El referente de la música popular brasileña Chico Buarque lanza un nuevo disco después de seis años

(Foto: Daryan Dornelles)

Chico Buarque volta bem no disco Caravanas

Por Alexandre de Paula

Quando Chico Buarque entra em campo, ninguém espera 1 a 0 ou placares miúdos. O cantor e compositor carioca (tão aficionado pelo futebol) é Barcelona de Guardiola, seleção brasileira de 1982. Talvez por isso, o anúncio de um jogo sem brilho com a letra de Tua cantiga tenha provocado tanto burburinho (além das polêmicas sobre machismo) e aumentado a ansiedade para Caravanas, novo álbum de Chico (que será lançado na sexta, 25).

O jogo, no entanto, para a felicidade dos fãs do cantor e da música brasileira melhora. A letra realmente técnica (há rimas toantes,
aliterações…), mas fraca de Tua cantiga, com imagens pouco inspiradas para um poeta da envergadura de Chico, não representa o todo do belo álbum Caravanas. Também não faz jus, é bom que se diga, à melodia de Cristóvão Bastos.

Em épocas de chutão e retrancas, Chico coloca a bola no chão em Caravanas e faz, com sutileza e elegância, um retrato dos nossos dias. Sim, Caravanas pode não parecer, mas é um documento do tempo em que vivemos.

Compositores como Chico têm a capacidade de falar sobre inúmeras coisas ao mesmo tempo e de incutir significados maiores do que a superfície das letras mostra. É preciso mergulhar. Então, quando Chico fala sobre futebol ou sobre desaforos em um relacionamento, pode haver (e há) mais do que parece.

“Há que levar um drible/ por entre as pernas sem perder/ a linha”, canta em Jogo de bola. “Salve o jogar bonito/O não ganhar no grito”, surge mais adiante. É futebol, mas não é. Poderia ser bem um recado para os berros, linchamentos e a divisão maniqueísta das redes sociais.

Na mesma canção, Chico também louva os novos tempos. Há coisas belas por aí e deixar de ser a grande sumidade não incomoda. Com essa ideia, produz alguns dos versos mais virtuosos do álbum: “Outrora, quandos em priscas eras/ Um Puskás eras/ A fera das feras da esfera,/ mas agora/ Há que aplaudir o toque/ O tique-taque, o pique, o breque”.

A homenagem ao craque húngaro culmina em uma aceitação bonita e nada nostálgica (talvez até sobre o ofício de compositor). Ver o futebol bonito dos jovens não causa dor: “É ver o próprio tempo num relance/E sorrir por dentro”.

A política aparece mais vezes no álbum. Ela está quase sempre, porém, disfarçada em recados e reflexões sutis. Combativo, mas sem perder a elegância jamais. Cantar Casualmente (dele com Jorge Helder), em espanhol, sobre Havana parece ser uma resposta aos gritos de “Vai pra Cuba”.

Desaforos é, em tese, sobre um relacionamento. Mas versos como “Nunca bebemos/Do mesmo regato/ Sou apenas um mulato que toca boleros/ Custo a crer que meros lero-leros de um cantor/Possam te dar/ Tal dissabor” poderiam falar também sobre as ofensas recebidas pelo compositor em tempos de ânimos exaltados politicamente.

Em Caravanas, canção que nomeia e que encerra o disco, as questões políticas são mais latentes diretamente. Os refugiados, os meninos do Rio de Janeiro são representados em uma letra poeticamente muito forte, à altura dos clássicos. “É um dia de real grandeza, tudo azul/ Um mar turquesa à la Istambul”, canta.

As duas canções não inéditas do álbum, Dueto (originalmente registrada com Nara Leão) e A moça do sonho, se encaixam bem no
contexto do álbum. A primeira, gravada com a neta Clara, ganha atualizações com palavras como Tinder, WhatsApp e Telegram.

