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A conta do impeachment

Ao mesmo tempo em que o processo de impeachment avança no Senado, acenando com a perspectiva de votação até o final de agosto, intensificam-se velhas e condenáveis práticas políticas com as quais um país envolvido no combate à corrupção não poderia compactuar. Por isso, é preciso que tanto integrantes do governo provisório, interessados em referendar a decisão pró-impeachment, quanto senadores indecisos firmem de imediato um compromisso com a transparência, rejeitando qualquer possibilidade de barganha. Uma decisão dessa importância para o futuro do país precisa ser tomada com base em convicções, não na perspectiva de favores.

Por mais que sobrem negativas por parte do Executivo e o do Congresso, alguns movimentos já registrados até agora confirmam a possibilidade de que os esforços de convencimento de senadores indecisos deem margem a um verdadeiro balcão de negociações. Só um parlamentar da base governista teria condicionado seu voto favorável ao afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff à obtenção de 34 cargos nas instituições mais cobiçadas, entre quais Furnas e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O próprio presidente em exercício, Michel Temer, intensificou a agenda de almoços, jantares e reuniões com senadores, muitas vezes fora da agenda oficial, o que acaba dando margem a suspeições.

Um processo de impeachment é algo sério demais para ser decidido na base do toma lá dá cá, pois o que está em jogo é o futuro político e econômico do país. O apelo por seriedade e por um diálogo baseado em argumentos claros vale não apenas para defensores do governo provisório, hoje com a chave do cofre e o mapa de cargos, mas também para os comprometidos com a defesa da presidente afastada.

Zero Hora