Milhares de manifestantes se reuniram na manhã desta quarta-feira (7) nos arredores do Museu Nacional, em Brasília (DF), durante o Grito dos Excluídos. Realizado anualmente durante o 7 de Setembro e com uma tradição de 21 anos, o evento coloca em pauta a luta pela soberania nacional e popular. Mais de 80 entidades estiveram presentes no ato da capital federal, que terminou por volta das 14 horas, após uma marcha que percorreu a Esplanada dos Ministérios.

No meio da multidão, múltiplas bandeiras: igualdade de gênero; fortalecimento dos direitos da população LGBT; moralização do sistema de Justiça; reforma política; desmilitarização da polícia; defesa do pré-sal; respeito aos povos indígenas; auditoria cidadã da dívida pública; greve geral dos trabalhadores; defesa da reforma agrária; combate às propostas de reformas trabalhista e da Previdência do governo Temer; campanha pelas “Diretas já”.

E, no meio de todas elas, um grito em uníssono pelo “Fora, Temer”, bandeira que veio se somar à tradicional pauta do evento neste histórico 2016. Os movimentos populares consideram que o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff foi um “golpe parlamentar” e por isso não conferem legitimidade ao governo de Michel Temer.

“É fundamental que o povo esteja nas ruas neste momento porque temos um cenário de golpe no Brasil, com um governo ilegítimo que usurpou o poder. Nós entendemos que o povo está sendo enganado e roubado porque a vontade soberana das ruas não está sendo respeitada. Só quem pode mudar um governo é o voto popular, e o Congresso agiu na contramão disso, em conluio com a grande mídia. (…) Estamos aqui também pra dizer que já sentimos na pele a retirada de direitos que vem sendo promovida por quem está no poder. As propostas que estão sendo feitas no Congresso, por exemplo, não são pra atacar a raiz dos problemas sociais, e sim pra agravar ainda mais”, disse o militante Fábio Miranda, da Consulta Popular, uma das entidades que articulam o evento.

De acordo com a Polícia Militar, o ato teria reunido cerca de 2.700 manifestantes, mas a organização divulgou que o número seria em torno de 10 mil pessoas.

Para Kamuu Dam, do Conselho Nacional dos Povos Indígenas, o ato é um grito de protesto e desabafo. “Os direitos indígenas sempre estiveram ameaçados em todos os governos, nossa luta nunca foi fácil, mas agora a situação piorou porque temos, por exemplo, a CPI da Funai e do Incra e a PEC 215, que eles querem aprovar pra retirar do Executivo a competência para demarcação de terras indígenas, transferindo essa responsabilidade para o Legislativo. Não aceitamos que um Congresso corrupto como esse que está aí tenha essa competência”, criticou o militante.

Para o pesquisador Pedro Júnior, que atua no Partido do Socialismo e Liberdade (PSOL), o momento favorece uma maior aglutinação das forças de esquerda em torno da defesa dos ideais democráticos. “Este é um contexto em que precisamos intensificar a luta porque há uma agenda de retrocessos que não foi amparada pelas urnas e, por mais que o governo anterior já tivesse iniciativas questionáveis, agora parece que não existe mais nenhum pudor em defender coisas indefensáveis. Os que estão no poder representam interesses que estão bem distantes dos interesses populares”, considera o militante.

Já o servidor público Rodrigo Costa compareceu ao ato para demarcar apoio à proposta de realização de uma auditoria cidadã da dívida pública, que surgiu a partir de um movimento da sociedade civil organizada.

“Nós temos no Brasil uma dívida contraída pelo sistema financeiro que ninguém sabe exatamente de onde vem. Eles querem legitimar esses valores sem que haja qualquer transparência ou explicações sobre os juros e os números. Pior que isso, querem legitimar essa dívida em detrimento dos gastos sociais, porque estão aí tentando congelar gastos com saúde e educação, por exemplo, em nome do sistema financeiro e de uma dívida que a sociedade não sabe exatamente onde tem origem. Não podemos nos calar”, disse o servidor público.

