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Corrida de obstáculos

O pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff avançou algumas casas no complexo jogo de ludo pelo poder, com a apresentação, ontem, do parecer favorável do relator da comissão especial da Câmara, deputado Jovair Arantes (PTB-GO). Mas os dados ainda serão lançados muitas vezes. O relatório, que será votado na próxima segunda-feira, poderá recomendar o arquivamento ou a continuidade do processo de impeachment — e servirá apenas como uma orientação ao plenário da Câmara, cujo poder também é limitado. A Câmara até pode impedir o afastamento da presidente, se entender que o pedido é inadmissível e que não deve encaminhá-lo ao Senado. Mas só a Câmara Alta poderá decidir se instaura ou não o processo.

Apesar da celeridade imposta à tramitação, essa é uma corrida de obstáculos semelhante ao jogo de tabuleiro referido acima. São inúmeros os fatores que podem determinar avanços e recuos, entre os quais o escancarado escambo de ministérios e cargos na administração em troca de apoio político. A batalha do impeachment está longe de ser um jogo limpo. Basta observar que mais da metade dos parlamentares integrantes da comissão formada para a primeira avaliação responde a inquéritos, ações criminais e cíveis, ou tiveram contas rejeitadas por órgãos de controle do serviço público. Claro que, nesse universo, há casos decorrentes de erros burocráticos, nem todos refletem má-fé. Além disso, não se pode ignorar que os parlamentares ocupam seus cargos porque foram eleitos de forma livre e democrática pelos cidadãos brasileiros, portanto representam legitimamente seus eleitores.

Se alguns deles traíram seus mandatos, têm que ser cassados pelo voto, que é a forma constitucional de revisar a representação numa democracia. Vale o mesmo para a presidente que está sendo julgada pelo Congresso. As regras do jogo — mesmo que pareça um jogo de sorte e azar — têm que ser respeitadas.

Zero Hora