Tras visitar Argentina y Uruguay, padres de normalistas de Ayotzinapa llegan a Brasil

Pais de estudantes mexicanos desaparecidos desembarcam no Brasil e pedem apoio

Parentes dos 43 estudantes mexicanos desaparecidos estão no Brasil para pedir apoio de movimentos sociais e do povo brasileiro para encontrá-los e obter justiça no caso. Depois de passarem pelo Uruguai e pela Argentina, eles desembarcaram em São Paulo. Ainda  participarão de evento, na Praça da Sé, e de um debate público com movimentos sociais. Da Caravana Sudamerica 43 – como ficou conhecida – vieram quatro pessoas, que irão também ao Rio de Janeiro e Porto Alegre.

“Queremos que as pessoas do Brasil se deem conta do que acontece no México e do que estamos sofrendo. Lá não é uma ditadura, mas há muita gente morrendo e muitos desaparecendo. Nossa luta não vai terminar, mesmo encontrando nossos companheiros. Queremos Justiça e queremos as pessoas do Brasil nos ajudando. Os crimes do Estado são globalizados. Temos também que globalizar a resistência e a luta”, disse Francisco Nava. “Não há fronteiras para a luta. Todos nós temos a mesma cor de sangue, somos irmãos e temos que lutar em conjunto”, acrescentou.

As famílias pedem apenas apoio popular. Não procuram os governos dos países que visitam, porque dizem não acreditar nos governos. “Não queremos saber nada do governo. Buscamos apoios de organizações, da imprensa, do povo. Nosso interesse é encontrar nossos companheiros e seguirmos na luta. Queremos nossos companheiros e que se faça Justiça. Já basta de impunidade. São muitos os casos que ocorrem no México, e sempre há impunidade. Quantos militares já foram presos? Nenhum. Somente há famílias de campesinos destroçadas, gente pobre”, disse Nava.

No último dia 26 completaram-se oito meses do desaparecimento dos jovens. No dia 26 de setembro do ano passado, alunos deixaram a Escola Normal Rural de Ayotzinapa, em cinco ônibus, em direção à cidade de Iguala, para arrecadar dinheiro para uma marcha contra o esquecimento da matança dos estudantes, em 1968, conhecida como Massacre de Tlatelolco. Na noite do mesmo dia, a polícia de Iguala e grupos paramilitares reprimiram cruelmente os estudantes e atacaram três dos cinco ônibus nos quais viajavam. Os policiais dispararam, inclusive, contra um ônibus que transportava uma equipe de futebol, com saldo final de seis mortos, dezenas de feridos e 43 normalistas desaparecidos. O caso chocou os mexicanos e chamou a atenção da comunidade internacional.

Segundo ele, o que ocorreu em setembro foi “uma guerra de extermínio contra o povo em geral. Gente humilde, que levanta a voz e luta por seus direitos”. Mas não vamos permitir essas injustiças, não vamos permitir a impunidade, e seguimos lutando há oito meses pelos que morreram, disse ele.

Até hoje não há nenhuma pista sobre os estudantes desaparecidos. “Como sobreviventes, somos testemunhas e vamos falar sempre. O Estado tem os companheiros, e nos deve entregá-los”, acrescentou. “Vivos os levaram, e vivos os queremos”, falou Nava ao final do depoimento.

Hilda Rivera – mãe de César, um dos desaparecidos – disse que foi uma grande angústia procurar informações sobre o filho na noite em que soube do desaparecimento. “[Naquela noite] havia muito movimento de jornalistas que nos comunicaram que os estudantes haviam sido detidos pelos policiais. No outro dia fomos todos às delegacias. Mas não havia nada por mais que insistíssemos. Fomos aos hospitais e nada. Fomos à escola. Foi uma angústia. Agora, nós marchamos e protestamos, mas não temos nenhuma resposta. Seguimos buscando nossos mortos, e queremos que eles [Estado] nos apresentem. Como pais não vamos deixar de buscá-los. Não vamos deixar nos intimidarem”, disse ela.

Agencia Brasil