El pastor evangélico Marcelo Crivella asume la alcaldía de Río de Janeiro

Crivella exalta a instituição da família, mas ignora diversidade

Numa cerimônia de posse marcada por selfies entre funcionários, políticos e seus convidados, a palavra mais repetida pelo prefeito Marcelo Crivella — mais até do que “Deus” — foi “família”. Usada oito vezes por ele, para falar de distribuição de renda a segurança, passando por uma citação ao tio, Edir Macedo, a palavra de certa forma refletia o encontro de clãs políticos em que se transformou o evento, com caciques e herdeiros juntos na Câmara. Tem sido assim há muitas legislaturas.

O vereador Jorge Felippe (PMDB), sob os olhares do neto Jorge Felippe Neto (DEM), ganhou a presidência da Casa pela quinta vez seguida. Rosa Fernandes (PMDB) era carinhosamente abraçada pelo deputado estadual Pedro Fernandes (PMDB), seu filho. Antes de assinar o termo de posse, Júnior da Lucinha (PMDB) gritou: “Mãe, eu te amo!”. Era para a deputada estadual Lucinha (PSDB), que prestigiava o filho.

Crivella também agradeceu à família. Estavam lá a mulher, Sylvia Jane — com um vestido clássico de renda verde-musgo, presenteado por uma amiga, e sapatos bege —, os três filhos, a nora e o genro. O filho Marcelo foi citado no discurso. Crivella lamentou não poder nomeá-lo para nenhum cargo, pois trabalha no exterior.

Mas o prefeito usou a palavra “família” também num sentido que fere a noção de diversidade:

— A maior honra que um homem e uma mulher podem construir ao longo de suas vidas — disse o prefeito, deixando de fora do discurso as famílias homossexuais.

Em plenário, havia um vereador eleito essencialmente com a bandeira LGBT: David Miranda (PSOL).

Os vereadores Leonel Brizola Neto (PSOL) e Reimont (PT) usaram seus segundos ao microfone na posse para protestar contra o presidente Temer. Mas quem causou mais comoção foi Luciana Novaes (PT), que, tetraplégica, estava de cadeira de rodas: ela arrancou aplausos das galerias.

O Globo


Ex senador y evangélico asume la alcaldía de Río de Janeiro

El ex senador y obispo evangélico Marcelo Crivella asumió este domingo las riendas de Río de Janeiro, una ciudad post olímpica en bancarrota, igual que lo harán en todo Brasil más de 5 mil nuevos alcaldes, marcando un giro a la derecha en el gigante latinoamericano.

Tras unos fuegos artificiales de fin de año recortados por la crisis, la ciudad de la samba estrena este 2017 ahogada económicamente y pendiente de los planes de austeridad promovidos por el pastor de la Iglesia Universal del Reino de Dios, de 59 años, que prometió gobernar sin distinción de religiones y para un Rio menos violento.

“La orden es la siguiente: está prohibido gastar”, afirmó el nuevo alcalde al asumir el cargo.

“El país está en crisis, el estado de Rio de Janeiro esta en crisis (…) Es hora de cautela, de juicioso examen del gasto público”, añadió Crivella, en un discurso cargado de referencias a Dios.

Crivella afirmó que asume su posición “con fe y sin miedo”, y ya en su primer día publicó decenas de decretos que determinan la creación, en los próximos meses, de planes para mejorar los servicios de salud, seguridad y educación.

“No seré el alcalde de las ilusiones”, advirtió.

Giro a la derecha

En Sao Paulo, la capital económica de Brasil, este domingo empieza también una nueva etapa bajo el gobierno del empresario y ex presentador de TV Joao Doria, que impidió cómodamente en la primera vuelta la reelección de Fernando Haddad, del izquierdista Partido de los Trabajadores (PT).

La izquierda y el PT sufrieron una debacle en las elecciones municipales de octubre, que fueron el primer test en las urnas para el gobierno conservador de Michel Temer tras el impeachment de Dilma Rousseff (PT).

El partido que gobernó Brasil durante 13 años se quedó con solo una capital estatal de las cuatro que tenía, Río Branco (Acre, oeste), y perdió más de dos terceras partes de sus alcaldías.

El nuevo mapa municipal brasileño fue un espaldarazo para el partido de gobierno PMDB y sus aliados, que viven asediados por los escándalos de corrupción y llevan adelante un ajuste fiscal para recuperar la confianza de los inversores y revertir la recesión económica.

La corrupción, de hecho, también tuvo sus efectos en la esfera municipal: tras las elecciones de octubre, 145 candidatos de todo el país habían sido rechazados por la justicia electoral, aunque a mediados de mes esa cifra había disminuido a unos 90.

En el municipio de Osasco, en Sao Paulo, el alcalde electo Rogerio Lins -que ya era edil- pasó unos días detenido acusado de contratación de empleados fantasmas, pero fue liberado para poder asumir como alcalde a cambio de pagar una fianza.

Mientras que en el rico municipio también paulista de Ribeirao Preto hubo un vacío de poder momentáneo porque la alcaldesa Darcy Vera salió del puesto a inicios de diciembre, investigada en una operación anticorrupción y, sólo días después, fue reemplazada de manera interina.

Milenio


Posses de prefeitos nas capitais são marcadas por discursos de austeridade

Com dificuldades financeiras e necessidade de cortes de gastos em muitos dos 5.570 municípios do país, os prefeitos que tomaram posse neste primeiro dia de 2017 trocaram as promessas de investimentos pelo discurso da austeridade e da busca de eficiência para otimizar os poucos recursos em caixa. Tom e conteúdo diferentes de circunstâncias do passado recente, quando, quem assumia, vendia otimismo e dias melhores em suas cidades.

