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Política sem debate, porta para brutalidade e autoritarismo

A sociedade continua indo às ruas, exigindo mais de seus governantes, criticando, mas também pedindo respeito às regras do jogo e à frágil democracia. Alguns, porém, têm saudade dos anos de chumbo.

O ano de 2015 já se distancia, mas parece ainda não ter terminado. Quem perdeu a eleição em 2014 não se conformou e continuou buscando meios de interromper um mandato legítimo. Para isso arrumou um aliado na presidência da Câmara. No final do ano, a Procuradoria-Geral da República pediu seu afastamento, mas o Supremo Tribunal Federal só deve analisar o caso na volta do recesso, agora em fevereiro.

Na economia, a vida também não foi fácil. A inflação não cedeu, o desemprego subiu, a renda caiu. O ajuste atingiu o setor produtivo e os trabalhadores. Assim, capital e trabalho se uniram em torno de um compromisso pelo desenvolvimento, cobrando medidas para recuperar o crescimento com maior rapidez. Não será fácil, mas os primeiros passos precisam ser dados. O governo tem apoio social, mas precisa dar sinais de reação.

E a sociedade não se verga. Continua indo às ruas, exigindo mais de seus governantes, criticando, mas também pedindo respeito às regras do jogo e à frágil democracia. São apenas 30 anos de funcionamento pleno – ou quase – das instituições e só 25 de restabelecimento das eleições diretas para presidente da República. Parece que foi ontem, e há quem queira dizer não à vontade popular expressa pelo voto, base de qualquer democracia.

Os estudantes também deram demonstração de cidadania ao se apropriar da escola pública como um bem social a ser respeitado. E mal começou o ano voltaram a ocupar as ruas de grandes cidades do país exigindo de governos estaduais e municipais, mais que o não reajuste das tarifas, uma discussão mais séria sobre o direito ao transporte público de qualidade. Pior do que negar o debate, é tentar sufocá-lo com a brutalidade.

A violência das tropas de Geraldo Alckmin nas ruas de São Paulo, em janeiro, revelou uma autoridade saudosa dos anos de chumbo. Quem sabe, acreditando que assim recuperaria parte do apoio perdido até mesmo junto aos mais conservadores ao tentar fechar escolas. A juventude que emerge desses tempos turbulentos não parece, porém, interessada em perder a oportunidade de, com sua esperança equilibrista, fundar uma nova maneira de participar das decisões. E uma nova política.

Rede Brasil Atual