A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), membro da Comissão Especial que vai analisar o  impeachment no Senado, vê semelhanças entre a evolução do processo na Câmara e o que se vê no Senado esta semana. “O próprio Miguel Reali (um dos autores do pedido de impedimento) continua até hoje filiado ao PSDB. É uma representação do PSDB. Então como o PSDB faz a relatoria?”, questiona. “Como que pode um partido que faz a denúncia relatar e julgar o processo? Nunca vi isso.”

O senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) foi eleito hoje (26) para ser o relator do processo na comissão do Senado. Ele é próximo do correligionário Aécio Neves (MG), candidato derrotado nas eleições de 2014 por Dilma Rousseff.

“Isso não existe. Eles estão com tanta sede de tomar o poder que perderam a noção não só da legalidade, mas da ética”, diz Vanessa.

Sobre a ética ignorada na Câmara para “dar guarida a Eduardo Cunha”, também está sendo esquecida no Senado, afirma. “Estão caminhando assim aqui”.

Para Vanessa, o presidente do Senado, Renan Calheiros, não tem tanto poder de influência sobre o processo como se pensa. “A posição do presidente é pequena agora. É mais dentro do partido dele.”

Essa é a mesma opinião do analista político Antônio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. “Renan não terá em relação a esse processo o mesmo poder que teve Eduardo Cunha. Renan vai apenas definir o cronograma de tramitação até a fase em que há a admissibilidade do processo”, disse à RBA na semana passada.

“Diante do quadro, no pior dos cenários nós vamos desmoralizá-los, desmascará-los, mostrar que o que estão fazendo é um golpe, sim”, disse a senadora, acrescentando: “Essa não é uma causa perdida, como não é ganha. Por isso que não gostam dessa palavra. Porque estão fazendo isso, golpe.” A senadora se diz imbuída de “um espírito muito forte de luta”.

Rede Brasil Atual