Há pouco mais de uma semana no cargo, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, quer deixar como marca um Itamaraty combativo e com uma posição mais relevante na Esplanada dos Ministérios do que nos últimos 13 anos do governo petista. Com aval do presidente interino, Michel Temer, a estratégia de Serra é rebater as críticas de países contrários ao afastamento de Dilma Rousseff do cargo e, ao mesmo tempo, buscar apoio interno e externo para ampliar a relevância do Brasil no cenário internacional, por meio de acordos com foco comercial e menor peso ideológico.

Serra teve de ser convencido por Temer a aceitar o Itamaraty. Só concordou em assumir a pasta depois de receber a Secretaria-Geral da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), ambos até então ligados ao Ministério do Desenvolvimento (MDIC). Na última sexta-feira ouviu do ministro do Planejamento, Romero Jucá, que o governo pagará cerca de US$ 800 milhões que deve a organismos internacionais. Foi uma vitória importante, que agradou os diplomatas.

Serra é senador pelo PSDB de São Paulo. Foi deputado, governador e duas vezes candidato à Presidência da República. Na visão de fontes diplomáticas e especialistas ouvidos pelo GLOBO, o fato de o novo ministro das Relações Exteriores ser um político do calibre de Serra trará dividendos para o ministério e lhe garante interlocução direta com o Planalto e o Congresso.

— Um político do calibre de Serra atrai para o Itamaraty uma visibilidade maior — disse Hussein Kalout, pesquisador da Universidade de Harvard e professor de Relações Internacionais.

DOIS CHEFES DE ESTADO

Um ponto delicado na avaliação dos especialistas, no entanto, é o fato de governo Temer ser interino. Na prática, a visão das chancelarias estrangeiras é que existem dois chefes de Estado no momento, uma vez que Dilma é presidente afastada. Isso dificulta a execução de uma intensa diplomacia governamental, que passaria pela organização de uma ampla agenda de viagens do ministro. Só que várias nações titubeiam em organizar esses encontros neste momento.

Por enquanto, o único destino certo é a Argentina. Amanhã, Serra desembarcará em Buenos Aires para um encontro com a chanceler do país vizinho, Susana Malcorra. Segundo uma fonte, “será uma viagem simbólica”.

— O governo não se instalou de forma definitiva. Isso faz com que haja pouco espaço para a diplomacia. Não dá, por exemplo, para esperar o reconhecimento dos demais países, até que o processo de impeachment seja consumado. Ao observarmos que não houve declarações de nações como a Rússia e a China, percebemos que eles aguardam uma definição — disse Kalout.

Com aval de Temer, Serra passou a rebater, em duros comunicados para o padrão diplomático, as críticas de países contrários ao afastamento de Dilma, com destaque para Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba e Nicarágua. Fontes próximas ao ministro revelaram que ele fez questão de escrever as notas, com algumas anotações do próprio presidente.

— É quase consenso nacional que não podemos submeter os valores e interesses brasileiros a afinidades ideológicas de um partido. Deixamos de fazer muitos acordos bilaterais e regionais por causa dessa predisposição — disse Sérgio Amaral, ex-ministro da Indústria e do Comércio do governo Fernando Henrique Cardoso e um dos embaixadores que têm assessorado Serra.

Crítico contumaz do Mercosul, Serra agora defende a renovação do bloco. Existe a percepção de que o bloco poderá expandir o leque de acordos com outros países, com menos divergências.

— É importante retomar as relações com as grandes potências democráticas. Falo de EUA, Europa, Canadá, Japão e Austrália. Temos em comum a defesa da democracia liberal e dos direitos humanos. Devemos rejeitar atitudes colonialistas, mas não hostilizar EUA e Europa como potências imperiais, como fazia o PT. A Guerra Fria acabou. No mundo globalizado, é preciso negociar com o mundo todo — comentou o consultor internacional Nelson Franco Jobim.

Para ele, o país precisa de uma política externa independente, soberana e flexível. Quanto ao Mercosul, Jobim diz que seria importante resgatar a proposta original de regionalismo aberto.

— Um grupo de países que se une para ter voz mais forte e maior poder de barganha em negociações e foros internacionais. A Venezuela de Maduro atrapalha, mas de que servem Mercosul, Unasul (União de Nações da América do Sul) e Celac (Comunidade dos Estados Latinos e Caribenhos), se não forem capazes de negociar uma transição pacífica na Venezuela. É o problema mais urgente no nosso entorno — enfatizou.

