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Exemplo argentino

Que diferença. Em abril de 2009, ainda no começo de seu mandato presidencial, Barack Obama deu motivos para o governo brasileiro comemorar. Ao cumprimentar Luiz Inácio Lula da Silva no encontro de líderes do G20, em Londres, disse: “Eu adoro esse cara! É o político mais popular da Terra”.

O então presidente do Brasil de fato surfava boas ondas. Aproveitando a alta do preço das commodities, Lula promoveu no país notável processo de inclusão social e, apesar da crise financeira mundial, obteve taxa média de crescimento do PIB de 4,5%, de 2007 a 2010.

A Argentina, em contrapartida, amargava os primeiros anos de Cristina Kirchner na Casa Rosada. Ao isolamento internacional, decorrente do calote de 2001, somavam-se sinais domésticos nada alvissareiros: havia indícios de manipulação das taxas de inflação, o governo entrava em confronto com ruralistas e se afastava da classe média.

Passados sete anos, os vizinhos trocaram de papel. Sob a direção de Dilma Rousseff (PT), o Brasil afunda em uma das piores recessões de sua história, enquanto Lula, às voltas com inúmeras suspeitas de corrupção e acossado pelo Ministério Público Federal, converteu-se num dos políticos mais rejeitados do país.

Se o Brasil andou para trás, a Argentina avançou. O presidente Mauricio Macri, eleito em 2015, não perdeu tempo. Tratou, logo nos primeiros meses de governo, de fechar acordo com os mais importantes credores internacionais, retirando o país do isolamento.

Além disso, no intuito de superar os muitos desequilíbrios produzidos por sua antecessora, iniciou verdadeira terapia de choque para se livrar do acentuado intervencionismo. Entre suas iniciativas estão a redução do protecionismo e o fim do controle cambial.

As medidas chamaram a atenção de Obama, o primeiro presidente dos EUA a ir à Argentina desde 1997. Ao visitar Buenos Aires na semana passada, o americano não conteve os elogios. “Estamos impressionados com o que Macri fez em tão pouco tempo”, afirmou.

Obama, que deixará a Casa Branca em janeiro de 2017, acrescentou: “Estou triste porque terei apenas nove meses para trabalhar com ele”. O presidente americano não chegou ao ponto de dizer que Macri é “o cara”, mas indicou que o argentino deve ser um exemplo aos demais líderes da região.

Mauricio Macri, naturalmente, tem seus méritos. Mas, se o Brasil perde protagonismo, isso se deve menos ao progresso de outros países da vizinhança do que ao tremendo fracasso do atual governo.

Folha de S. Paulo