Temer sale al cruce del empresario que lo acusa de liderar una organización criminal

Temer grava vídeo atacando Joesley e fala em punição a criminosos

Antes de embarcar para Rússia e Noruega, o presidente Michel Temer gravou um vídeo que será exibido nesta segunda-feira, 19, nas redes sociais no qual afirma que os criminosos não ficarão impunes. A afirmação é mais uma resposta aos novos ataques desferidos pelo empresário, Joesley Batista, um dos donos da JBS, a ele, agora por meio de entrevista à Revista Época, na qual diz que o presidente “comanda a maior organização criminosa do País”.

Temer está incomodado com as acusações e mais ainda com o fato de o Ministério Público ter feito acordo de delação premiada com o empresário que o presidente chama da “bandido” – e pelo fato de o MP lhe permitir estar completamente livre, apesar dos crimes cometidos. Por isso, Temer aproveita o vídeo para dizer que os responsáveis pelos crimes não ficarão impunes, mas não sem antes lembrar que a ascensão, expansão e enriquecimento de Joesley Batista não aconteceu em seu governo, referindo-se indiretamente ao PT.

A resposta de Temer virá em um dia em que, apesar de estar saindo para uma viagem de cinco dias ao exterior, o governo está à espera de uma denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça.

O governo está convencido de que este discurso de criticar ao Ministério Público, que aceitou fazer um acordo de delação premiada sem prender, um dia sequer, um “bandido notório” como Joesley, pode “pegar” junto à opinião pública. O presidente viu necessidade de aparecer falando e mostrando que não está refém das denúncias, ao contrário, que está enfrentando e vai enfrentar Joesley.

O presidente mostra, por exemplo, que todo este problema político trouxe prejuízos bilionários ao País e está atrapalhando a recuperação da economia, que começou a dar sinais positivos. Sem citar o PT, o presidente também lembrar que não foi no seu governo que Joesley Batista conseguiu as maiores benesses.

Com, esse pronunciamento nas redes sociais, Temer quer mostra à sociedade que vai enfrentar e resistir à crise política, não se rendendo aos ataques do empresário. Para o governo, Joesley ataca o presidente sem citar que foi o PT que teria proporcionou que o empresário se tornasse bilionário e expandisse seus negócios mundo afora, com dinheiro do BNDES.

O discurso é de que Joesley acusa Temer para esconder seus delitos e evitar ser preso ou se desvencilhar de qualquer tipo de punição. A gravação foi feita depois de o presidente se reunir com alguns dos seus principais ministros, quando preparou não só a estratégia política para estes cinco dias que estará ausente do Brasil, mas também a estratégia jurídica.

O peemedebista ingressa nesta segunda-feira com ação civil e criminal contra Joesley, conforme anunciou no sábado, 17 em dura e longa nota distribuída em sua defesa. Nos encontros do fim de semana, o presidente discutiu também a estratégia de defesa contra a já esperada denúncia da Procuradoria-Geral da República, a ser apresentada nos próximos dias. O Planalto quer mostrar que está se armando e pronto para esta e outras batalhas que vierem.

Além disso, com sua fala, Temer quer mostrar que o governo não está parado diante da crise política, a mais grave desde que o peemedebista assumiu a Presidência, depois da gravação de Joesley no Jaburu, divulgada há um mês e, agora, agravada com a entrevista à revista Época.

Economia

A gravação do vídeo, de quatro minutos, foi feita no Palácio da Alvorada, e será divulgada na tarde desta segunda-feira, data do seu embarque. No vídeo, Temer também falará da importância da viagem para a abertura de mais mercados e novas oportunidades de negócios. Em Moscou e Oslo, o presidente vai falar a investidores sobre o que o governo chama de momento de modernização econômica que vive o Brasil – com responsabilidade fiscal, de maior racionalidade e de mais segurança jurídica.

Istoe


Temer é “chefe de organização criminosa”, diz Joesley a revista

O empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, disse à revista Época que Michel Temer (PMDB) “é o chefe da maior e mais perigosa organização criminosa” do Brasil. Na entrevista, publicada na sexta-feira 16, Joesley antecipa as informações de seu acordo de delação premiada e confirma que pagou pelo silêncio na prisão do deputado federal cassado Eduardo Cunha.

Joesley afirma que desde que conheceu Temer, em 2009 ou 2010, sempre manteve “relação direta” com o peemedebista. “Acho que ele me via como um empresário que poderia financiar as campanhas dele – e fazer esquemas que renderiam propina”, disse.

Segundo Joesley, os pedidos de dinheiro começaram logo no início, visto que “Temer não é um cara cerimonioso com dinheiro”. “Esse negócio de dinheiro para campanha aconteceu logo no iniciozinho. O Temer não tem muita cerimônia para tratar desse assunto. Não é um cara cerimonioso com dinheiro”, afirmou à revista. “Há políticos que acreditam que pelo simples fato do cargo que ele está ocupando já o habilita a você ficar devendo favores a ele. Já o habilita a pedir algo a você de maneira que seja quase uma obrigação você fazer. Temer é assim.”

O empresário disse, ainda, que o empréstimo do jatinho da JBS, por exemplo, se deu dessa forma. “Não lembro direito. Mas é dentro desse contexto: ‘Eu preciso viajar, você tem um avião, me empresta aí’. Acha que o cargo já o habilita”, afirmou.

Sobre a relação de Temer com Cunha, Joesley disse que o presidente sempre foi o “superior hierárquico” do ex-deputado. “Tudo que o Eduardo conseguia resolver sozinho, ele resolvia. Quando ficava difícil, levava para o Temer. Essa era a hierarquia. Funcionava assim: primeiro vinha o Lúcio. O que ele não conseguia resolver pedia para o Eduardo. Se o Eduardo não conseguia resolver, envolvia o Michel”, afirmou.

De acordo com Joesley, o grupo liderado por Temer é de “mais difícil convívio” que ele já teve. “Eduardo sempre deixava claro que o fortalecimento dele era o fortalecimento do grupo da Câmara e do próprio Michel. Aquele grupo tem o estilo de entrar na sua vida sem ser convidado”, disse.

“Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites. Então meu convívio com eles foi sempre mantendo à meia distância: nem deixando eles aproximarem demais nem deixando eles longe demais. Para não armar alguma coisa contra mim. A realidade é que esse grupo é o de mais difícil convívio que já tive na minha vida. Daquele sujeito que nunca tive coragem de romper, mas também morria de medo de me abraçar com ele.”

Por fim, Joesley afirma que o ex-ministro Geddel Vieira Lima era o “mensageiro” de Temer, que o procurava para garantir que o silêncio de Cunha e de Funaro seria mantido. “De 15 em 15 dias era uma agonia terrível. Sempre querendo saber se estava tudo certo, se ia ter delação, se eu estava cuidando dos dois. O presidente estava preocupado. Quem estava incumbido de manter Eduardo e Lúcio calmos era eu.”

Carta Capital