “hay una suerte de casi complicidad del gobierno de Brasil con los desatinos de Argentina”. Dijo que Argentina está pidiendo cada vez más excepciones a las reglas de libre comercio del Mercosur, y que el gobierno argentino ha puesto trabas a las conversaciones de libre comercio entre el Mercosur y la Unión Europea.

Veja as propostas dos candidatos à Presidência para a política externa

O fortalecimento do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) estão entre as principais promessas dos candidatos à Presidência da República em relação à política externa. A preocupação em ampliar acordos com outros blocos também aparece na maior parte dos programas de governo apresentados à Justiça Eleitoral. E mesmo com a divergência de alguns sobre pontos como a busca por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas no rol de prioridades e diretrizes da estratégia internacional, a maior parte dos presidenciáveis defende que o Brasil assuma, no cenário internacional, um papel de destaque na defesa da paz mundial, do desenvolvimento sustentável e de respeito aos direitos humanos em qualquer nação.

Aécio Neves (PSDB) afirma que vai conduzir a política externa com base nos princípios da moderação e da independência e prevalência dos interesses brasileiros e dos objetivos de longo prazo de desenvolvimento nacional. Segundo seu programa, será preciso reavaliar as prioridades estratégicas e dar atenção especial à Ásia, em função de seu peso crescente, e aos Estados Unidos e a outros países desenvolvidos pelo acesso à inovação e tecnologia. Aécio defende a ampliação da relação com os países em desenvolvimento e uma nova estratégia nas negociações bilaterais que priorizem a integração do Brasil às cadeias produtivas globais. Em seu projeto de governo, Aécio ainda defende a retomada da integração regional, com liberalização comercial e a recuperação de objetivos originais do Mercosul como flexibilizar as regras do bloco para avançar nas negociações com outros países. Nas organizações internacionais, a promessa é de maior participação brasileira em temas como mudança climática, energia, direitos humanos, comércio exterior, terrorismo, guerra cibernética, e nas questões de paz e segurança, inclusive nas discussões sobre a ampliação do Conselho de Segurança.

Dilma Rousseff (PT) diz que vai priorizar a integração regional envolvendo a América do Sul, América Latina e o Caribe com fomento do comércio e da integração produtiva e ênfase na integração financeira e de suas infraestruturas física e energéticas. A candidata à reeleição promete ainda reforçar ações para o fortalecimento dos blocos regionais Mercosul, Unasul e a Comunidade dos Países da América Latina e Caribe (Celac), sem discriminação de ordem ideológica. A estratégia, de acordo com o programa apresentado à Justiça Eleitoral, também inclui maior aproximação com a África e com os países asiáticos, além de afinar as relações com os países desenvolvidos como os Estados Unidos, o Japão e nações da União Europeia. Dilma destaca a defesa pelas reformas dos principais organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, “cuja governança hoje não reflete a atual correlação de forças global”. “A política externa tem sido e continuará sendo mais do que um instrumento de projeção do Brasil no mundo. Trata-se de um elemento fundamental de nosso projeto de nação”, afirma.

Eduardo Jorge (PV) afirma apoio à ONU como organização global capaz de gerenciar conflitos e manter a paz e defende o uso da força, por decisão do organismo, em casos como o de violações estruturais e maciças dos direitos humanos e genocídio. O ambientalista afirma que, assim como todas as nações, o Brasil tem que promover ações integradas, no cenário internacional, para o desenvolvimento sustentável e a superação da miséria. Entre as propostas de política externa estão a criação de metas de redução não voluntárias de emissão de gases de efeito estufa proporcionais às responsabilidades históricas e atuais, a definição de metas para reduzir gastos com orçamentos militares, o banimento de armas atômicas e a convergência nas obrigações trabalhistas e previdenciárias. O ambientalista defende a democratização das instâncias decisórias da ONU, como o Conselho de Segurança, a aproximação e o acordo de livre comércio do Brasil com a comunidade europeia e o compromisso com o desenvolvimento sustentável do Continente Africano.

Eymael (PSDC) se compromete com uma política externa fundamentada no princípio da solidariedade entre as nações e com o objetivo de buscar uma ordem social mundial com os princípios da justiça e da liberdade. Segundo o candidato, a política internacional deve ser instrumento de desenvolvimento nacional, “incluindo o Brasil nas rotas mundiais do sucesso socioeconômico”.

Levy Fidelix (PRTB) e Luciana Genro (PSOL) não incluem propostas específicas para política externa em seus programas de governo.

