Levante Popular da Juventude promove ‘escracho’ em frente à casa de Temer

Manifestantes do movimento Levante Popular da Juventude fizeram um ato na manhã de ontem (21) em frente à residência do presidente em exercício Michel Temer, no Alto de Pinheiros, zona oeste da capital paulista.

Carregando cartazes com imagens de Temer, instrumentos musicais, coreografias e gritos como “Não vai ter golpe”, os manifestantes protestaram entre as 8h e as 9h da manhã.

Segundo Larissa Sampaio, uma das integrantes do movimento, o ato foi destinado a chamar a atenção para o o golpe contra a presidenta da República, Dilma Rousseff, representado pelo pedido de impeachment contra o seu mandato, que tramita no Senado.

“Nesse último período, em que há um golpe em curso, a gente viu que algumas pessoas têm sido centrais na articulação desse golpe. Aproveitamos o dia 21 de abril, dia do assassinato de Tiradentes para denunciar Temer, que tem sido um dos principais articuladores do golpe”, disse.

“Estamos aqui para denunciar Temer e o QG (quartel-general) do golpe, porque ele  tem feito da casa dele o espaço de articulação de novos ministérios, antes mesmo de o governo ter sofrido ou não o impeachment“, acrescentou ela.

“Ele está agindo como presidente, lançando planos políticos, dizendo o que vai fazer, articulando ministérios, ou seja, se isso não for golpe, precisamos refazer nossos dicionários e a nossa história, porque isso se configura, na história do Brasil e na América Latina, como um golpe”.

Rede Brasil Atual


Brasileiros fazem ato e recebem Dilma com flores em Nova York

Cerca de 50 brasileiros receberam a presidente Dilma Rousseff em sua chegada a Nova York, na noite desta quinta-feira, em frente à residência oficial do embaixador Antonio Patriota na cidade. O grupo levou flores para a presidente se manifestou contra o impeachment com palavras de ordem, cartazes e tambores. Na sexta-feira, ela participará de encontro na sede das

ADVERTISEMENT

— A gente pensou nessa história das flores depois que a presidente Dilma recebeu flores no Palácio do Planalto por um grupo de mulheres. Foi um gesto muito bonito — afirma Flavia Fontes, brasileira radicada em Nova York, que aguardava a presidente.

De acordo com os manifestantes, o movimento foi organizado pelas redes socias. Os cartazes continham dizeres desde “Impeachment é ilegal” até “Fora Cunha”, em referência ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.

— Não ficamos temerosos de econtrar protestos a favor do impeachment. Os golpistas preferem se manifestar na Times Square, lugar turístico — disse a gaúcha Patricia Matzbacher, que mora nos EUA há dez anos, referindo-se a um dos símbolos da cidade.

SITUAÇÃO POLÍTICA NO ROTEIRO DO DISCURSO

No discurso de cinco minutos, durante a assinatura do acordo climático na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), a previsão é que Dilma fará uma breve citação à situação política do país. Na entrevista que dará a seis veículos de imprensa internacional, a presidente deve explorar com mais detalhes o discurso de que foi vítima de um golpe. Dilma terá ainda conversas paralelas com autoridades americanas, e líderes mundiais como François Hollande (França).

O discurso de Dilma deverá focar no papel decisivo que o Brasil teve para que a 21ª Cúpula das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 21) chegasse ao acordo mais importante sobre redução de gases de efeito estufa desde o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997. Auxiliares da presidente a aconselharam a tratar do impeachment durante a entrevista coletiva, para evitar desconforto entre os líderes mundiais reunidos para tratar de um tema ambiental.

Em algum momento, Dilma apresentará os argumentos de que as pedaladas fiscais foram feitas por outros presidentes antes dela e não deveriam configurar crime de responsabilidade. Dirá também que os decretos orçamentários não serviram para beneficiá-la pessoalmente, que mais uma vez é vítima de uma injustiça e que o impeachment é um golpe na democracia.
Protesto pró-Dilma, em frente à casa do embaixador brasileiro em Nova York – Henrique Gomes Batista

A decisão de participar do evento da ONU, tomada pouco mais de 24h antes de embarcar, levou em conta a agenda positiva que o acordo climático representa para Dilma e a chance de ela demarcar sua versão na esfera internacional. O Planalto vem monitorando a cobertura da imprensa estrangeira sobre a crise brasileira e avalia que os veículos de fora têm dado mais espaço para os argumentos de defesa da presidente.

