Grecia sirve de alerta a los opositores del ajuste fiscal – Diario O Globo, Brasil

Los conceptos vertidos en esta sección no reflejan necesariamente la línea editorial de Nodal. Consideramos importante que se conozcan porque contribuyen a tener una visión integral de la región.

Grécia serve de alerta aos opositores do ajuste fiscal

O plebiscito convocado no início do mês pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras, para o povo apoiar ou não o pacote de medidas de austeridade que demais países da zona do euro colocaram sobre a mesa para a Grécia, foi acompanhado por redes sociais num clima maniqueísta de um batalha do “bem” contra o “mal”. Este, os europeus liderados pela Alemanha de Angela Merkel. E o bem, a falida Grécia, não importando que este seja o terceiro pacote de salvamento de um país cujas lideranças políticas não conseguem administrar as próprias contas públicas, e precisam recorrer aos contribuintes do continente europeu.

Tsipras, do partido de extrema-esquerda Syriza, vitorioso nas eleições com uma plataforma antiausteridade, assumiu com o apoio da extrema-direita, uma excentricidade explicada pelo nacionalismo compartilhado por ambos, ideologia que costuma unir os extremos. No plebiscito, Tsipras fez campanha para o “não”, com o argumento de que, assim, os demais europeus fariam concessões.

Era falso. Seria o contrário. E quem torceu com se estivesse num Fla-Flu pela vitória do “bem” testemunhou o próprio Tsipras aceitar um pacote de ajuste mais duro. O objetivo é evitar o derretimento definitivo do sistema bancário grego e, por decorrência, de toda a economia, numa saída abrupta do euro e adoção da antiga e hiperdesvalorizada dracma, fagulha da ignição de um brutal choque inflacionário, de funda recessão e de quebra irrecorrível nas contas externas. Tsipras e a Grécia têm hoje outro dia decisivo, na avaliação que o Parlamento fará de mais esta operação de resgate do país.

Por que Tsipras, com o apoio dos 60% do eleitorado que disseram “não” à austeridade, recuou? A mesma pergunta vale para o comportamento da brasileira reeleita Dilma Rousseff: por que, vitoriosa nas eleições, a presidente fez o contrário do que havia prometido dos palanques, e adotou uma política de ajuste fiscal? Considerando-se que um esquerdista grego e uma petista brasileira com origem no brizolismo jamais fariam por vontade própria concessões ao “capital financeiro”.

A resposta é única para o grego e a brasileira: recuaram porque não havia outra alternativa, era isso ou admitir uma crise econômica mais profunda e sem controle. O mesmo aconteceu com Lula ao assumir o primeiro mandato, em 2003.

A “tragédia grega” deveria servir de lição àqueles que consideram possível gerenciar uma economia, mais ainda do porte da brasileira, por atos voluntariosos, sem obedecer a princípios mínimos de responsabilidade fiscal.

Foi o que Dilma tentou no primeiro mandato, com o tal “novo marco macroeconômico”, para impulsionar a economia de maneira dirigista, por meio de gastos públicos e incentivos desmesurados, juros cortados na base da vontade política, medidas do tipo. Sabe-se qual foi o resultado. Aqui e na Grécia.

O Globo