Polarización, de nuevo – Periódico Folha de San Paulo, Brasil

Los conceptos vertidos en esta sección no reflejan necesariamente la línea editorial de Nodal. Consideramos importante que se conozcan porque contribuyen a tener una visión integral de la región.

Polarização, de novo

Duas questões, uma analítica e outra prospectiva, colocam-se de imediato após a divulgação dos resultados da eleição presidencial.

Com a surpreendente ascensão do candidato Aécio Neves (PSDB) ao segundo lugar nas preferências do eleitorado (quase 34%, contra os quase 42% da petista Dilma Rousseff), cabe perguntar por que razão esvaiu-se a postulação de Marina Silva (PSB) –que chegou a ter 34% nas pesquisas há um mês, mas caiu para 21% no resultado final.

Vista como alternativa à polarização entre tucanos e petistas, e também como candidata capaz de expressar os desejos de mudança que vieram à tona nas manifestações de junho do ano passado, Marina Silva perdeu-se durante a campanha, expondo fragilidades que a propaganda de seus adversários soube explorar.

Terá caído, provavelmente, num dos mais clássicos problemas da “velha política”, que tanto criticou. A saber, o de tentar diluir o próprio discurso ao sabor das alianças e das perspectivas de poder.

Sua própria base, dividida entre conservadorismo religioso, vanguarda ecológica, modernidade econômica e desilusão pós-lulista, levou Marina a um comportamento evasivo do ponto de vista ideológico, mais interessado em seduzir o “establishment” do que em encarnar ímpetos de mudança.

Entre a aposta no novo e a oposição ao já existente, a candidatura de Aécio Neves optou, com notável sangue frio, por esta segunda via. Parcelas representativas do eleitorado preferiram o ex-governador mineiro como representante de sua inconformidade com o desempenho de Dilma Rousseff.

Enquanto esta se concentrava na defesa de um modelo cada dia mais insatisfatório na administração pública, o discurso de Aécio foi enfático na defesa de realizações passadas (seja as do governo Fernando Henrique, seja as da sua própria gestão em Minas Gerais).

Foi bem menos convincente quanto aos programas que pretende adotar. Surge assim, reestabelecida a rivalidade entre PT e PSDB na campanha das próximas semanas, a segunda questão, de cunho prospectivo, que se delineia a partir das urnas de outubro.

Não há dúvida de que o país requer uma série de mudanças nos pontos mais básicos de sua organização econômica e política. A própria presidente Dilma, acenando com a substituição de seu ministro da Fazenda, tácitamente admitiu a necessidade de corrigir rumos.

Os dois candidatos apontam, vagamente, intenções de reforma política e tributária. No afogueamento eleitoral, Aécio chegou a insinuar o fim do fator previdenciário, realização do governo FHC.

Nada de mais específico se adiantou, nem do lado aecista, nem do dilmista. O oposicionismo, sem propostas claras, e o situacionismo, sem nenhum salto a oferecer, rivalizam-se de costas para o novo –que Marina não esteve à altura de representar.

O curto tempo até o segundo turno impõe aos candidatos um esforço nesse sentido, a que dificilmente corresponderão. Em meio ao alarido da publicidade e às estatísticas das urnas, as frustrações de junho de 2013 persistem, sem resposta.

Folha de Sao Paulo