Pedro Parente assumirá a presidência da Petrobras

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, confirmou nesta quinta-feira (19) que Pedro Parente aceitou o convite do presidente interino Michel Temer para assumir a presidência da Petrobras.

Parente é o atual presidente do Conselho de Administração da BM&F Bovespa e foi ministro da Casa Civil e ministro interino de Minas e Energia no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Participou da comissão de transição do governo FHC para o do ex-presidente Lula.

Formado em engenharia elétrica pela Universidade de Brasília (UnB), iniciou a carreira como servidor do Banco do Brasil em 1971 e, em 1973, foi para o Banco Central também por meio de concurso público. Atuou ainda como consultor do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de instituições públicas no País, inclusive da Assembleia Nacional Constituinte de 1988.

No período de 2003 até 2009, foi Vice-presidente Executivo (COO) do Grupo RBS. Em 2010, tornou-se presidente e CEO da Bunge Brasil, cargo que ocupou até 2014. Atualmente é membro dos conselhos da SBR-Global e do Grupo ABC, do qual é presidente, além de ser sócio-diretor do grupo de empresas Prada de consultoria e assessoria financeira.

Em entrevista a jornalistas, o executivo disse que, apesar de não estar nos seus planos, aceitou o desafio por acreditar na orientação dada pelo presidente interino Michel Temer de que não haverá indicação política para nenhum dos cargos do Conselho de Administração e Diretoria da empresa.

“Não haverá indicações políticas na Petrobras. […] Isto foi uma orientação clara que o presidente Temer me passou. Então, vou ser claro e taxativo com relação a este ponto: não haverá indicação política, o que vai facilitar muito a vida do Conselho de Administração e a minha vida própria porque, se isso fosse o caso, o que não será, certamente, elas não seriam aceitas”.

Questionado sobre como se dará a relação entre o governo e a estatal, Parente disse que a atuação governamental seguirá os mecanismos de governança adequados e reforçou o pedido de Temer para que seja realizada uma “gestão estritamente profissional” voltada para o sucesso da empresa e os interesses dos acionistas.

“A empresa vai continuar a ter e aperfeiçoar a sua governança para que seja estritamente profissional, vamos ter a oportunidade de acelerar a solução ou os encaminhamentos para o que a empresa enfrenta hoje.”

Em nota, o presidente interino Michel Temer agradeceu “os inestimáveis serviços prestados por Aldemir Bendine, que conduziu com muito êxito o início da recuperação da Petrobras”. Leia abaixo a íntegra da nota oficial da Presidência da República:

“O executivo Pedro Parente aceitou hoje convite do presidente interino Michel Temer para ser indicado Presidente Executivo da Petrobras ao Conselho de Administração da Companhia. Ao mesmo tempo que o indica, Michel Temer agradece os inestimáveis serviços prestados por Aldemir Bendine, que conduziu com muito êxito o início da recuperação da Petrobras. Bendine revelou suas qualidades de dedicado executivo, reproduzindo trajetória de sucesso antes alcançada no comando do Banco do Brasil.

O presidente interino tem certeza de que o Conselho de Administração coordenará uma transição profissional e transparente, de forma a preservar os altos interesses da companhia e do povo brasileiro.

Portal Brasil


Petroleiros repudiam Parente na Petrobras

Novo presidente da Petrobras, o ex-ministro Pedro Parente, que foi chefe da Casa Civil de FHC, terá de lidar, logo na largada, com a insatisfação dos petroleiros.

Em nota, a Federação Única dos Petroleiros repudia a nomeação de “um ex-ministro de FHC que chancelou processos de privatização e tem em seu currículo acusações de irregularidades e improbidade na administração pública”. Eles citam contratos de parceria com o setor privado para construção de usinas termoelétricas, entre 2000 e 2003, que “geraram prejuízos de mais de US$ 1 bilhão à Petrobras, que se viu obrigada a assumir integralmente as termoelétricas para evitar perdas maiores”.

Leia abaixo:

REPUDIAMOS A INDICAÇÃO DE PEDRO PARENTE PARA A PRESIDÊNCIA DA PETROBRÁS

A indicação de Pedro Parente para a presidência da Petrobrás é fortemente rechaçada pela Federação Única dos Petroleiros.

É inadmissível termos no comando da empresa um ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso que chancelou processos de privatização e tem em seu currículo acusações de irregularidades e improbidade na administração pública.

O perfil ultraliberal de Pedro Parente o descredencia por completo para assumir o comando de uma empresa estatal que tem sido a âncora do desenvolvimento e das políticas públicas estruturantes do país.

Sua nomeação está na contramão das lutas travadas pelos trabalhadores para evitar o desmonte do Sistema Petrobrás.