Massarandupió, valsa do neto Chico Brown (filho de Carlinhos Brown), é outra das preciosidades de Caravanas. A bela melodia ganha uma letra singela e bonita do avô sobre a infância: “Devia o tempo de criança ir se/ arrastando até escoar, pó a pó/ Num relógio de areia o areal de/ Massarandupió”.

Chico Buarque datado?

Quando Tua cantiga foi divulgada, a discussão sobre ser uma canção datada ou não ferveu nas redes sociais. Essa letra especificamente pode, de fato, ser deslocada, mas o resto do disco, não.

Chico, é verdade, não faz algo alinhado à pressa e à superficialidade tão presentes nos nossos dias, porque vai além. Como álbuns como Construção não são velhos décadas depois do lançamento, Caravanas também não é. A opção por não escancarar algumas questões torna isso ainda mais válido.

No fim das contas, Chico jogou bem!
Correio Braziliense


Chico Buarque lanza un nuevo disco tras seis años de espera

El cantautor Chico Buarque, uno de los más famosos representantes de la Música Popular Brasileña (MPB) y autor de clásicos como “Construcción”, anunció el lanzamiento de “Caravanas”, un nuevo disco con nueve canciones, siete de las cuales inéditas, tras seis años de silencio como compositor.

Chico, que ya venía promoviendo su nueva obra en las redes sociales, liberó en su cuenta en Facebook un video de las grabaciones en las que interpreta un trecho de la canción “As Caravanas”, que da nombre al disco.

En “As caravanas” el compositor hace referencias a la “Caravan” del jazzista Dike Ellington y a “El extranjero”, la obra del existencialista Albert Camus, con versos que hablan de los suburbanos que sufren prejuicios en la playa de Copacabana.

El compositor y poeta, de 73 años, anunció que el nuevo disco será puesto a la venta el próximo viernes en las tiendas físicas y virtuales, pero aclaró que la canción “Tua cantinga”, que forma parte del disco y fue liberada en julio en plataformas digitales como Spotify, ya destaca como una de sus composiciones más escuchadas.

“Tua cantiga”, compuesta en asociación con el pianista y arreglador Cristovao Bastos y que abre el nuevo disco, ha generado polémica por los grupos que acusaron al compositor de machismo por referirse a un hombre que abandona mujer e hijos para quedarse con su amante. “Machista es el que se queda con mujer y amante al mismo tiempo”, respondió.

“Caravanas” será lanzada seis años después de “Chico” (2011), su último álbum de inéditas y por el que los aficionados también tuvieron que esperar cinco años, ya que el anterior, “Carioca”, data de 2006.

Pese a esos largos silencios, el nuevo disco será el vigésimo tercero grabado en estudio de este compositor famoso por canciones como “A Banda”, “Cálice” y “Apesar de Voce”, que hicieron temblar la dictadura brasileña (1964-1985) y lo obligaron a exiliarse en la década de 1970.

Según el compositor, cantante, escritor y dramaturgo explicó en sus redes sociales, el nuevo disco cuenta con la dirección musical y los arreglos del maestro y guitarrista Luiz Cláudio Ramos, la producción de Vinicius França y el sello de la grabadora “Biscoito Fino”.

El cantautor agregó que tan solo dos de las nueve canciones ya son conocidas, pero aclaró que las compuso para discos de otros cantantes. Se trata de ‘A moça do sonho’, una de las canciones que integran el disco con que la cantante Maria Bethania conmemoró sus 35 años de carrera, y “Dueto”, que fue interpretada originalmente por Nara Leao en el disco “Com açúcar, com afeto” (1980).

En el nuevo disco Chico interpreta esta última canción junto a su nieta Clara Buarque, de 18 años y con la que ya la había cantado para la banda sonora del documental “Chico, un artista brasileño”, que el director Miguel Faria Jr. hizo en 2015 como biografía de uno de los músicos más famosos y admirados de Brasil.

