31 de março: manifestações em todo o país vão combater o ‘golpe’ nesta quinta

Movimentos sociais e centrais sindicais organizadas na Frente Brasil Popular vão realizar hoja (31) mobilização nacional em defesa da democracia e contra o golpe, a reforma da Previdência e o ajuste fiscal. Eles não pretendem deixar as ruas, independente do resultado do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. “Não vamos reconhecer um eventual governo (Michel) Temer. A ‘saída Temer’ é um jogo casado dos golpistas”, afirmou o presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo.

Para o dirigente sindical, um governo de coalizão entre PMDB, PSDB e DEM representa “o pior dos mundos” para os trabalhadores e vai ser enfrentado com amplas mobilizações e paralisações. “Não vamos reconhecer um governo que não tem a legitimidade dos votos do povo. Que só representa ajuste, flexibilização das leis trabalhistas e ataques contra os programas sociais”, disse Izzo.

Já no caso da derrota dos defensores do impeachment, o coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Gilmar Mauro ressalta que os movimentos vão pressionar o governo a adotar o programa vencedor das eleições de 2014 e adotar uma agenda econômica de desenvolvimento e distribuição de renda. Dentre as pautas estão as reformas política, tributária e das comunicações, a taxação das grandes fortunas, o fim do ajuste fiscal e a retomada dos programas sociais, que já vêm sendo colocadas pelos movimentos desde o ano passado.

“Evidente que do ponto de vista legal há uma busca do governo em mobilizar 180 votos no Congresso e depois reorganizar o governo. Mas também é preciso ressaltar que a mobilização dos movimentos sociais e centrais foi determinante para evitar retrocessos. Nós não estamos aqui colocando ‘tudo bem, vamos lutar contra o golpe’. Nós queremos ser ouvidos por esse governo. E as nossas pautas precisam ser ouvidas”, explicou Mauro.

Para o ativista, a população brasileira está passando por um processo intenso de politização nas últimas semanas, demonstrado pelo número de ações em defesa da democracia que vêm ocorrendo em vários pontos do país. “Isso se deve principalmente ao ascenso de ideias fascistas nas mobilizações pró-golpe”, ressaltou. Mauro destacou que os movimentos farão vigília em Brasília se houver votação da aceitação da denúncia de impeachment na Câmara, em abril. “Os setores golpistas estão assustados com a reação do povo, por isso têm pressa. Mas nós não vamos parar”, emendou.

As mobilizações vão ocorrer em, pelo menos, 56 cidades pelo Brasil e também na Europa. O maior ato será em Brasília, onde estarão as principais lideranças do movimento social e sindical brasileiro e terá participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento é realizado em união pela Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo. A manifestação terá concentração e apresentações culturais no Estádio Mané Garrincha, às 14h, seguido de marcha pelo Eixo Monumental e Esplanada dos Ministérios.

Em São Paulo, a manifestação vai ocorrer na Praça da Sé, centro da cidade, a partir das 16h. Haverá atividades culturais e ato político. “Onde há 30 anos a população defendeu o direito ao voto direto, agora nós vamos defender a democracia”, afirmou Raimundo Bonfim, coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP).

Classe estudantil

O movimento estudantil também vai participar das mobilizações na capital federal e outras cidades brasileiras com a sua “Jornada Nacional de Lutas da Juventude Brasileira”. A ação vem sendo realizada todos os anos, em março, para lembrar o golpe de Estado de 1964 e homenagear os líderes estudantis Edson Luís e Honestino Guimarães, assassinados pelos agentes da ditadura. A ação é organizada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) e Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).

Desde a semana passada, os estudantes têm realizado uma blitz no Congresso Nacional, visitando gabinetes de deputados federais para apresentar os motivos por que a juventude não apoia o impeachment sem base legal. Adesivos com os dizeres “Contra o impeachment, esse parlamentar apoia a democracia” são colados na porta dos gabinetes dos parlamentares que se opõem ao impeachment.

Além disso, os discentes criaram uma campanha para pressionar os parlamentares pela internet. Pelo site mapadademocracia.org.br, qualquer cidadão pode enviar mensagens aos deputados e acompanhar o posicionamento de cada um com relação ao processo de impeachment.

Além das mobilizações de rua, a Frente Brasil Popular está criando comitês em defesa da democracia em várias cidades e na periferia das capitais. No último final de semana, utilizaram carro de som e distribuíram panfletos na zona sul da capital paulista. Ação que deve se repetir em outras regiões nos próximos finais de semana. Na segunda-feira (28), a frente inaugurou um acampamento popular na Praça do Patriarca, região central de São Paulo, onde estão sendo realizados debates e atividades culturais.

Rede Brasil Atual

Deputados e senadores contrários ao impeachment lançam frente parlamentar

Deputados e senadores contrários ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff lançaram ontem (30) no Congresso Nacional a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Democracia. A solenidade de lançamento reuniu senadores e deputados do PT, PCdoB e PSOL, entre outros, além de representantes de movimentos sociais.

Os integrantes da frente rejeitam a denúncia contra Dilma por entender que a presidenta não cometeu crime de responsabilidade. Para o senador Humberto Costa (PT-PE), líder do governo no Senado, é necessário que os movimentos sociais continuem nas ruas até a votação do pedido de afastamento da presidenta na Câmara. “Vamos chegar no dia desse impeachment com a opinião pública do nosso lado”. Segundo Costa, a Constituição e a democracia “correm perigo”.