Para o militante Arthur Pietro, da Rede Nacional de Adolescentes LGBT, o atual contexto político nacional aponta para a negação de direitos desse segmento da população. “Nós temos no país uma situação ainda muito delicada porque o Brasil é campeão mundial em assassinatos de homossexuais e temos outros dados alarmantes, como, por exemplo, o fato de 90% das mulheres transexuais terem que se prostituir porque não conseguem emprego. Na maioria das vezes, não conseguem nem terminar o ensino médio porque são expulsas de casa, então, lutamos por justiça e igualdade e nós entendemos que lutar contra o golpe é lutar pelos nossos direitos, por conta da onda conservadora que hoje domina a política”, afirmou o militante.

O Congresso e as ruas

Para a deputada federal Erika Kokay (PT-DF), que compareceu ao Grito dos Excluídos, o ato é importante também para dar aos parlamentares da oposição o respaldo das ruas na luta contra o projeto político de Michel Temer e da base aliada do peemedebista no Congresso.

“Não é o parlamento que vai barrar o golpe, até porque ele faz parte do golpe. Só o povo organizado nas ruas pode conseguir isso, então, é preciso que a gente consiga traduzir pras pessoas o que está acontecendo, traduzir o que são as reformas trabalhista e da Previdência, o que significa perder o pré-sal, etc.”, afirmou a deputada.

Ela destacou ainda que as articulações que levaram ao afastamento definitivo de Dilma Rousseff resultam do empenho de muitos atores. “São o capital financeiro, a mídia oligopolizada, o capital industrial, os fundamentalistas, etc. Todos caçadores de direitos. Não podemos esquecer que existe o golpe e existe também o conteúdo do golpe, que consiste na venda do patrimônio nacional e na negação de direitos, daí a importância de uma articulação como a deste ato”, disse a deputada.

Polícia

Ao final do ato em Brasília, foram registradas pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal a apreensão de um adolescente de 14 anos e a prisão de um homem de 33 anos que teriam se envolvido em uma discussão com uma equipe de jornalistas. Todos os envolvidos, incluindo um repórter e um cinegrafista, foram levados para a delegacia para prestar esclarecimentos.

O Brasil de Fato presenciou o momento em que a Polícia Militar efetuou a prisão e agiu com gás de pimenta contra os manifestantes, atingindo inclusive jornalistas. As circunstâncias da ocorrência ainda não foram devidamente esclarecidas.

Brasil de Fato


21 estados e DF têm protestos contra Michel Temer no 7 de Setembro

Protestos foram convocados por movimentos sociais e sindicatos. Maioria das manifestações não têm incidentes; no DF, 1 homem foi detido.

Manifestantes realizaram atos contra o presidente Michel Temer em ao menos 21 estados e no DF ao longo desta quarta-feira (7), Dia da Independência. Em alguns locais, os protestos foram realizados durante o Grito dos Excluídos, ato tradicionamente realizado por movimentos sociais no 7 de Setembro.

As manifestações ocorriam em Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe, além de DF.

Até as 17h, cerca de 168 mil pessoas participavam dos atos segundo os organizadores e 3 mil pessoas de acordo com a Polícia Militar.

O maior ato contra Temer era registrado às 16h em Salvador (BA) – a organização diz que 100 mil pessoas participavam do ato e a Polícia Militar não tinha informações sobre o número de pessoas. As demais manifestações até esse horário, entretanto, eram bem menores, com algumas dezenas de pessoas participando.

No Rio de Janeiro, um homem vestido de Homem Aranha foi detido após uma discussão. Ele teria respondido a provocações de estudantes de um colégio militar e agredido um deles com um brinquedo de borracha. No DF, um manifestante foi detido após agredir um repórter. Nas demais localidades, não houve registro de confusão.

Veja a situação em cada local:

Acre
Em Rio Branco, manifestantes fizeram um ato contra Temer durante o desfile de 7 de Setembro, na Avenida Getúlio Vargas. Segundo o Corpo de Bombeiros, cerca de 80 pessoas participaram da manifestação. Já a diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre (Adufac), que organizou o ato, não soube informar o número total de integrantes.

Alagoas
Em Maceió, cerca de mil pessoas, segundo a organização, participaram da passeata do Grito dos Excluídos para cobrar mais justiça social e pedir a saída do presidente Michel Temer (PMDB) da presidência. A Polícia Militar não estimou o número de participantes.

Bahia
Manifestantes caminharam nas ruas do Centro de Salvador para protestar contra o impeachment de Dilma Rousseff e o governo do atual presidente, Michel Temer.