Marina Silva (PSB) defende uma política externa a serviço do desenvolvimento, que projete no cenário internacional os produtos e serviços brasileiros e favoreça a inclusão de empresas nacionais nas cadeias globais de produção. Para a ex-senadora, a participação do país nas instâncias de decisão internacionais deve se basear na defesa da paz, da democracia, dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável. Marina defende que o Brasil assuma posição proativa nas negociações sobre mudança climática e busque a inclusão da questão na agenda do G20. Entre as promessas, a candidata afirma que vai acelerar as negociações para o acordo Mercosul-União Europeia, propor uma política de aproximação do Mercosul com a Aliança do Pacífico e promover o fortalecimento da Unasul como organização de cooperação de políticas regionais. Para ela, o Brasil também precisa adotar uma agenda positiva para as relações com os Estados Unidos e atualizar os mecanismos de cooperação com a África. A candidata ainda promete fortalecer a diplomacia pública brasileira e ampliar os meios para oferecer maior assistência aos brasileiros no exterior.

Mauro Iasi (PCB) defende o fim do que define como “a estratégia do estado burguês brasileiro de expansão do seu capitalismo no exterior”. Segundo ele, o país também deve abandonar a “obsessão” de se tornar uma grande potência no campo imperialista, “representada no fetiche de, a qualquer preço, conquistar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU”. A proposta do candidato é que o Brasil lidere uma luta contra o imperialismo e por sociedades justas e solidárias, “num movimento que se contraponha à ONU, dentro e fora dela”. Nas prioridades de sua política externa estão a desativação das bases militares na Colômbia, a defesa do governo bolivariano na Venezuela, o respaldo a uma solução política para o conflito colombiano, o fim do bloqueio a Cuba e a libertação de presos políticos, a retomada das Ilhas Malvinas pela Argentina e um movimento continental pelo não pagamento das dívidas externas. Iasi espera estimular uma “luta continental contra a mafiosa Sociedade Interamericana de Imprensa, em defesa da imprensa popular e independente, pela democratização e o controle social da mídia.”

Pastor Everaldo (PSC) promete eliminar a intervenção do governo brasileiro em outros Estados, reduzir gastos com o corpo diplomático e o auxílio financeiros a organizações internacionais. Ele defende a eliminação do uso de tropas nacionais em guerras e o fim das ocupações de territórios que não dizem respeito ao Brasil. O candidato também se opõe ao perdão da dívida de outros países com o Brasil e promete revitalizar o tratado do Mercosul, retirando entraves da livre negociação com países que não integram o bloco. Everaldo defende os acordos de livre comércio para promover os produtos nacionais, condena a violação de direitos humanos contra qualquer povo e é contrário à restrição da saída de brasileiros para o exterior, exceto nos casos em que há investigação criminal em curso.

Rui Pimenta (PCO) e Zé Maria (PSTU) não apresentaram propostas específicas para a política externa.

Agencia Brasil

 

Dilma abre vantagem sobre Marina; Aécio esboça reação

Com o desgaste sofrido por Marina Silva (PSB) –e apesar de um esboço de reação de Aécio Neves (PSDB)–, a presidente Dilma Rousseff (PT) se fortaleceu mais um pouco na corrida eleitoral.

A dianteira de Dilma sobre Marina no primeiro turno agora é nítida, mostra a nova pesquisa Datafolha para presidente. O que até a semana passada ainda era um empate técnico se transformou numa inédita vantagem de sete pontos: 37% a 30%.

No teste de segundo turno, a tendência é parecida. A dianteira de Marina sobre Dilma nunca foi tão baixa: 46% a 44%, um empate técnico. No fim de agosto, a vantagem da candidata do PSB era de dez pontos (50% a 40%).

Nos últimos 20 dias, Marina Silva tem sido alvo de ataques constantes disparados de duas frentes.

Por cima, ela sofre um bombardeio de críticas e acusações promovidas pela propaganda de Dilma. Entre outras coisas, Marina foi comparada com presidentes que não terminaram o mandato, acusada de ser aliada dos banqueiros e de desprezar a camada pré-sal do petróleo.

Líder desde o início da série de pesquisas, Dilma sente-se ameaçada por Marina principalmente na provável disputa de um segundo turno.

Por baixo, a ex-senadora é atingida por torpedos diários lançados por Aécio.

Autor de acusações diretas e indiretas no horário eleitoral e nas entrevistas, o tucano era favorito para disputar um segundo turno com Dilma até o dia em que Eduardo Campos, morto num acidente aéreo, foi substituído por Marina no PSB.

Os ataques simultâneos não provocaram uma queda abrupta da ex-ministra do Meio Ambiente. Mas, conforme o histórico de pesquisas, parecem estar sendo eficientes para minar sua candidatura aos poucos.

As curvas das intenções de voto suscitam duas dúvidas.

Primeira: caso Dilma e Aécio mantenham os ataques, a campanha de Marina continuará se desidratando ou, com o tempo, a eficiência dos disparos tende a diminuir?