O currículo de Pedro Parente não deixa dúvidas sobre que lado ocupa na luta de classes. Ele participou ativamente dos dois mandados do governo FHC, onde atuou como Secretário Executivo do Ministério da Fazenda, entre 1995 e 1999, e como Chefe da Casa Civil, entre 1999 e dezembro de 2002. No final de 2000, passou a acumular a presidência da Câmara de Gestão da Crise Energética, o chamado “ministério do apagão”, responsável por uma série de arbitrariedades, como racionamento e cortes de energia e multas altíssimas impostas aos consumidores.

Um dos maiores escândalos protagonizados por Pedro Parente no governo tucano foram os contratos para compra de energia emergencial e as “compensações” feitas às concessionárias privadas e aos investidores atraídos pelo Programa Prioritário de Termeletricidade, que impôs prejuízos bilionários à Petrobrás. Professores do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP chegaram na época a denuncia-lo ao Ministério Público Federal por improbidade administrativa.

Sob a chancela de Pedro Parente, a Petrobrás teve que assinar contratos de parceria com o setor privado para construção de usinas termoelétricas, entre 2000 e 2003, onde se comprometeu a garantir a remuneração dos investidores, mesmo que as empresas não dessem lucro, bem como cobrir os custos dos empreendimentos, caso a venda de energia não fosse suficiente para sustentar os investimentos.

A chamada “contribuição de contingência” gerou prejuízos de mais de US$ 1 bilhão à Petrobrás, que se viu obrigada a assumir integralmente as termoelétricas para evitar perdas maiores. O valor das usinas, avaliadas em US$ 800 milhões, equivalia a um terço dos US$ 2,1 bilhões que a estatal teria que desembolsar para honrar as compensações garantidas aos investidores até o final dos contratos, em 2008. Tudo autorizado por Pedro Parente.

Não é com gestores deste perfil que a Petrobrás vencerá a crise que atravessa. A FUP repudia sua indicação e exige que toda a diretoria da gestão Bendine entregue seus cargos, caso o Conselho de Administração da empresa aprove a nomeação de Pedro Parente.

Os petroleiros seguirão em luta contra o desmonte do Sistema Petrobrás e não darão um minuto de sossego aos entreguistas.

Brasil 247


Escolhido para a Petrobras, Parente diz que não haverá indicações políticas

Indicado para assumir a presidência da Petrobras, o ex-ministro Pedro Parente disse que não haverá indicações políticas na estatal. Em sua primeira entrevista após ser nomeado pelo presidente interino Michel Temer para o cargo, Parente disse ser “claro e taxativo” com relação ao assunto. Segundo ele, esta é a “orientação clara” de Temer.

Elogiando a gestão atual de Aldemir Bendine à frente da empresa, o engenheiro disse que a decisão de aceitar o convite para o posto não foi um processo simples. Ele disse sentir a relevância e responsabilidade do cargo e disse que a determinação de Temer é que a empresa vai continuar e aperfeiçoar a sua governança para que seja “estritamente profissional”.

“A relação do governo com a Petrobras é de acionista controlador. Portanto, o seu primeiro interesse é o sucesso da empresa. É assim que o presidente Michel Temer vê, é assim que eu também vejo e é assim que a gente vai trabalhar. Teremos uma visão absolutamente profissional, voltada aos interesses da empresa e dos acionistas”, disse.

Segundo ele, a proibição de indicações políticas vai facilitar sua própria vida e a dos demais executivos da empresa. “Se for o caso, e não será, certamente elas [indicações] não serão aceitas. Isso foi um dos pontos que me fez decidir [aceitar o convite]”, afirmou, depois de admitir que o “desafio” não estava em seus planos.

Pedro Parente informou que pode manter ou tirar os atuais executivos da estatal. “Isso é prerrogativa do presidente-executivo. Na Petrobras, os mecanismos de governança funcionarão como tem de funcionar em qualquer empresa de grande porte. Posso tanto indicar novos diretores quanto propor a saída. É um processo natural.”

Antes de Parente responder a perguntas de jornalistas, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que, para assumir o cargo, Parente precisa ter o nome aprovado pelo Conselho de Administração da empresa.

O processo de transição será coordenado pelo conselho da estatal, mas Parente afirmou não ter agendado nenhuma conversa ainda.

“O presidente Michel Temer quando deu posse aos ministros disse que acabou o tempo onde quem tomava posse desconsiderava completamente o trabalho da gestão anterior. O [atual presidente, Aldemir] Bendine [tem trabalhado] com o conselho arduamente para endereçar questões e desafios. Isso vai ajudar a continuidade e os aperfeiçoamentos que sempre são naturais quando acontecem mudança de lideranças”, acrescentou.

