Brasil: ultiman detalles a tres días del inicio de los Juegos Mundiales Indígenas

Jogos Mundiais: com máquinas ainda trabalhando, indígenas se instalam em Palmas

A três dias da abertura dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), as máquinas continuam trabalhando a pleno vapor. O terreno em frente ao complexo que abriga a vila dos jogos ainda está sendo decorado e nas margens do Rio Taquarussu, que abrigará as competições aquáticas, operários trabalham para deixar tudo pronto a tempo.

“Estamos afinando os últimos detalhes como fiação, piso e agora com a cenografia que chegou no domingo. A vila está belíssima, segura e nos próximos dois dias vamos concluir as obras para receber os Jogos e o público”, disse o diretor executivo do Comitê Organizador, André Luiz Lobo, ao site oficial do evento.

Observando cada detalhe, os indígenas chegam à capital do Tocantis, Palmas. A etnia Xukuru Kariri, de Alagoas, não participará das competições esportivas, mas encarou 14 horas de ônibus para ajudar na organização do evento e adquirir experiência para levar aos jogos regionais. Para Mainami Santana, membro da etnia, o evento ajudará a aproximar todos os povos, índios ou não.

“Politicamente, o objetivo é chamar a atenção para a questão indígena de forma geral. Como o esporte é muito divulgado hoje como tentativa de reaproximação da sociedade, tentaremos aproximar o governo das questões políticas e diminuir esse preconceito que existe entre sociedade indígena e não indígena”, disse Mainami.

Ele também acredita que os jogos mundiais serão importantes para chamar a atenção às questões da demarcação de terra no Brasil. “Hoje em dia a preocupação das comunidades não é só a sobrevivência, e sim a garantia constitucional do território, da prevalência da cultura e da dignidade da pessoa humana”, disse.

Muitas etnias brasileiras já estão instaladas na Aldeia Okara, erguida próxima ao Rio Taquarussu. Índios da etnia Manoki, de Mato Grosso, aproveitaram para extrair brotos de um buriti próximo para usar como adereços durante as provas. O índio Valdeílson vê o evento como uma oportunidade de interagir com outras culturas. “Vamos fazer de tudo para poder ganhar [as competições]. Mas o importante é conhecer outros povos, interagir. Isso é bacana”, disso o Manoki.

Apesar de morar em uma terra indígena demarcada, ele não esqueceu dos problemas enfrentados por outras etnias. “A questão de demarcação está complicada. Esses jogos são uma oportunidade de mostrar as dificuldades da nossa região e da nossa aldeia para o Brasil”.

Instalados na escola Anísio Teixeira, da rede pública de ensino, tribos do Canadá e da Nova Zelândia já interagem e trocam informações sobre sua cultura. Na noite passada, fizeram uma cerimônia tradicional e jogaram futebol. Lamar, indígena canadense da tribo Nehiyaw, contou que está muito feliz com a oportunidade. “Jogamos futebol ontem com os neo-zelandeses, apenas por diversão. Foi muito bom, [estou] sem palavras”.

Lamar é especialista em esportes na sua tribo e apresentará alguns deles aqui no Brasil, duranto os jogos. Com muito bom humor, ele descreveu um dos jogos que pratica, chamado double ball. O jogo se assemelha ao Lacrosse – com bastões, uma bola e traves – mas utiliza testículos de búfalo como bolas. “O interessante é que não se pode pegá-las com as mãos, por razões óbvias. O jogo também é chamado de testicles [testículos, em inglês], mas preferimos chamar de double ball. Soa melhor”, disse sorrindo.

Considerado o sucessor direto à liderança dos Nehiyaw, Mel não esconde sua alegria em estar no Brasil e nos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas. “Nós temos interagido com os indígenas brasileiros desde que chegamos. Nós queremos saber sobre a cultura e compatilhar a nossa. Sabemos que isso é importante, porque nós viemos para cá e queremos que as pessoas nos conheçam e queremos conhecê-las, fazer amigos”, disse.

Segundo ele, os indígenas canadenses têm uma grande tradição esportiva e trouxeram 50 atletas. “Queremos aprender sobre os jogos mundiais indígenas, adquirir experiências. E para os próximos jogos, traremos um time completo de atletas”. Vindo de um lugar onde a temperatura é –15 graus Celsius (ºC), Mel conta que está sofrendo com o calor de Palmas, mas não deixa o bom o humor de lado. “Os alojamentos são ótimos. Aqui é quente, não estamos acostumados com isso. Viemos de um lugar [com clima] abaixo de zero. Estou me acostumando ainda”.

Agencia Brasil