São Paulo – O Movimento Passe Livre (MPL) marcou para a próxima terça-feira (26) uma nova manifestação, a sexta, contra o aumento das tarifas do transporte coletivo em São Paulo. Após a intensa repressão ao ato de ontem (21), em que 17 pessoas ficaram feridas e nove foram detidas para averiguação, o movimento parecia considerar não fazer outra manifestação nos mesmos moldes. Mas decidiu convocar um novo protesto para a estação da Luz, no centro da cidade. “Não vão nos intimidar. A luta só termina quando o aumento for revogado”, afirmou o MPL, em convocatória.

Ontem, o militante Vitor Quintiliano reafirmou que o movimento não vai se submeter à exigência de divulgação de trajeto à apreciação da Secretaria da Segurança Pública (SSP) paulista. “Quem vai definir como vai ser a manifestação, onde vai ser a concentração e qual vai ser o trajeto são as pessoas que estão organizando essa manifestação. Seja o movimento social que toma a frente do protesto ou o conjunto da população em assembleia. Não vai ser a PM. Não vai ser o secretário da Segurança Pública”, afirmou.

A SSP tem se baseado no inciso XIV do artigo 5º da Constituição Federal para exigir a comunicação. No entanto, tal artigo determina apenas a comunicação de que vai haver uma manifestação, mas nada diz sobre o trajeto ou prazo de antecedência necessário para ser comunicado.

Na noite de ontem, os manifestantes foram dispersados com violência ao tentarem prosseguir o ato depois da Praça da República, no centro. Esse era o limite definido pela secretaria, por considerar que a divulgação do trajeto “se deu muito em cima da hora”. O Passe Livre publicou o caminho nas redes sociais duas horas antes do início da concentração, marcada para as 17h, no terminal Parque D. Pedro II, também na região central da capital paulista. O ato pretendia chegar até a Assembleia Legislativa de São Paulo, próximo ao Parque do Ibirapuera.

Para Quintiliano, essa justificativa para reprimir o ato é absurda. “Bastou encostar no escudo do Choque e começou a barbárie. Em outra manifestação, bastou as pessoas pisarem no sentido norte da Avenida 23 de Maio e começou a barbárie. Numa outra, bastou as pessoas quererem descer a Avenida Rebouças, começou a barbárie. A PM tem motivos ridículos pra reprimir uma manifestação legítima e que contraria todas essas medidas desses governos que não governam para a população”, afirmou.

O ativista destacou que o movimento “não vai fazer conversa de gabinete com ninguém”, chamando o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito paulistano Fernando Haddad para ir para a rua conversar com o povo.

E convocou novamente a população a organizar protestos em vários pontos da cidade. “É muito positivo que diversos atores tomem parte dessa luta. O Passe Livre não é dono da luta social, nem da luta pelo transporte. A gente nunca conquistou nada sozinho. Todas as conquistas sociais que tivemos até aqui, nós fomos um dos participantes. Inclusive em junho de 2013 – quando o reajuste de R$ 3 para R$ 3,20 foi revogado”, afirmou Quintiliano.

Questionado sobre as recentes declarações de Alckmin e Haddad, ironizando as manifestações contra o aumento das tarifas, o militante do MPL desdenhou. “Se for para ironizar, para fazer chacota, tanto faz pra gente”.

No dia 14, Alckmin questionou por que o MPL não se mobiliza contra outros aumentos, como o da inflação. “Estranho, não teve nenhuma manifestação quando a energia elétrica subiu 70%. Então, vandalismo seletivo não, isso o paulista sabe diferenciar bem as coisas e não aceita”, disse o governador.

Na manhã de ontem, Haddad disse que só um mágico poderia instituir tarifa zero no transporte da capital paulista. “Eu não prometi passe livre na campanha, prometi Bilhete Único Mensal, faixa e corredor de ônibus. Fiz mais do que prometi, inclusive”, disse o prefeito. “Tem tanta coisa que podia vir na frente, podia ser almoço grátis, jantar grátis, ida pra Disney grátis. Começa a ficar uma conversa que você não sabe aonde vai dar”, completou o prefeito.

“Dizer que quer almoço grátis, pelo amor de deus. Entra no site do movimento e dá uma pesquisadinha. Eles se fingem de cegos, se fazem de bobos, porque não querem ouvir a população e começam com essa retórica de fazer brincadeirinha. Mas na verdade a gente tá aqui fazendo coisa séria, reivindicando com fundamento. E se eles não querem entender, a resposta será na rua, com mobilizações populares”, concluiu Quintiliano.

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