Lava Jato prende Guido Mantega em hospital; Moro revoga prisão

Um nome que é símbolo dos governos petistas esteve nesta quinta-feira (22) no centro de um furacão. O homem que comandou a economia por mais de oito anos, em mandatos de Lula e de Dilma Rousseff. O ministro que por mais tempo foi titular da Fazenda num período de democracia no Brasil.

Nesta quinta-feira, num intervalo de horas, o país acompanhou a prisão e a soltura do economista Guido Mantega numa nova etapa da Operação Lava Jato.

Às 6h, policiais federais foram ao prédio onde mora o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, na Zona Oeste de São Paulo. Os agentes ficaram poucos minutos no apartamento do 17º andar.

O ex-ministro foi acusado pelo empresário Eike Batista, em depoimento à Lava Jato, de ter pedido R$ 5 milhões para pagar dívidas de campanha.

“A equipe seguindo sempre o mesmo padrão subiu até o apartamento ao qual estava a empregada que trabalha no apartamento, e um filho de 16 anos do ex-ministro. Naquele momento, nós tomamos conhecimento que ele tinha se deslocado ao Hospital

Albert Einstein”, explicou o coordenador da Lava Jato na PF, Igor Romário de Paula.

Guido Mantega tinha ido ao hospital acompanhar a mulher num procedimento cirúrgico.

“Foi feito um contato diretamente com ele para confirmar qual das unidades do Albert Einstein estava em São Paulo”, disse o coordenador.

Quando a Polícia Federal chegou, Mantega já aguardava no estacionamento. Uma foto mostra o ex-ministro saindo a pé, junto com os agentes. Ele foi levado primeiramente para casa, onde a polícia cumpriu busca e apreensão, e em seguida foram para a sede da Polícia Federal.

O advogado de Guido Mantega, José Roberto Batochio, disse que a prisão era desnecessária, e que o ex-ministro se apresentaria se fosse intimado.

“Ele estava no interior do hospital, nas dependências próximas ao centro cirúrgico, com a mulher dele já semi-anestesiada, sendo encaminhada na maca rodante para a sala cirúrgica. Eu disse: ‘Olha, é melhor o senhor sair daí então porque isso vai gerar um tumulto’. Ele falou: ‘Então, bom, vou sair daqui e vou aguardar os policiais chegarem’”, disse o advogado de Mantega.

A entrevista do advogado foi interrompida por um grupo de manifestantes que gritavam palavras de apoio à Operação Lava Jato.

O PT nacional divulgou uma nota em que o presidente, Rui Falcão, afirmou que a prisão do ex-ministro Guido Mantega é “arbitrária, desumana e desnecessária”. A nota diz ainda que a 34ª fase da Operação Lava Jato deveria ser chamar “Operação Boca de Urna, uma vez que acontece às vésperas das eleições municipais”.

Na nota, Falcão lembrou que “Mantega é ex-ministro, tem endereço fixo, e nunca se negou a dar esclarecimento, sendo assim midiática a prisão em um hospital”.

Na entrevista coletiva, a força-tarefa da Lava Jato disse que não sabia que a mulher de Mantega estava hospitalizada.

“A equipe hoje se dirigiu à casa, ao apartamento do ex-ministro, acreditando que ele estivesse lá e desconhecia totalmente essa situação envolvendo a esposa dele”, afirmou Igor de Paula.

“Isto é uma triste coincidência, mas infelizmente essas coincidências acontecem e acontecem na vida de todos, inclusive dos réus pobres e dos réus ricos. Infelizmente isto aconteceu, mas a PF agiu com máximo de cuidado possível que as circunstâncias exigiram. Infelizmente, depois de deflagrada uma operação, não é possível voltar atrás no seu cumprimento”, afirmou o procurador da República Carlos Fernando Lima.

Em nota, a Polícia Federal destacou que tanto no local da busca como no hospital, todo o procedimento foi realizado de forma discreta, sem qualquer ocorrência e com integral colaboração do investigado.

Prisão durou sete horas

A prisão de Guido Mantega durou sete horas. No começo da tarde, o juiz Sérgio Moro revogou a prisão temporária do ex-ministro. Moro considerou que, como as buscas já tinham sido cumpridas, não havia mais risco de Mantega interferir na investigação.

No despacho, Sérgio Moro afirmou que “a internação da mulher de Mantega era desconhecida da autoridade policial, do Ministério Público Federal e do próprio Moro”. E que “segundo informações colhidas pela autoridade policial, o ato foi praticado com toda discrição, sem ingresso interno no hospital”. E concluiu: “Revogo a prisão temporária decretada contra Guido Mantega sem prejuízo das demais medidas e a avaliação de medidas futuras”.