Logo ao assumir, Serra indicou que gostaria de rever custos com embaixadas e a África seria o foco. Porém, pessoas próximas a ele dizem que qualquer escolha de fechamento de embaixadas será feita criteriosamente, uma vez que o continente africano é um mercado importante. Até pouco tempo, empreiteiras brasileiras, enfraquecidas após a Lava-Jato, disputavam com empresas chinesas as contratações de obras de infraestrutura e logística na região.

— O ministro não vai fechar as portas para a África. Nem deixar de olhar para direitos humanos a meio ambiente. Mas vai enfocar o pragmatismo — disse um interlocutor com acesso a Serra.

O Globo


Advierten sobre retroceso en política exterior de Brasil

El excanciller brasileño Celso Amorim advirtió sobre el retroceso que amenaza a la política exterior de Brasil con José Serra, el ministro designado por el presidente interino Michel Temer, que asumió tras el golpe parlamentario contra Dilma Rousseff.

En un artículo publicado en el medio local Folha de Sao Paulo, Amorim consideró que con Serra al mando de la cancillería “Brasil volverá a la pequeña esquina de donde nunca debió salir”.

Amorin condenó las críticas emitidas por Serra a países latinoamericanos que repudiaron el golpe de Estado contra la presidenta Rousseff, disfrazado de legalidad mediante la figura del juicio político.

Indicó que en el comunicado de Serra había “una mezcla de arrogancia y soberbia” como si Brasil “fuera diferente o mejor que sus hermanos latinoamericanos”.

También el exsecretario de Relaciones Exteriores del Partido de los Trabajadores (PT), Valter Pomar, advirtió que con el nuevo proyecto del canciller Serra, el papel de Brasil en la política internacional se empequeñecerá.

Pomar recordó que en el 2010, la agenda de relaciones internacionales de José Serra fue rechazada en las urnas. Rememoró que las directrices fundamentales de su proyecto eran distanciar a Brasil de sus vecinos latinoamericanos, eliminar los acuerdos comerciales con naciones de África y Asia, y subordinar al país a Estados Unidos.

En contexto

El Senado de Brasil aprobó el proceso de juicio político contra Dilma Rousseff el pasado 12 de mayo con 55 votos a favor, 22 en contra y 1 abstención (de 78 de los 81 miembros del cuerpo colegiado).

En este período las autoridades brasileñas se encargarán de encontrar las pruebas contra la mandataria que no fueron presentadas ni en la Cámara baja ni en el Senado.

La acusación central de la oposición contra Rousseff para justificar un juicio político es la supuesta violación de normas fiscales al maquillar el déficit presupuestario de 2015. Sin embargo, no se han presentado pruebas en su contra.

Analistas políticos aseguran que Temer, con solo siete días en el poder, vive un momento de inestabilidad en su Gobierno provisional por su afán de entregar el país al Fondo Monetario Internacional (FMI), banqueros y empresarios.

La mandataria brasileña ha denunciado que el golpe en su contra es respaldado por los medios de comunicación “que controlan la opinión”.

Telesur


José Serra: “Los gobiernos cambiaron, debemos comenzar una nueva etapa”

Unas horas le bastaron para marcar un giro de 180 grados en la diplomacia de Brasil después de 13 años de administraciones del Partido de los Trabajadores (PT). No bien el presidente interino, Michel Temer, lo designó ministro de Relaciones Exteriores, José Serra no dejó dudas sobre el nuevo rumbo del país tras la suspensión de Dilma Rousseff para enfrentar un proceso deimpeachment en el Senado.

Serra llegará esta noche a Buenos Aires y mañana mantendrá una reunión de trabajo con su par argentina, Susana Malcorra, y con el presidente Mauricio Macri. En una clara señal de la relevancia que tendrá la Argentina para el gobierno de Temer, el país fue el primero en ser citado en el mensaje de Serra al asumir. Destacó que uno de los focos de la acción diplomática brasileña será la sociedad con la Argentina. Tal es la sintonía y la voluntad de trabajar con el gobierno de Macri que el canciller brasileño no dudó en respaldar la candidatura de Malcorra como secretaria general de Naciones Unidas. “Veo con mucha simpatía la posibilidad de una argentina, una mujer argentina, ser secretaria general de la ONU”, afirmó.

“Todo lo ocurrido en Brasil siguió procedimientos establecidos por Supremo Tribunal Federal, por la Constitución y las leyes”, señaló, para luego apuntar que no cree que el Senado vaya a declarar a Dilma inocente de haber manipulado las cuentas públicas.

“Nos dimos cuenta de que lo que estaba en riesgo era el futuro del país. Brasil vive la peor crisis de su historia contemporánea. Nunca hubo una recesión como ésta. Que al gobierno Temer le vaya bien es fundamental para Brasil”, remarcó.

