Bolivia y Brasil revitalizan su relación y trazan cuatro ejes

Dilma Rousseff está al frente del Palacio de Planalto hace cinco años. Ayer, a un año de asumir su segundo mandato, recibió por primera vez en visita oficial al presidente Evo Morales. La cita presidencial duró una hora y diez minutos y en ese tiempo ambos dignatarios revitalizaron la relación bilateral e hicieron acuerdos en cuatro ejes: el apoyo de Brasilia a la construcción del tren bioceánico central por suelo boliviano, pactos energéticos, infraestructura y lucha antidroga.

Morales partió la madrugada de ayer a Brasilia junto al canciller David Choquehuanca. En la capital del vecino país lo esperaban cuatro ministros de su gabinete, quienes adelantaron las bases de los acuerdos.

“Abordamos y definimos el estudio y evaluación financiera del proyecto del corredor bioceánico central, proyecto complementario al transcontinental”, afirmó Rousseff en la declaración de prensa conjunta con su homólogo boliviano.

Morales agradece apoyo
Sobre este paso, Morales agradeció el respaldo de la presidenta brasileña y recordó que el gobierno peruano ya lanzó la licitación para determinar si el corredor desembocará en el puerto de Ilo o Matarani. Se creó una comisión que a finales de febrero se reunirá para revisar los aspectos técnicos.

Sobre acuerdos energéticos, Rousseff respaldó la intención boliviana de convertirse en un centro energético de la región. “Bolivia actualmente contribuye para la estabilidad energética de Brasil con casi el 30% de la oferta de gas natural”, remarcó Rousseff, quien además destacó la decisión boliviana de “ampliar el potencial de exportación de energía eléctrica” a territorio brasileño.

En la reunión también se abordó la ampliación del contrato de compraventa de gas natural. Brasil estudia ampliarlo a partir del 2019.
Sobre la negociación de los demás ejes, los mandatarios dieron inicio al trabajo de equipos técnicos para avanzar en los acuerdos alcanzados en áreas de hidrocarburos, infraestructura férrea, agricultura, salud, seguridad alimentaria, recursos hídricos y lucha contra el narcotráfico

El Deber

Declaración de prensa de la Presidenta de Brasil, Dilma Rousseff, después de la reunión con el Presidente del Estado Plurinacional de Bolivia, Evo Morales, en Brasilia

Excelentíssimo senhor Evo Morales, Presidente do Estado Plurinacional da Bolívia,
Senhoras e senhores Ministros de Estado e integrantes das delegações da Bolívia e do Brasil,
Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

Senhoras e senhores,

Tenho hoje a especial satisfação de receber o Presidente Evo Morales. Quero agradecer-lhe, e a sua delegação, por esta visita.

A Bolívia é para o Brasil um parceiro fundamental e estratégico. É um país que possui nossa maior fronteira, com uma grande extensão em milhares de quilômetros e com o qual mantemos forte processo de integração.

Compartilhamos também, cada vez mais, vínculos humanos com brasileiros radicados ou estudando na Bolívia e bolivianos estudando e trabalhando no Brasil, para o desenvolvimento de nosso País e contribuindo com seu trabalho.

Nossos governos estão unidos na prioridade que damos à eliminação da fome e à redução da pobreza e da desigualdade.

Gostaria, nesse sentido, de reconhecer e ressaltar os imensos avanços sociais e os grandes avanços econômicos pelos quais a Bolívia tem passado nos últimos anos. Isso graças ao governo do Presidente Evo Morales. Saudamos, portanto, os resultados muito positivos no combate à pobreza, o aumento da renda da população e o excelente desempenho da economia que permitirão que o país desempenhe papel cada vez importante em nossa região: Celac, Unasul e Mercosul onde a Bolívia tem tido cada vez maior presença.

Hoje, o Presidente Evo Morales e eu repassamos os principais temas da agenda bilateral, como a importantíssima integração energética, que existe entre nossos países na área de gás e certamente de outros hidrocarburos. A cooperação é fronteiriça, necessária entre países que compartilham fronteira tão imensa. Infraestrutura, defesa, comércio e investimentos, combate aos ilícitos internacionais, comércio, cooperação técnica e gestão de recursos hídricos, além da agricultura e segurança alimentar, entre outros.

Quero destacar aqui a importância da integração energética. O Brasil estimula e apoia o objetivo, anunciado pelo Presidente Evo Morales, de transformar a Bolívia em centro energético regional. Atualmente, a Bolívia contribui para a estabilidade energética do Brasil, com cerca de 30% da oferta de gás natural sendo coberta pela Bolívia no mercado brasileiro. Mediante novos investimentos em hidroeletricidade e hidrocarbonetos, nosso vizinho boliviano, nosso vizinho da Bolívia, ampliará seu potencial de produção e exportação de energia elétrica. Vamos trabalhar, também, em iniciativas conjuntas relativas a GNL, GLP e fertilizantes, aproveitando sinergias e complementariedades entre nossos países.

Nesse contexto, estabelecemos, em 2015, o comitê binacional sobre energia, para trabalharmos na identificação e desenvolvimento de novas oportunidades, como, por exemplo, o aproveitamento hidrelétrico conjunto do Rio Madeira.

Temos todo o interesse em avançar em projetos de infraestrutura, que facilitem os fluxos entre nossos países na América do Sul e nos mercados extra-regionais. Abordamos e definimos o estudo e a avaliação econômico-financeira do projeto do corredor ferroviário bioceânico central, projeto complementar à Ferrovia Transcontinental e o acesso ao Depósito Franco, no porto de Paranaguá, pela Bolívia.

Ressaltei ao Presidente Evo Morales o interesse que o Brasil tem em ampliar o comércio entre nossos países. Somos o primeiro destino das exportações bolivianas e o segundo maior fornecedor de produtos para o país. É necessário, porém, diversificar e aumentar nossas trocas, para voltar a superar o patamar dos US$ 5 bilhões de intercâmbio comercial.

Também concordamos em priorizar a cooperação fronteiriça, em benefício das comunidades de brasileiros e bolivianos que vivem ao longo de nossa extensa fronteira, assim como daqueles residentes nos dois países, estimulando as reuniões dos Comitês de Integração Fronteiriça.

No plano regional, a adesão da Bolívia ao Mercosul conta com o firme e determinado apoio do Brasil. Ela confirma a atratividade do bloco, ela aumenta atratividade do bloco, ela fortalece o propósito energético de eliminar barreiras comerciais e aprofundar a integração sul-americana.

Temos, com a Bolívia, permanente diálogo no âmbito da Celac e da Unasul, em amplíssima gama de temas.

Abordamos também o desafio do vírus zika e a necessidade de trabalharmos juntos para combater o mosquito, evitando sua proliferação e desenvolvendo vacinas. É uma tarefa necessariamente coletiva de todos os países, aqui da América do Sul e da América Latina.

Analisamos, ademais, a conjuntura econômica internacional e seu impacto sobre países como os nossos, com importante pauta exportadora de commodities.

Quero, por fim, agradecer o nosso querido amigo Evo Morales. Brasil e Bolívia vão continuar sendo parceiros prioritários na consolidação de um espaço de crescimento, de paz, de democracia, justiça social e inclusão na América Latina, na América do Sul.

Muito obrigada.

Ministerio das Relacoes Exteriores