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal falaram sobre a prisão de Guido Mantega.

“Coube à Polícia Federal simplesmente cumprir esse mandado judicial. Não cabe ao Poder Executivo, ao Ministério da Justiça, à Polícia Federal discricionariedade para cumprir ou não o mandado”, afirmou Alexandre de Moraes.

“O Código de Processo Penal é muito claro ao permitir que qualquer prisão se efetive em qualquer lugar, observadas as restrições estabelecidas na Constituição quanto à inviolabilidade domiciliar. Observadas as restrições constitucionais quanto à inviolabilidade domiciliar, a prisão pode ser efetivada em qualquer lugar”, disse Celso de Mello.

O ex-ministro Guido Mantega deixou a sede da Polícia Federal no início da tarde e foi direto para a casa dele. Duas horas depois voltou para o hospital.

O Globo


LULA: “PRISÃO DE MANTEGA FOI AUTORITARISMO, PREPOTÊNCIA”

O ex-presidente Lula voltou a criticar, durante discurso em Natal (RN), onde apoia o candidato Mineiro à Prefeitura, a prisão realizada nesta quinta-feira 22 do ex-ministro Guido Mantega, que estava no hospital acompanhando a esposa, com câncer, em uma cirurgia. A prisão, no âmbito da Lava Jato, foi revogada horas depois pelo juiz Sérgio Moro.

“Não se preocupem com esse negócio de investigação. Eles vão ter que provar. Agora não façam o que fizeram com o Guido hoje. Prenderam para soltar três horas depois. Isso não tem desculpa. Isso se chama autoritarismo, prepotência”, discursou o ex-presidente. Mais cedo, ele havia dito em entrevista à Rádio do Povo, do Ceará, que prender Mantega em um hospital é jogar humanitarismo no lixo.

Em Natal, Lula voltou a apontar perseguição contra o PT, mas assegurou que “eles podem acabar com cada um de nós, mas as nossas ideias não vão morrer nunca”. “Tentar aniquilar o PT e criminalizar a esquerda é não ter noção”, criticou. “Nosso partido é perseguido porque o povo pobre conquistou a cidadania e dignidade. E esse é um legado que eles não vão conseguir acabar”, acrescentou.

Sobre eleições, ele também pediu aos eleitores que condenem o voto aos golpistas. “Não podemos aceitar que as mesmas pessoas que deram um golpe na Constituição venham pedir o voto de vocês na maior cara de pau”, disse.

Brasil 247


Dilma: prisão de Mantega pretende influenciar campanha eleitoral

Ao participar de comício da candidata do PCdoB à prefeitura de Salvador, Alice Portugal, nesta quinta-feira (22) em Salvador (BA), a presidente eleita Dilma Rousseff apontou motivação eleitoral na decisão do juiz Sergio Moro de prender o ex-ministro Guido Mantega no Hospital Albert Einstein – decisão que foi revista horas depois, diante da péssima repercussão do caso.

“O ministro estava num hospital onde sua mulher estava sendo operada de câncer. Ora, ele tem moradia conhecida. A pergunta é: por que prender? A resposta é: para influenciar na campanha eleitoral”, disse Dilma.

“Lamentamos profundamente esse fato porque nenhum governo combateu mais a corrupção do que o meu e o do presidente Lula”, afirmou.

A caminhada começou no final da tarde, por volta das 17h no Campo Grande, e chegou à Praça Castro Alves, por volta das 19h. A presidenta foi convidada pela campanha da candidata à prefeitura Alice Portugal e participou do ato ao lado do governador petista Rui Costa e o ex-ministro Jaques Wagner.

Segundo cálculo dos organizadores, 80 mil pessoas participam da mobilização que pedia manutenção dos direitos trabalhistas e o afastamento do presidente Michel Temer, por Diretas Já. A mobilização foi organizada pela CUT, CTB, além das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e fez parte do Dia Nacional de Paralisação e Mobilização organizado pelas frentes e centrais sindicais.

A Força Sindical divulgou nota sobre o ato, afirmando que “as propostas anunciadas pelo governo, como as reformas da Previdência e da legislação trabalhista, mostram que mais uma vez querem jogar a conta da crise econômica nas costas dos trabalhadores, que não concordam em pagar mais uma dívida que não contraíram”.

PT Brasil