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), citou casos de agressões a pessoas que vestem roupas vermelhas, independente de posição política. Para ele, o impeachment é um instrumento constitucional, mas no caso do processo contra a presidenta “é um golpe”. A deputada Luciana Santos (PCdoB-PE) disse que é inaceitável e paradoxal que uma presidenta da República que não tenha responda a nenhum crime seja alvo de impedimento.

O líder do PT, deputado Afonso Florense (BA), também argumentou que Dilma não cometeu crime de responsabilidade. Por isso, segundo ele, “impeachment é golpe”.

O deputado Adelmo Leão (PT-MG) disse que a frente irá lutar para que não haja golpe. “A frente é necessária porque tem muitos golpistas aqui no Congresso e tem muitos golpistas nas nossas atividades empresariais”, disse. “Não vamos deixar que aconteça o impeachment aplicado como um golpe contra os interesses nacionais, contra a presidenta Dilma, contra aqueles que querem a liberdade para o Brasil”, acrescentou.

Entre as falas dos deputados e senadores que compareceram ao lançamento da frente, representantes de movimentos sociais e parlamentares em coro gritavam: “Impeachment sem crime é golpe” e “Não vai ter golpe, vai ter luta”.

EBC

Kátia Abreu contraria decisão do PMDB e diz que fica no governo

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, disse nesta quarta-feira (30), em sua conta no Twitter, que fica no governo. Nesta terça-feira (29), o PMDB, partido da ministra, decidiu romper por aclamação com o Palácio do Planalto e deixar a base aliada do governo. Assim, a decisão de Kátia Abreu, que deve se estender a mais cinco ministros do PMDB que ainda estão no governo, contraria a nova diretriz do partido.

“Continuaremos no governo e no PMDB. Ao lado do Brasil, nós enfrentaremos a crise”, afirmou a ministra na rede social. Ela disse, no entanto, que o grupo deixa a presidenta Dilma Rousseff “à vontade” para recompor sua base. “O importante é que na tempestade estaremos juntos”, finalizou Kátia Abreu.

Até o momento, somente Henrique Eduardo Alves, do Turismo, pediu demissão. Ele entregou o pedido de desligamento na véspera da reunião do PMDB que sacramentou o rompimento com Dilma. Além de Kátia Abreu, mais cinco peemedebistas permanecem em cargos na Esplanada: Mauro Lopes, da Secretaria de Aviação Civil; Helder Barbalho, da Secretaria dos Portos; Eduardo Braga, do Ministério de Minas e Energia; Marcelo Castro, do Ministério da Saúde; e Celso Pansera, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Jornal do Brasil

Presidenta insiste en ser víctima de un golpe motivado por “mala fe”

Este miércoles durante un acto oficial en el Palacio de Planalto, la presidenta Dilma Roussef dijo que es un acto “de mala fe” el proceso de impeachment que se abrió en su contra en el Congreso Nacional, aunque esa posibilidad esté abierta en la Constitución Nacional.

“Es absolutamente de mala fe decir que porque es legal todo impeachment es correcto. Para ser correcto, la Constitución exige que se caracterice que hubo crimen de responsabilidad. Impeachment sin crimen de responsabilidad es golpe”, dijo la mandataria, mientras activistas de movimiento sociales adeptos al oficialismo gritaban “no habrá golpe”, y críticas contra el vicepresidente Michel Temer, el juez Sergio Moro y el presidente de la Cámara de Diputados, Eduardo Cunha, a quienes tildaron de “golpistas”.

Dilma hizo las declaraciones en un acto en el cual lanzó la tercera etapa del programa de viviendas de interés social “Mi Casa, Mi Vida”.

A pesar de la reciente salida del PMDB de la coalición oficialista, varios ministros de ese partido estuvieron presentes en el acto, entre ellos los de Salud, Marcelo Castro y de Agricultura, Kátia Abreu.

La mandataria advirtió además que sin estabilidad política, no habrá crecimiento económico en el país. “Aquellos que quieren interrumpir un mandato legítimamente electo, que no sea con instrumentos legales, serán responsables por retardar la retomada del crecimiento económico y la generación de empleos”.

Tras lamentar el clima de polarización política dominante en el país, Dilma se refirió a sus antagonistas. “Quienes no tienen razón para sacar a un gobierno que tiene sus bases en la Constitución, quieren sacar al gobierno para golpear derechos garantizados e la población. Si hacen eso contra mí, ¿qué no harán contra el pueblo?”, preguntó la presidenta.

Brasil 247

Portal ‘Não vai ter golpe’ reúne manifestos e traz mapa da democracia

Um grupo de jornalistas e advogados contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff reuniu no site ‘Não vai ter golpe’ manifestos de diversos movimentos sociais e categorias trabalhistas contrários ao golpe.

O site traz ainda um “mapa da democracia”, com o posicionamento dos parlamentares a respeito do impeachment, divididos por partidos e estados. Um relógio conta a “corrida contra o golpe” e outro cálculo aponta que faltam 52 votos para “salvar a democracia”.

“Precisamos de 172 votos para barrar este golpe! deputados já se manifestaram contra o impeachment. Agora precisamos convencer os que estão indecisos. Pressione pela democracia!”, diz uma das mensagens.

O site traz ainda as seções “os golpistas”, “juristas contra o golpe” e “agenda”, com a programação de manifestações em defesa da democracia por todo o País, como os atos desta quinta-feira 31.

Brasil 247