Segunda: na hipótese de Marina continuar perdendo força, o ritmo de sua queda será suficiente para uma ultrapassagem de Aécio?

A diferença entre Marina e Aécio chegou a 20 pontos no início de setembro. Hoje, a vantagem ainda pode ser considerara grande, mas é quase metade do que já foi: 13 pontos (30% a 17%).

O dado mais eloquente do enfraquecimento de Marina é o aumento de sua rejeição. Pela primeira vez, a taxa dos que dizem que não votariam nela de jeito nenhum (22%) está acima da de Aécio (21%).

A diferença está dentro da margem de erro, dois pontos para mais ou para menos. Mas é preocupante para a pessebista considerando-se que sua taxa cresce de forma acelerada, enquanto a de Aécio se mantém estável. Há um mês, só 11% rejeitavam Marina.

A pesquisa feita na quarta e nesta quinta (18) com 5.340 entrevistas mostra ainda que Dilma passou liderar nas cinco regiões do país.

No Nordeste, no Norte e no Sul, de forma isolada. No Centro-oeste, a petista está agora numericamente à frente de Marina. No Sudeste, tem menos pontos, mas numa situação de empate técnico.

Marina perdeu votos em diversos segmentos. Ela recuou 4 pontos no Sudeste, 4 entre as mulheres, 4 entre os católicos, 5 junto aos moradores de cidades médias (200 mil a 500 mil habitantes) e 6 entre os eleitores de 25 a 34 anos.

O levantamento do Datafolha foi encomendado pela Folha em parceria com a TV Globo.

Folha de Sao Paulo

 

Centrais rebatem Marina e dizem que ela quer “agradar Deus e o diabo”

Desde a divulgação do plano de governo de Marina Silva (PSB), lideranças das centrais sindicais têm criticado as propostas da candidata por considerarem um retrocesso e afronta aos direitos trabalhistas.

Em entrevista ao Portal Vermelho, lideranças das centrais sindicais repudiaram a declaração de Marina que afirmou que seu governo, caso eleita, fará uma “atualização” das leis trabalhistas. Segundo sindicalistas, a candidata escancara a sua intenção de precarização, como já preconizava em seu plano de governo.

O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adílson Araújo, afirma que o programa “é um retrocesso das conquistas trabalhistas” e “uma carta de adesão ao sistema financeiro”.

“A classe trabalhadora tem plena consciência de que os direitos trabalhistas são sagrados. Ao reafirmar o interesse de flexibilizar, Marina se rende à política do sistema financeiro que foi aplicada na Europa e em vários países do mundo, desempregando 100 milhões de trabalhadores”, enfatizou Araújo.

Contra a maré

Segundo o cetebista, o programa da candidata “rema contra a maré”. “A proposta é um verdadeiro retrocesso. Seu programa é de extrema direita. Suas propostas são focadas em preposições conservadoras que abrem caminho para a desregulamentação das relações de trabalho”, enfatiza Araújo.

Segundo o sindicalista, os trabalhadores não querem voltar ao passado com uma política em que prevalecia a agenda do FMI. “Nessa política os mais pobres foram penalizados com congelamento dos salários, desemprego, privatizações e ataque aos direitos. Não vamos permitir esse retrocesso.”

Disfarce

Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna), Marina quer agradar Deus e o diabo. “Essa declaração de que ‘direito é sagrado’ é só um disfarce, pois o seu programa de governo é muito claro ao elogiar a terceirização e propor modificações nas relações trabalhistas. Como cristã que Marina diz ser, deve saber que não se pode agradar a Deus e o diabo”, pontuou Juruna, enfatizando que o programa da candidata mostra que os direitos dos trabalhadores poderão sofrer ataques irreversíveis.

Autonomia do BC

“Quando ela propõe entregar a administração da política monetária para os banqueiros privados significa elevar os juros ao menor sinal de aumento da inflação. E juros altos se traduzem em recessão, desemprego, redução dos salários e, consequentemente, aumento da miséria”, completa Juruna.

Vagner Freitas, presidente da CUT, também repudiou as declarações da candidata. “Marina fala em atualizar as regras para ajudar na geração de empregos. O que isso significa? Quando os empresários falam isso eles são claros: querem diminuir direitos e ampliar lucros. Nada mais que isso”, disse Freitas.

Marina é a antítese de Dilma

Já o presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antônio Neto, afirma que a proposta de Marina “é o que há de mais atrasado nesta disputa eleitoral”.

“Nos governos Lula e Dilma os trabalhadores conquistaram avanços com a geração de empregos, aumento da renda e a conquista de direitos, como a PEC das Domésticas, que resgatou um processo desde a escravidão. A proposta de Marina é a antítese da proposta da presidenta Dilma. Um projeto antinacional e antidesenvolvimentista”, reforçou Neto.

Vermelho