-¿En qué se va a traducir en concreto su declaración de que la Argentina será una de las prioridades de la diplomacia brasileña?

-Voy a Buenos Aires precisamente para tratar la agenda futura. La Argentina tiene prioridad porque es un gran país, vecino, con el que compartimos el Mercosur y otras cosas que, si las hacemos juntos las haremos mejor. Hablaremos sobre la creación de un mecanismo de coordinación política Brasil-Argentina, algo que ya se discutió en el pasado, pero que ahora podremos formalizar con la firma de un memorándum de entendimiento. También voy a llevar una sugerencia para hacer una conferencia regional sobre el combate al crimen organizado en las fronteras que compartimos. Queremos dar mucho énfasis a la cooperación con la Argentina en esa materia, es crucial. Otra cuestión que trataremos será el Mercosur. Creo que el Mercosur debe ser fortalecido.

-¿En qué puede cambiar la relación entre Brasil y la Argentina después de 13 años de gobiernos del PT?

-No voy a tomar el pasado reciente como referencia. El acercamiento entre nuestros países es muy importante tanto para Brasil como para la Argentina. Ahora, el gobierno argentino cambió, el gobierno brasileño también… En ese sentido, debemos comenzar una nueva etapa, pero lo más importante son las políticas de Estado.

-Al hablar de flexibilizar las reglas del Mercosur sobre acuerdos de libre comercio con otros países o bloques, ¿se refiere a dejar de lado la idea de la unión aduanera?

-No son cosas excluyentes, son dos dimensiones. El Mercosur es una unión aduanera que presupone el libre comercio entre sus miembros, aunque hay aún muchos problemas. Debemos profundizar el libre comercio, pero eso no excluye la unión aduanera, la tarifa externa común. Hay que crear mecanismos que den más flexibilidad a las posibilidades de negociación con terceros países.

-Dijo también que hay que fortalecer los vínculos entre el Mercosur y la Alianza del Pacífico (México, Colombia, Perú y Chile) para evitar un nuevo Tratado de Tordesillas?

-Así es, no permitir que haya una división entre el este del oeste de América del Sur. Tenemos facilidades para las relaciones con los países de la Alianza del Pacífico. Debemos avanzar más, no permitir que haya dos bloques que avancen a dos velocidades. Ellos, que parten desde un punto más atrás de materia de integración comercial, sin duda caminaron con rapidez, y nosotros, de alguna manera, nos quedamos estancados.

-Su discurso de asunción apuntó que Itamaraty estuvo contaminado por las políticas petistas?

-Más que contaminado estuvo obligado; no es algo que Itamaraty hiciera por convicción.

-¿Pero no reconoce que en estos años Brasil alcanzó un protagonismo mundial que nunca antes había tenido?

-Puede ser desde el punto de vista de la atención mediática, pero más que notoriedad lo que nosotros queremos ahora son resultados. Brasil es un país continental y como tal tiene que tener relaciones con todo el mundo; relaciones provechosas desde el punto de vista económico y también cultural, o en lo que se refiere a objetivos nobles de política internacional, como es la resolución pacífica de los conflictos o la protección del medioambiente. La política exterior brasileña será ahora ambiciosa en resultados, no en retórica.

-¿Piensa cortar embajadas y consulados, una expansión que para muchos llevó a Itamaraty a una crisis financiera?

-Brasil tenía unas 160 representaciones diplomáticas en el exterior, y en los últimos años pasó a unas 230. Ya pedí un estudio sobre la relación costo-beneficio, que además tenga en cuenta cuestiones políticas. Pero, para que se de una idea, en el Caribe de habla inglesa hay más embajadas brasileñas que de Gran Bretaña. Es una exageración.

-¿Cuál será la postura frente a los países que no reconocieron al gobierno interino de Temer, o a la Unasur, que también lo criticó?

-Nuestra actitud en relación a eso debe ser “ni callar ni escalar”. Si hay gobiernos que vienen y dicen cosas que no son verdad, lo haremos notar de manera enfática, pero no seremos más agresivos que las declaraciones que nosotros rechazamos. No tenemos intención de desarmar la Unasur o abandonarla. Tenemos sí la esperanza de que la sensatez termine predominando. Creo que todas esas cuestiones en relación a lo ocurrido en Brasil se van a ir desacelerando.

