Marcha de milhares em São Paulo é preparativo para greve geral em outubro

Em coro pelo ‘Fora, Temer’, milhares de trabalhadores de diversas categorias e dezenas de sindicatos e centrais sindicais, além de movimentos sociais apoiados pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, saíram em marcha pela ruas do centro de São Paulo, no final da tarde de ontem (22), para protestar contra as medidas de arrocho defendidas pelo governo Michel Temer. Os organizadores estimam que cerca de 50 mil pessoas participaram da manifestação. Para o próximo dia 5, as entidades prometem grande marcha em Brasília contra a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que congela investimentos do governo por 20 anos.

A mobilização dos trabalhadores em todo o país nesta quinta-feira foi contra a PEC 241, a reforma da Previdência, a terceirização, privatização do pré-sal, congelamento dos investimentos por 20 anos e a reforma do ensino médio (por meio da Medida Provisória 84, anunciada ontem, que altera a Lei 9.394, de 1996).

“Inúmeras categorias fizeram assembleias em frente às fábricas, vieram para a capital. Tivemos hoje um termômetro muito claro que os trabalhadores já se atentam para os riscos que todos nós corremos com as propostas de retirada de direitos da classe trabalhadora. Foi um esquenta para a greve geral. São etapas que a gente vai somando, agregando forças com os trabalhadores, para poder garantir que tenhamos um dia de paralisação”, disse o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo.

“Foi apenas o início da mobilização para organizar a greve geral contra esse governo golpista”, afirmou Douglas. A paralisação está indicada para 28 de outubro, mas a data ainda será avaliada. “A expectativa do governo golpista é aprovar a PEC 241 em outubro. Ao longo do mês, continuaremos em brasília para fazer o enfrentamento no Congresso. Nos estados, também estaremos pressionando os deputados para que votem contra a emenda, que vai ser um retrocesso para a saúde e educação”, disse Douglas.

Lideranças

“Desde a manhã de hoje, no Brasil inteiro, a classe trabalhadora parou a produção num espetáculo de mobilização contra a reforma trabalhista e a reforma da Previdência”, destacou o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre. Para ele, as reformas propostas pelo governo Temer para o mundo do trabalho fazem o Brasil retroceder para os tempos anteriores a Getúlio Vargas (1930-45/1951-54), criando um tipo de empresa sem trabalhadores, apenas com terceirizados.

“Querem privatizar o pré-sal, que é o nosso passaporte para melhorar a educação e a saúde. Não há um único trabalhador hoje que não tenha motivo para sair às ruas”, ressalto Nobre. Ele também manifestou solidariedade ao ex-ministro Guido Mantega que, na sua opinião, foi vítima da ação arbitrária de um juiz arbitrário autoritário, ao ser preso pela Polícia Federal no âmbito das investigações da Operação Lava Jato.

O presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI), João Felício, destacou que ontem (21), em paralelo à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), houve ato contra o golpe e em solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Nova York. “Para o movimento internacional, não é só um ataque contra uma lenda do movimento sindical que ajudou a reconstruir o sindicalismo no Brasil. O golpe é contra a classe trabalhadora.”

Segundo Felício, desde o ano passado os sindicalistas internacionais alertavam o mundo que o golpe no Brasil nunca foi porque este ou aquele político estivesse errado, mas, sim, porque estavam acertando. “A elite não gosta do povo pobre, dos trabalhadores, nem dos sindicatos, nem de Lula, nem de Dilma. O que eles querem é aplicar políticas para reduzir o papel do estado, e a esquerda é um empecilho a isso.”

“Imagina só um trabalhador começar a trabalhar aos 15 anos e só poder se aposentar aos 65. Isso é uma atrocidade. Imagina 13º e férias terem que ser negociados. Isso é um absurdo. Não aceitaremos as reformas. Se eles acham que vão conseguir impor esse projeto sem resistência dos trabalhadores, vão perder”, afirmou o presidente da CSI.

Secretário de Políticas Sociais da CTB, Carlos Rogério Nunes lembrou que tiraram uma presidenta eleita com 54 milhões de votos e colocaram alguém com 61 votos no Senado, com uma agenda que jamais passaria nas urnas. Segundo ele, também estão promovendo uma perseguição ao ex-presidente Lula.

João Paulo Rodrigues, coordenador nacional do MST, destacou que o povo está nas ruas não só em São Paulo como em outras cidades. Lembrou que é importante lutar contra o governo golpista, mas principalmente lutar para defender os direitos conquistados. Ele garantiu que o MST vai se somar a todas as lutas, “com as foices afiadas”, para enfrentar Temer e o governo golpista.

Coordenador da Frente Brasil Popular em São Paulo e militante da Central de Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim ressaltou que são vários os golpes dentro do golpe. “O primeiro foi quando rasgaram a Constituição para tirar a Dilma. Agora, o novo golpe é a reforma da Previdência e para rasgar a CLT, desvincular os recursos da saúde e da educação. Essas são ações que atacam violentamente o povo brasileiro. Cada vez mais os objetivos do golpe ficam evidentes, nunca foi contra a corrupção. Temer tem vários corruptos no governo. O que querem é liquidar o pré-sal e os direitos sociais”, disse.

Para o integrante da secretaria executiva da CSP-Conlutas Wilson Ribeiro, é possível lutar e vencer essa “figura ridícula” que é o presidente Michel Temer, que “parece saído de um filme B de terror”. “Mostramos hoje, com os professores à frente, que é possível derrotar esse projeto terrível desse governo golpista que só vai atacar a classe trabalhadora.”

O secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio, lembrou que cresce a resistência à agenda do golpe, e que isso é visível nas ruas e nas empresas. “Essa agenda do Congresso e dos empresários quer acabar com os direitos garantidos na Constituição de 1988. Segundo ele, as mobilizações populares podem derrotar as propostas do golpe, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que limita os gastos públicos, e o Projeto de Lei Complementar (PLP) 257, que retira direitos trabalhistas. “Estamos mais fortalecidos, hoje ficou demonstrado isso. É preciso reduzir as taxas de juros, parar de transferir bilhões em dinheiro público para engordar o bolso dos banqueiros.”

Rede Brasil Atual