Segundo Cedro Silva, presidente da CUT na Bahia, 100 mil pessoas participam da mobilização na capital baiana. Até por volta das 11h30, a Polícia Militar ainda não tinha divulgado a estimativa.

Ceará
Protestos contra o presidente Michel Temer, o governador do Ceará, Camilo Santana, e o prefeito da cidade, Raimundo Macedo, foram realizados durante o desfile de 7 de Setembro em Juazeiro do Norte. O ato ocorreu pela manhã e foi pacífico. Segundo a PM, cerca de mil manifestantes participaram. Os organizadores falam em dois mil.

Já em Fortaleza, manifestantes contra o Temer participaram do Grito dos Excluídos. Cerca de mil pessoas, segundo os organizadores, se concentraram na Avenida Perimetral, no Bairro Jangurussu, periferia de Fortaleza, e caminharam pelas ruas e avenidas do bairro. A Polícia Militar não divulgou estimativa de público.

Distrito Federal
Representantes de movimentos sociais ocuparam quatro das seis faixas da Esplanada dos Ministérios, na manhã desta quarta, para protestar contra o presidente Michel Temer. Um homem foi detido pela Polícia Militar por agredir um jornalista. O protesto foi encerrado por volta das 14h..

De acordo com a Polícia Militar, havia 800 manifestantes por volta as 11h. Organizadores informaram em um carro de som que havia 5 mil pessoas no local.

Espírito Santo
Em Vitória, o protesto foi organizado principalmente pela arquidiocese de Vitória e Fórum Permanente em Defesa do Rio Doce, mas contou com a participação de entidades sindicais. Nem os organizadores nem a Polícia Militar divulgaram números do ato.

Goiás
Em Goiânia, um ato contra o governo Michel Temer aconteceu no início da manhã na Avenida Tocantins. Os organizadores falam em 200 manifestantes. Já a Polícia Militar fala em 70 pessoas.

Maranhão
Em São Luís, o protesto aconteceu por volta das 8h e contou com a participação de cerca de  80 pessoas, segundo a organização e a Polícia Militar. Os manifestantes andaram entre a Fonte do Bispo (concentração) até o cruzamento da Avenida Senador Vitorino Freire com Avenida Kennedy.

Mato Grosso
Em Rondonópolis, um grupo de manifestantes protestou com faixas e cartazes contra o presidente Michel Temer (PMDB), na manhã desta quarta, durante o desfile de 7 de Setembro. Segundo os organizadores e a Polícia Militar, aproximadamente 50 pessoas foram às ruas para participar da manifestação.

Mato Grosso do Sul
Em Campo Grande, manifestantes contrários ao governo Temer se uniram ao tradicional movimento do Grito dos Excluídos pela manhã. Segundo os organizadores dos atos, participaram da mobilização cerca de mil pessoas. Já conforme a Polícia Militar, o número de participantes não passou de 100.

Minas
Em Belo Horizonte, manifestantes contra o governo de Temer se uniram ao Grito dos Excluídos e começaram a protestar por volta das 9h na Praça Raul Soares, na Região Central da capital mineira. A Polícia Militar disse que não vai divulgar número de participantes e os organizadores ainda não disseram quantas pessoas estão no ato.

Em Juiz de Fora, os grupos contrários ao governo Temer também se uniram aos integrantes do Grito dos Excluídos. Os participantes se concentraram a partir das 9h na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Oscar Vidal e saíram pela região central.Segundo a organização, 300 pessoas participaram do ato. A PM informou que são 50 manifestantes.

Em Uberlândia, integrantes de aproximadamente 20 grupos sociais participaram de uma manifestação contra o governo Temer pela manhã. egundo a Polícia Militar, cerca de 200 pessoas participaram do protesto. Já representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) afirmam que foram 300 integrantes. O encontro aconteceu na Praça Professor Jacy de Assis.

Pará
Os manifestantes se concentraram na Praça Santuário, em Belém, desde 8h30, onde realizaram um ato ecumênico. Às 10h10, o grupo saiu em caminhada pela avenida Nazaré. A organização informou que cerca de cinco mil pessoas participaram do protesto, já a PM não divulgou o número de participantes.

Paraíba
A manifestação contra o governo Temer ocorreu durante o ato do Grito dos Excluídos, em João Pessoa. Segundo o diretor de Políticas Sindicais do Sindicato dos Professores da UFPB (AdufPB), Fernando Cunha, cerca de 2,5 mil pessoas participaram do protesto. A Polícia Militar informou que não está contabilizando participações em manifestações.