Em seu editorial, esta semana, o New York Times afirma que o problema contra Dilma não são as manobras fiscais, feitas por outros governantes brasileiros, mas sim a culpa que ela está levando pela crise econômica, que se soma às investigações que envolvem boa parte da classe política. Segundo o jornal americano, o impeachment é na verdade um referendo sobre a gestão do PT.

Para um negociador climático do Brasil, é vantajoso para Dilma se apresentar num momento crítico como este:

— Dilma está vindo aqui porque esta é a grande contribuição da gestão dela para o mundo.

Rubens Barbosa, embaixador aposentado e presidente do Instituto de Relações Internacionais e de Comércio Exterior, acredita que, se Dilma falar sobre impeachment e golpe, será algo gravíssimo.

— Seria algo lamentável, prejudicaria a imagem do Brasil — disse Barbosa.

Já o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Thiago Galvão, acha que dificilmente Dilma falará diretamente sobre o tema.

— Se a presidente da República trouxer à tona a questão, será em conversas paralelas com autoridades americanas e de outros países.

As propostas dos negociadores brasileiros na COP 21, em dezembro passado, foram decisivas no acordo fechado por 195 países em Paris, no qual o mundo concordou em caminhar para uma economia de baixo carbono.

— Dilma não poderia ficar fora dessa foto. O Brasil foi muito importante para termos o acordo de Paris — disse ao GLOBO a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que está nos EUA com Dilma.

Ao ser avisada durante o voo para Nova York sobre o acidente na ciclovia no Rio, Dilma ficou muito consternada e disse oferecer todo o apoio possível do governo federal.

ATO TAMBÉM EM SÃO PAULO

No início da noite desta quinta, uma nova mobilização contra o impeachment e que acusava Temer de golpista tomou corpo no vão livre do Masp, na Avenida Paulista. O trânsito chegou a ser interrompido no local. A Polícia Militar não divulgou estimativa de público.

O Globo


Em meio a manifestações, Michel Temer desiste de permanecer em São Paulo

Depois de garantir na manhã desta quinta-feira (21) que permaneceria em sua residência, em São Paulo, alegando que não tinha compromissos oficiais em sua agenda, Michel Temer, que assume interinamente a presidência devido à viagem da presidente Dilma Rousseff a Nova York, decidiu embarcar para Brasília nesta tarde, por questões de segurança.

Temer está em sua residência, em São Paulo, desde o início da semana, mas, orientado pelo serviço de segurança da Presidência, decidiu retornar para a capital federal. Um dos motivos é que a casa de Temer, em São Paulo, está localizada em um bairro residencial, no Alto de Pinheiros, e a presença do presidente em exercício, rodeada de jornalistas, atrapalha a tranquilidade da vizinhança.

Segundo um dos assessores de Temer, ele deve seguir para o Palácio do Jaburu, onde deve permanecer até a volta da presidente Dilma Rousseff, que viajou hoje para os Estados Unidos. O assessor não confirmou se a decisão de Temer voltar para Brasília tenha sido motivada por um protesto que ocorreu nesta quinta-feira, em frente à sua casa.

Pela manhã, por volta das 8h, cerca de 80 manifestantes do movimento Levante Popular da Juventude fizeram um ato, que eles chamam de “escracho, na frente da residência de Temer”. O grupo pichou a rua com a mensagem “QG [quartel general] do Golpe”, espalhou cartazes pelo chão com imagens da Constituição e da foto de Temer com a mensagem “Temer golpista” e falsas notas de 1 dólar, com a imagem do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Durante o ato, eles gritaram “não vai ter golpe”. O ato durou cerca de uma hora.

Após os manifestantes terem deixado o local, a Polícia Militar chegou e começou a instalar cercas em frente à casa de Temer para isolar a residência. Equipes da limpeza pública da prefeitura de São Paulo também estiveram no local a fim de recolher os papeis que foram trazidos pelos manifestantes e lavar a rua, onde havia pichação.

A presença de Temer atraiu vários curiosos, alguns vizinhos, vez por outra, paravam ao lado das dezenas de jornalistas para tirar fotos. Houve também os quem passavam pelo local gritando palavras de apoio ou contra Temer.

Durante a manhã, Temer recebeu a uma única visita, a de Moreira Franco, ex-ministro da Aviação Civil. Ele chegou por volta das 10h15.

Protesto

De acordo com Larissa Sampaio, uma das integrantes do movimento Levante Popular da Juventude, o ato hoje foi para chamar a atenção para o que eles consideram de golpe contra a presidenta da República, Dilma Rousseff. O protesto, segundo ela, deve se repetir contra os políticos que o movimento entende como “articuladores do golpe”. “Estamos convocando a juventude a escrachar esses golpistas. Hoje, no Ceará, vai ter um [ato] e, até o dia 27 de abril, todos esses deputados e articuladores [do golpe] tomem cuidado porque sabemos onde eles estão e vamos escrachá-los”.