De acordo com o presidente indicado, as informações preliminares que tem dão conta de que há um processo de auditoria das contas da empresa após os casos de corrupção descobertos pela Operação Lava Jato, mas “não existe orientação para reauditar” os números.

Estou consciente de minha responsabilidade. Não posso ter certezas quando tenho poucas informações. Tenho conhecimento pela imprensa de que há um programa de desinvestimentos em andamento. Nesse conjunto que mencionei, certamente tem de ser avaliada sua continuidade. Mas não posso dar detalhes”, adiantou sobre a possibilidade de venda de ativos da estatal.

Como ocupa atualmente a presidência do Conselho de Administração da BM&FBovespa, Parente informou que se afastará do cargo caso haja conflito de interesses, mas que sua vontade é de continuar porque ele conduz no momento processos importantes.

Questionado se, antes de aceitar o convite, pediu opinião ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de quem já foi ministro, o futuro presidente da Petrobras disse que dialoga com ele sempre que pode, mas que não conversou “especificamente sobre essa questão”.

EBC


Temer promete reforma ministerial com mulheres no comando, afirma deputada

Devido às críticas que o governo Temer vem sofrendo após a mudança dos ministros por não ter nenhuma mulher no comando de alguma pasta, a deputada federal Josi Nunes (PMDB-TO) afirmou nesta quinta-feira (19) que o presidente interino Michel Temer (PMDB) prometeu que terá mulheres no primeiro escalão em uma fatura reforma ministerial.

“Eu coloquei para ele que na mesa de decisão dos ministérios é preciso ter uma mulher. Ele disse que, a princípio, agora vai ficar com esse ministério, mas deixou claro que a formação de um novo ministério, um pouco mais à frente, vai trabalhar a questão da mulher, do idoso, do jovem, do deficiente. Ele nos pediu um tempo e garantiu que não haverá retrocesso nas políticas”, disse a deputada.

Segundo a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP), “não foi uma falha do presidente Michel Temer” não ter mulheres em ministérios. “Os partidos não indicaram nomes de mulheres”, afirmou a deputada. A informação da falta de indicação de mulheres pelos partidos também foi confirmada pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, na última segunda-feira (16).

Diario de Goias


Dilma critica fusão entre ministérios da Cultura e da Educação

Afastada da Presidência da República, Dilma Rousseff tem usado as redes sociais para se posicionar sobre medidas do governo do presidente interino Michel Temer. Na manhã de hoje (19), ela respondeu perguntas de internautas relativas à fusão do Ministério da Cultura com o da Educação. Em sua página oficial do Facebook, Dilma afirmou que uma Secretaria Nacional de Cultura não tem capacidade de atender às necessidades culturais da população com a mesma eficiência que um ministério.

Dilma lembrou que a criação do Ministério da Cultura foi uma das primeiras medidas tomadas após a conquista das eleições diretas para a Presidência da República. De acordo com a presidenta afastada, com a fusão da pasta “é como se eles quisessem voltar ao passado autoritário”.

“Uma Secretaria Nacional de Cultura não tem capacidade de atender às demandas e necessidades culturais da população. Não tem a estrutura necessária para atuar, levando em conta a amplitude, a complexidade e a diversidade cultural brasileira”, disse Dilma. Segundo ela, a construção do conjunto de políticas e programas exige uma estrutura capaz de dialogar com o conjunto da sociedade, com o meio cultural, artistas e produtores.

Ao ser perguntada se a continuidade do ministério comprometeria o Orçamento da União, a presidenta afastada respondeu negativamente. Afirmou que orçamento da Cultura corresponde a menos de 1% do Orçamento Geral da União. “E o que esses investimentos trazem de benefícios: fortalecimento da coesão social, melhoria da qualidade de vida, redução da violência, e capacitação da sociedade para resolver os grandes desafios do século 21”.

Nos últimos dias, manifestantes contrários ao fim do Ministério da Cultura iniciaram ocupações em prédios do ministério em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Salvador, Recife e Curitiba. Em nota, a Associação dos Servidores do Ministério da Cultura disse considerar que a fusão “coloca as conquistas históricas do campo das políticas públicas de cultura em risco”.

Ontem (18), Michel Temer divulgou um áudio informando que a fusão dos ministérios não vai significar a redução da atividade cultural no Brasil e que os recursos para a área aumentarão.

As respostas às perguntas de internautas foram feitas no Face to Face com Dilma, com a participação do ex-ministro da Cultura, Juca Ferreira. Essa atividade na rede social era adotada por Dilma enquanto ela estava na Presidência da República para tratar de programas de governo como o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e o Bolsa Família.

Ontem, Dilma e a ex-ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, responderam a perguntas de internautas sobre o programa Bolsa Família.

EBC