Un experimentado en la política

Serra fue gobernador de San Pablo, ministro y candidato a la presidencia por el PSDB en dos ocasiones; Lula y Dilma lo derrotaron en 2002 y 2010, respectivamente

José Serra

Canciller de Brasil

Profesión: Economista

Edad: 74

Origen: Brasil

José Serra tiene sangre argentina: su abuela materna, la ítalo-rosarina Carmela Chirico, conoció a su marido en Buenos Aires. Más tarde, la pareja se mudó a vivira Brasil

Fue presidente de la Unión Nacional de Estudiantes desde 1963 hasta el golpe militar de 1964, que lo obligó a partir al exilio; vivió en Bolivia y Francia antes de radicarse en Chile y Estados Unidos

Padre de dos hijos, regresó a Brasil en 1977; antes de ser candidato presidencial del PSDB (en 2002 y 2010) fue ministro de Planificación y Salud en el gobierno de Cardoso, y gobernador de San Pablo

“El acercamiento entre nuestros países es muy importante, tanto para Brasil como para la Argentina”

“La política exterior brasileña será ahora ambiciosa en resultados, no en retórica”

“Todo lo ocurrido en Brasil siguió procedimientos establecidos por la Corte y la Constitución”

“Veo con mucha simpatía la posibilidad de una mujer argentina [por Malcorra] en Naciones Unidas”

La Nación


PERFIL | José Serra, canciller del gobierno interino de Brasil

El canciller de Brasil ante la suspensión de la presidenta Dilma Roussseff y el ascenso del gobierno interino de Michel Temer, es economista, miembro fundador del Partido de la Social Democracia Brasileña (Psdb), junto al expresidente Fernando Henrique Cardoso. El nombre de José Serra no es extraño para la clase política auriverde.

El nombramiento de Serra como ministro de Relaciones Exteriores encendió las alarmas en las casas de gobierno de Bolivia, Paraguay y Venezuela, luego de las declaraciones ofrecidas por el político sobre Unasur, Alba y Mercosur.

Es el primero en asumir la cartera diplomática sin tener carrera en este campo, por lo menos en la gestión de Luiz Inácio Lula da Silva y Roussseff . La agencia de noticias Xinhua reseñó que Serra vinculó al presidente Evo Morales con el narcotráfico cuando el político brasilero estaba en la carrera electoral de 2010.

En junio de 2015 emitió una “nota de repudio a la trama de la dictadura venezolana”, cuando algunos senadores de su país fueron agredidos verbalmente y obstaculizada la caravana que pretendía visitar a los políticos acusados de desestabilizar al gobierno de Maduro, presos en la cárcel militar de Ramo Verde. “Suspender al gobierno de Venezuela del Mercosur es la mejor repuesta inmediata”, declaró a los medios en aquella oportunidad.

Ese mismo año, trató de contrabandista al presidente de Paraguay, Horacio Cartes, en un discurso en el que se refirió a los efectos tributarios del delito de ingreso ilegal de bienes a Brasil.

Veterano político

Serra, nacido en Sao Paulo, e hijo único de inmigrante italianos, inició su trayectoria política a los 18 años en la universidad de su ciudad natal. Fue dirigente estudiantil y presidente de la Unión Nacional de Estudiantes.

No pudo concluir sus estudios ya que, cuando se ejecutó el golpe militar de 1964, se exilió en Bolivia y luego en Francia. Volvió a Brasil clandestinamente pero decidió salir otra vez, estableciéndose en Chile. Allí fue profesor universitario.

Después del golpe de 1973 contra Salvador Allende, fue detenido y enviado a una prisión improvisada en el Estadio Nacional de Chile, donde muchos fueron asesinados.

Un pasaporte diplomático y su origen italiano confundieron a los soldados que lo liberaron. Pidió asilo político en la embajada italiana en Santiago y posteriormente se exilió en Estados Unidos donde logró su Doctorado en Economía.

En Chile también conoció a su esposa, la psicóloga y ex bailarina del Ballet Nacional Mónica Allende, con la que tuvo dos hijos.

Se ha desempeñado como Secretario de Economía y Planificación del Estado de Sao Paulo (1982-1986), diputado Federal en dos ocasiones (1986 y 1990), constituyente (1987), Senador (1994-2002), Ministro de Planificación y Ordenamiento (1995-1996) y Ministro de Salud (1998-2002).

En 2003, asumió la presidencia nacional de su partido Psdb y dos años después fue elegido alcalde de Sao Paulo. Dimitió para lanzarse como gobernador de la misma zona en 2006, contienda que ganó con amplia mayoría.

Candidato a la presidencia 2002 y 2010, en las cuales perdió frente a Lula Da Silva y Dilma Rousseff, respectivamente.

Este experimentado político de 74 años “con fama de antipático”, según el diario Folha de Sao Paulo, protagonizó el capítulo brasileño de Wikileaks. Según los documentos develados, le prometió cambiar la ley de hidrocarburos para mayor participación extranjera en los campos submarinos a la petrolera Chevron.

El Mundo