Ao menos em janeiro, os prefeitos assumem com certo alívio, após o repasse, por parte do governo federal, de cerca de R$ 5 bilhões distribuídos entre as prefeituras, dinheiro arrecadado com a repatriação de recursos do exterior. No entanto, o reforço é insuficiente no longo prazo, e o Planalto será alvo de pressão para também renegociar as dívidas municipais com a União, a exemplo do que ocorreu com os estados, que conseguiram aprovar projeto sobre o tema no Congresso Nacional.

Desde a simbólica frase “a ordem é: proibido gastar”, pronunciada por Marcelo Crivella, ainda pela manhã, ao assumir o cargo no Rio, a sinalização de prefeitos de capitais por todo o Brasil foi de que 2017 será um ano de dificuldades de caixa. Em São Paulo, o prefeito João Doria (PSDB) destacou ter respeito aos políticos, mas avisou que atuará como “gestor” e “administrador” para dar eficiência à máquina.

Nelson Marchezan Júnior, do PSDB, afirmou, em entrevista logo após assumir como prefeito de Porto Alegre (RS), que “há um grande risco de atrasar salários” de servidores já neste mês de janeiro. Ele disse que, nos próximos dias, pretende apresentar medidas que não serão “soluções fáceis”. Ele venceu a eleição no segundo turno.

O prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN), prometeu enxugar a máquina em seu discurso de posse. Anunciou a redução de cargos em comissão e prometeu lutar para que sua gestão possa honrar a folha de pagamento dos servidores. Greca volta à prefeitura após 20 anos e fez uma campanha baseada na nostalgia, quando a cidade ganhou notoriedade por ser modelo na área de urbanismo.

— Vamos enxugar a máquina da prefeitura em 40%, reduzir cargos de comissão, lutar para que a prefeitura possa honrar a folha de pagamentos nos próximos anos e, ao mesmo tempo, devolver a eficiência dos serviços públicos — disse o prefeito de Curitiba, em sua posse.

REELEITOS FAZEM ECO

Em Belo Horizonte, o prefeito Alexandre Kalil (PHS), eleito como um “outsider” da política para seu primeiro mandato, disse que pretende cortar gastos desnecessários. Durante sua campanha, o ex-presidente do Atlético Mineiro se apresentou com o slogan “chega de político, é hora de Kalil”. Agora, ele prega o fim do desperdício.

— Governar para quem precisa é governar abrindo mão de cargos, abrindo mão de empregos, abrindo mão de gastos desnecessários — afirmou Alexandre Kalil ao ser empossado.

O peemedebista Iris Rezende, que assume pela quarta vez a prefeitura de Goiânia (GO), reclamou que não sabe a real dívida da prefeitura e que somente após uma semana poderá anunciar medidas na área financeira.

— A comissão (de transição) que trabalhou nesse período não conseguiu chegar a um balanço real de como está a situação. Não sabemos a real dívida da prefeitura. Não sei o dinheiro em caixa e tenho uma semana para conhecer a realidade administrativa para que eu possa fazer as determinações das ações necessárias — afirmou o peemedebista.

Mesmo no discurso de prefeitos reeleitos a crise financeira esteve presente. Edivaldo Holanda Jr. (PDT), de São Luís (MA), prometeu corte de despesas e fusões de secretarias na prefeitura.

— Vamos diminuir as despesas e vamos tratar também da fusão de secretarias e órgãos. Vamos buscar parcerias com os governos estadual e federal e a iniciativa privada para realização de melhorias na cidade e geração de emprego e renda — afirmou Edivaldo.

O pedetista reclamou ainda que os municípios têm perdido receita com a queda de arrecadação e que a cada dia as obrigações dos prefeitos são maiores.

Alguns prefeitos que tomaram posse neste domingo, em cidades médias do país, anunciaram medidas extremas logo em seus discursos de posse. O prefeito de Montes Claros (MG), Humberto Souto, do PPS, o novo administrador de Petrópolis (RJ), Bernardo Rossi, do PMDB, e Rogério Lisboa, do PR, de Nova Iguaçu, declararam situação de “calamidade financeira”. Essa medida dá mais flexibilidade para as prefeituras negociarem redução de valores de contratos com fornecedores.

Neste domingo, em entrevista ao GLOBO, o presidente da Associação Brasileira de Municípios (ABM), Eduardo Tadeu Pereira, disse que a capacidade de investimento das prefeituras está “completamente estrangulada” e fez uma previsão pessimista para os municípios. Afirmou que o peso da folha de pagamento dificulta negociações para recursos para investir e que, com a aprovação da PEC do teto de gastos, o dinheiro de convênios com recursos federais para investimentos nas cidades “minguou” e que a tendência é “piorar”.

A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) diz que ao menos 500 prefeituras informaram, ao final de novembro, que os pagamentos de salários de servidores estão com atraso. Também há casos de atraso no pagamento a fornecedores de cerca de oito meses, mecanismo que é utilizado às vezes para que a inflação corroa parte da despesa pendente. A relação entre a dívida e a receita piorou em nove capitais, segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional, revelados pelo GLOBO. Em Cuiabá, Porto Alegre, Manaus, Florianópolis, Recife, Aracaju, Natal, Porto Velho e Belém, a dívida cresceu mais do que a receita entre 2015 e 2016.

O Globo