Paraná
Em Londrina, o desfile do Dia da Independência do Brasil precisou ser interrompido. De acordo com a Polícia Militar (PM), aproximadamente 150 pessoas participaram do protesto na cidade. A organização do ato não divulgou um número.

Já na cidade de Foz do Iguaçu, manifestantes invadiram o desfile das escolas e foram vaiados pelo público. Eles gritavam palavras de ordem e pediam a saída de Temer e do PT. Nem manifestantes nem PM divulgaram números.

Em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, os manifestantes se reuniram na Praça Barão de Guaraúna, no centro da cidade.Segundo a organização, 450 pessoas participaram da manifestação. A PM informou que participaram do protesto aproximadamente 80 pessoas.

Pernambuco
No Recife, a manifestação deste 7 de setembro uniu o Grito dos Excluídos e o ato “Fora Temer – Recife contra o golpe”.

A concentração começou por volta das 9h, na Praça do Derby.

De acordo com a CUT, o protesto reuniu 20 mil pessoas. A Polícia Militar não vai divulgar estimativa de público.

Piauí
Um grupo de manifestantes realizou um ato contra o presidente Michel Temer em Teresina durante o desfile de 7 de Setembro. Segundo a organização, pelo menos 50 manifestantes participaram do ato. Já a Polícia Militar não fez contagem.

Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, um grupo de manifestantes contrários ao presidente Michel Temer seguiu pela Presidente Vargas após o desfile de 7 de setembro. Agentes acompanhavam o ato, que era pacífico. Por volta de 11h45, um rapaz vestido de Homem Aranha foi detido. Ele teria respondido a provocações de estudantes de um colégio militar e agredido um deles.

As duas faixas da via foram ocupadas e, por volta de 12h30, os organizadores estimavam a presença de 10 mil participantes. A Polícia Militar do Rio informou, em nota, que não iria estimar o público.

Em Petrópolis, manifestantes fizeram uma passeata pelas ruas do Centro Histórico de Petrópolis, na Serra do Rio, com cartazes e gritos de “Fora Temer”. Segundo a organização do ato, aproximadamente 150 pessoas participaram. A Polícia Militar não fez estimativa de público.

Em Rio das Ostras, na Região dos Lagos do Rio, cerca de 50 pessoas participaram de um ato contra o governo Temer, segundo a organização e segundo a PM.

Rio Grande do Sul
Em Porto Alegre, manifestantes realizaram o 22º Grito dos Excluídos nesta manhã, protestaram contra o presidente Michel Temer e à favor da ex-presidente Dilma Rousseff. Conforme estimativa da organização, cerca de 1,5 mil pessoas participam do ato. A Brigada Militar não informou o número de participantes.

Roraima
Em Boa Vista, manifestantes se uniram ao movimento ‘Grito dos Excluídos’ e protestaram no Centro da capital. O ato pediu a saída do presidente e foi organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). De acordo com os organizadores dos dois atos e conforme a Polícia Militar, 250 pessoas estiveram no local.

São Paulo
Manifestantes protestaram contra Temer pela em São Paulo. Eles se concentraram na Avenida Paulista, desceram pela Avenida Brigadeiro Luis Antônio em direção ao Ibirapuera e, lá, encerraram o ato em frente ao monumento Obelisco. Segundo a organização, 15 mil pessoas participaram. A PM não divulgou número.

No Centro-Oeste Paulista também houve manifestação. Em Botucatu, integrantes do grupo Frente Brasil Popular saíram às ruas com cartazes e apitos. Segundo os organizadores, pelo menos mil pessoas participaram do ato durante a manhã. A Polícia Militar não fez estimativa. Em Bauru, aproximadamente 80 pessoas, segundo a PM, protestaram no meio do desfile, entre uma escola e outra. Organização não informou o número de participantes. Os protestos foram pacíficos.

Em Itapetininga, manifestantes também fizeram protesto pela manhã.Segundo a organização, 50 pessoas participaram do ato. A Polícia Militar não informou o número de manifestantes e afirmou que o protesto foi pacífico.

Em Piracicaba, cerca de 80 manifestantes, segundo a organização, fizeram uma passeata pela cidade. A PM não divulgou o número de participantes.

