Estamos ‘bastante interessados’ em manter o PMDB no governo, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (23), após visitar uma instalação militar em Brasília, que o governo está “bastante interessado” em manter o PMDB. O partido marcou para o dia 29 reunião do Diretório Nacional na qual decidirá se rompe ou não com o Palácio do Planalto.

Mesmo barrado pela Justiça de assumir a Casa Civil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já opera em Brasília, informalmente, para tentar conter a debandada de aliados da base governistas. Nesta terça (22), o petista se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) para tentar convencer os dois caciques peemedebistas a permanecerem nas fileiras governistas.

“Nós todos estamos bastante interessados na questão relativa à permanência do PMDB no governo. Tenho muita certeza que nossos ministros estão comprometidos com sua permanência no governo”, disse a presidente, questionada sobre se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está a ajudando a convencer o PMDB a não desembarcar do governo.

Na última segunda (21), o vice-presidente Michel Temer, presidente nacional do PMDB, se reuniu com o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), em São Paulo. Perguntada sobre se Temer “está sentando na cadeira” dela, Dilma Dilma tentou minimizar a aproximação de seu vice com a oposição.

“Tem certo tipo de suposição, de avaliações que são não só precipitadas, como não são corretas. Nós queremos muito que o PMDB permaneça no governo. Tenho certeza que meus ministros têm compromisso com governo. Então, a gente vai ver quais serão as decisões do PMDB e respeitaremos as referidas decisões”.

Lava Jato
Dilma também comentou nesta quarta-feira a decisão do ministro Teori Zavascki que mandou o juiz federal Sérgio Moro enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF) as investigações envolvendo Lula na Lava Jato. Na avaliação da petista, a decisão do magistrado da Suprema Corte é “importante” porque estabelece o que está previsto na legislação.

“A decisão do ministro Teori é importante porque estabelece o primado na lei, nas relações dos órgãos que investigam o presidente Lula. Acho que foi um absurdo [a divulgação de áudios] no sentido de que feriu a base do estado democrático de direito e as garantias e direitos constitucionais da Presidência da República vazar diálogo [de Lula] com a presidenta”, declarou Dilma após visitar uma instalação militar em Brasília.

Votos contra o impeachment

A petista também dedicou parte da entrevista desta terça para falar sobre o processo de impeachment que enfrenta no Congresso Nacional. Aos jornalistas, ela manifestou a “convicção” de que terá os votos mínimos para barrar o processo (172 dos 513).

Desde o ano passado, quando o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acolheu o pedido de impeachment, Dilma e seus principais auxiliares na Esplanada passaram a articular junto aos partidos aliados o apoio necessário para derrubar o impeachment.

Parte dessa ofensiva, a própria presidente passou a chamar ao Planalto representantes de partidos e líderes de bancadas, sempre sob a argumentação de que o impeachment não tem base jurídica.

“A gente tem que esperar o processo acontecer. Eu tenho convicção de que teremos votos necessários”, declarou a presidente nesta terça.

O processo de impeachment de Dilma está em andamento na Câmara. Na semana passada, os líderes partidários indicaram os 65 parlamentares que vão compor a comissão especial.

O grupo já começou a se reunir e deverá elaborar um parecer e enviá-lo ao plenário sobre se recomenda ou não o afastamento da presidente. Desde a última sexta (18), passou a contar o prazo de dez sessões da Câmara para que Dilma apresente sua defesa em relação ao processo.

Desemprego
Na entrevista, a presidente da República comentou os dados de desemprego divulgados nesta terça pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostraram que o nível de desemprego ficou em 8,2% em fevereiro deste ano. Foi a maior taxa para o mês desde 2009.

Embora esteja focada em sua defesa no processo de impeachment e em evitar uma debandada geral dos partidos da base aliada, Dilma ressaltou aos repórteres que o governo trabalha “forte” para que o desemprego seja freado e revertido.

“Nós temos duas grande preocupações em termos de economia: nós temos uma que é reduzir o desemprego e fazer o brasil voltar a crescer e fazer isso controlando a inflação. A boa notícia é que a inflação já mostra todos os sinais de declínio”, enfatizou.

“Este [índice de] desemprego de 8,2% é um desemprego grande em relação ao mínimo que chegamos no meu governo, que foi 4,6%, mas nós temos certeza que estamos trabalhando forte para que este desemprego seja revertido”, complementou a presidente.

Globo

Dilma diz que conseguirá votos para barrar impeachment na Câmara

A presidenta Dilma Rousseff disse ter a convicção de que conseguirá os votos necessários para barrar o processo de impeachment na Câmara dos Deputados. Para impedir que o processo tenha seguimento no Congresso, o governo precisa de 172 votos em seu favor na Câmara, que tem 513 deputados.

“Eu tenho convicção de que nós teremos os votos necessários”, disse a presidenta em resposta a jornalistas, após visitar obras de infraestrutura para instalação do satélite geoestacionário de defesa e comunicações estratégicas, em Brasília.

O plenário da Câmara vai analisar o parecer, caso seja aprovado pela Comissão Especial do Impeachment, criada na semana passada. Os 65 deputados da comissão apreciarão o relatório de Jovair Arantes (PTB-GO), que poderá acatar ou rejeitar o pedido de impeachment.

A presidenta foi notificada sobre o processo na última quinta-feira (17), e tem o prazo de 10 sessões da Câmara para apresentar sua defesa.

EBC