Jornal Do Brasil


No Dia da Inconfidência, Mujica denuncia ao mundo o golpe brasileiro

Homenageado nesta quinta-feira (21), com o Grande Colar, da Comenda de Minas Gerais, o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, falou sobre a crise política do Brasil. Ele condenou a negação da política e defendeu a democracia. Mujica também defendeu a unidade dos países da América Latina.

Abaixo os principais trechos do discurso de Mujica:

“A vida me ensinou uma coisa: os únicos derrotados são os que desistiram de lutar. Não há um prêmio no final do caminho. O prêmio é o próprio caminho. Nossa luta é muito velha. São falsos os termos “direita” e “esquerda”. Na realidade são caras permanentes da condição humana, que sempre aparecem na história”

“A democracia nunca se conheceu perfeitamente, é uma construção humana. Por isso, porque somos diferentes, porque nascemos em lugares distintos e pertencemos a classes distintas, a sociedade terá sempre conflitos. Por isso, não podemos viver sós”

“Necessitamos da política, o homem é um animal político. A função da política é por limite as dores e as injustiças. É lutar por um mundo melhor, buscando conciliar permanentemente as diferenças. Não é função da política não é esmagar as diferenças. O pior resultado para as novas gerações no conflito que está vivendo o Brasil é terminar com a conclusão de que a política não serve para nada. Há que se salvar a política, isto é um problema do Brasil”

“Pior do que as derrotas é o desencanto. Viver é construir esperança, esperança em um mundo melhor. O que seria da vida sem utopias e sonhos?”

“O Brasil é muito grande e forte. Tem muitas feridas. Tem que defender o país. Temos que entender que o desafio agora é outro: estamos construindo unidades mundiais, como a União Europeia. Se não conseguirmos uma voz comum na América, não adiantará de nada. Os fracos precisam se unir para ser fortes”

“Me sinto muito uruguaio, sou brasileiro de coração, minha pátria é a América Latina”

“Democracia não é votar só a cada quatro anos, é acrescentar o sentimento da igualdade máxima”.

Brasil De Fato


Frente prepara mobilização contra impeachment no 1° de maior

Representantes da Frente Brasil Popular preparam uma mobilização nacional contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff para o 1º de maio, Dia do Trabalho, além de outras ações. O grupo, que se reuniu nesta quarta-feira (20) na capital paulista, reafirmou que não reconhecerá um eventual governo do vice-presidente Michel Temer.

O coordenador da Central dos Movimentos Populares (CMP), Francisco Bonfim, disse que é preciso ampliar as mobilizações de rua para pressionar o Senado Federal, que após a votação na Câmara analisará o impeachment de Dilma. “Essa segunda etapa de mobilização terá o 1º de maio como um grande dia de mobilização nacional dos trabalhadores, do conjunto da sociedade, em defesa da democracia, contra o golpe e por nenhum direito a menos, que é o que está por trás desse golpe”, disse.

Integrantes da frente também farão reuniões em Brasília, segundo João Paulo Rodrigues, liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). “Na próxima semana, queremos fazer reuniões importantes tanto com a presidenta Dilma, para levar nossa solidariedade, mas acima de tudo [discutir] um programa mínimo que ela deve defender para o próximo período, e também fazer uma reunião no Senado Federal, com a bancada que é contra o golpe e ao mesmo tempo procurar os senadores que ainda estão indecisos nos estados, no intuito de fortalecer a posição da Frente Brasil Popular.”

A presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-MG), Beatriz Cerqueira, disse que as centrais sindicais vão discutir a possibilidade de uma greve geral com suas categorias. “A paralisação é necessária porque somos nós que seremos golpeados, então não é possível que nós, trabalhadores, assistamos parados e bestializados o que está acontecendo no nosso país.”

Segundo Beatriz, “o envolvimento da base das categorias profissionais é essencial e o trabalhador precisa resistir porque a ruptura democrática atinge principalmente esse trabalhador, sua família, o povo”.

João Paulo Rodrigues, do MST, destacou que a Frente Brasil Popular já decidiu que não reconhecerá o governo de Michel Temer caso Dilma seja afastada. “Não aceitamos e não reconhecemos o governo caso o Michel Temer venha a assumir. Não reconhecemos porque não tem votos e não reconhecemos porque quem definiu pelo impeachment no Congresso não tem autoridade moral para fazer um processo como aquele”, disse.

Jornal Do Brasil