Em São Carlos, 80 pessoas, segundo a PM, participaram de uma manifestação contra o Temer. Ainda não há uma estimativa de participantes pela organização.

Já em São José do Rio Preto, umgrupo se reuniu por volta das 14h em frente ao prédio da prefeitura, na avenida Alberto Andaló. Os organizadores divulgaram que 200 pessoas estão no local. Segundo a Polícia Militar, 100 pessoas participam do protesto, que segue pacífico.

Em São José dos Campos, o sindicato dos metalúrgicos realizou um ato após o desfile de Sete de Setembro, na avenida Nelson D´Ávila, entre as 10h e as 11h. De acordo com a organização, cerca de 100 pessoas participaram. A PM não informou número.

Santa Catarina
Em Chapecó, manifestantes seguiram na calçada junto com o desfile cívico que aconteceu na rua, no Centro da cidade. A PM disse que foram entre 150 e 200 pessoas manifestantes. A organização não divulgou números.

Em Joinville, um grupo de manifestantes realizou um ato simultâneo ao desfile por volta das 9h30. Com faixas e cartazes, eles pediam a saída do presidente Temer. Conforme a RBS TV,  a organização e PM não divulgaram o número de manifestantes.

Sergipe
Religiosos e membros de movimentos sociais participam do Grito dos Excluídos em Aracaju, e aproveitaram para protestar contra o governo Temer. De acordo com informações da Cúria da Arquidiocese de Aracaju, cerca de mil pessoas participaram do evento. Já a Polícia Militar (PM) não divulgou números.

Globo


Temer participa, pela primeira vez como presidente, do Desfile da Independência

O presidente Michel Temer participa nesta quarta-feira (7) do desfile cívico-militar de 7 de setembro, em comemoração à independência do Brasil. Ao lado de ministros e autoridades, ele vai acompanhar da tribuna presidencial as apresentações de estudantes, bandas militares, tropas motorizadas e viaturas das Forças Armadas.

Será o primeiro evento aberto ao público do qual o presidente vai participar depois de tomar posse. Na semana passada, horas depois de assumir definitivamente o cargo, ele embarcou para a China, onde participou da cúpula de líderes do G-20, de encontros bilaterais e de uma reunião com investidores estrangeiros.

Na condição de comandante supremo das Forças Armadas, Temer vai autorizar o general de divisão César Leme Justo, comandante militar do Planalto, a dar início ao desfile, que logo no início terá a participação de atletas civis e militares, entre eles um olímpico. Ainda não está decidido se Temer chegará ao palanque no tradicional rolls royce presidencial ou em algum veículo fechado, nem se ele utilizará a faixa presidencial, que, segundo o Palácio do Planalto, estava desaparecida até o último dia 17.

O Grito dos Excluídos, que neste ano vai fazer críticas ao sistema capitalista e se unirá a outros movimentos sociais para se manifestar contra o impeachment, não deve ocorrer no mesmo momento que o desfile. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, os organizadores do protesto concordaram em fazer a concentração no Museu da República, que fica no início da Esplanada dos Ministérios, e só iniciar o trajeto após o evento.

Durante o desfile, alunos da rede pública do Distrito Federal (DF) vão prestar homenagem aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos com a representação de esportes como judô, vôlei, vela, tênis, ginástica artística e futebol. As tradicionais atrações da pirâmide humana da polícia do Exército, com 47 militares em cima de uma única moto, e da Esquadrilha da Fumaça, com 25 minutos de acrobacias, estão confirmadas.

O Distrito Federal informou que cerca de 1,5 mil policiais militares farão a segurança do evento, atuando em revistas que vão impedir a passagem de pessoas portando objetos de vidro ou cortantes, fogos de artifício, máscaras e hastes de bandeiras. Todo o trânsito da Esplanada dos Ministérios, entre a Rodoviária de Brasília e o Palácio do Planalto, estará bloqueado. Assim como nas semanas anteriores, quando um muro dividia os manifestantes pró e contra o impeachment, o acesso às arquibancadas ficará separado do gramado central da avenida por longas divisórias de metal.

Grades também foram instaladas nas calçadas para impedir o acesso do público às faixas da Esplanada do lado norte, onde ocorrerá o desfile. Também foram instalados muros que vão cercar cada uma das arquibancadas. De acordo com a organização, 20 mil pessoas devem assistir ao desfile, que começa às 9h.

Jornal do Brasil