En otra de las canciones del nuevo disco, “Massarandupió”, Buarque también se asoció a otro nieto, Chico Brown, de 21 años y que, con dominio del piano, la guitarra y la batería, demostró que heredó parte del talento de su abuelo y también de su padre, el también cantautor Carlinhos Brown.

Una de las nuevas canciones, “Casualmente”, es un bolero que Buarque compuso con Jorge Helder, con el que firmó “Bolero blues”, y en el que el brasileño canta versos en español en los que recuerda una voz sentimental que algún día escuchó en La Habana y que nunca olvidó.

En esta composición, que inicialmente estaba concebida para un disco de Omara Portuondo, Buarque cita versos de “Pequeña serenata”, la canción que Silvio Rodríguez grabó en 1978.
El Universal


 

Mais algumas considerações sobre ‘Caravanas’, o disco de Chico Buarque

Assunto musical da semana, o 23º álbum solo gravado em estúdio por Chico Buarque, Caravanas, chega ao mercado fonográfico na próxima sexta-feira, 25 de agosto de 2017, simultaneamente em edição digital e em edição em CD, com distribuição da gravadora Biscoito Fino, companhia fonográfica carioca pela qual os discos do artista tem sido editados desde 2006. Já alvo de resenha do colunista e crítico musical do G1, Caravanas é disco que ainda renderá assunto na mídia pelos próximos dias. Eis mais algumas considerações sobre o álbum de Chico Buarque:

* Na medida dos limites vocais, Chico Buarque está cantando bem em Caravanas. A voz foi bem colocada em estúdio. O que leva a crer que a interpretação claudicante da canção As vitrines (Chico Buarque, 1981) na 28ª edição do Prêmio da Música Brasileira foi mero acidente de percurso. Momento infeliz da história do artista.

* A tiragem inicial da edição em CD de Caravanas é de 20 mil cópias. Número respeitável que mostra que, para artistas associados à MPB, o formato físico ainda tem certo peso no mercado fonográfico.

* As sete composições inéditas foram sendo compostas aos poucos, desde 2015, e foram sendo gravadas na medida em que eram finalizadas pelo artista. De toda maneira, Caravanas é álbum com baixo teor de novidade, se levado em consideração que Chico não lançava disco de músicas inéditas desde 2011, há seis anos.

* A opção por incluir A moça do sonho (Edu Lobo e Chico Buarque, 2001) no repertório é justificável. Afinal, não havia até então registro dessa inspirada canção da trilha sonora do musical de teatro Cambaio (2011) somente na voz do compositor. Já a opção por regravar Dueto é questionável. Chico já gravara duas vezes a apaixonante canção de amor em dueto com as cantoras Nara Leão (1942 – 1989) e Zizi Possi. Sem falar que já havia registrado a música em dueto com a neta Clara Buarque para o documentário Chico – Artista brasileiro, de 2015. Se era para o disco ter somente nove músicas, é pena que Chico tenha se esquecido de registrar Fora de hora, parceria com Dori Caymmi composta para a trilha sonora do filme Lara (2002) e ainda inédita na voz do cantor.

* A letra mais forte dentre as sete músicas inéditas é a da música-título As caravanas, sobre a repulsa da classe média carioca aos jovens negros da periferia que frequentam nos feriados e fins de semana as praias da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Mas a música que deverá se tornar um clássico com o passar dos anos, contabilizando regravações, é Blues pra Bia.

* A melodia da valsa Massarandupió atesta que o neto de Chico Buarque, Francisco Buarque de Freitas, tem talento. Aos 21 anos, Chico Brown é filho de Carlinhos Brown e de Helena Buarque, uma das três filhas de Buarque. Se falarem mal, é por puro preconceito.

* Embora tenha sido revestido com o verniz da modernidade, por conta de alguns temas e sons atuais, Caravanas é disco conservador na essência. Diferentemente de Caetano Veloso, compositor do qual é contemporâneo, Chico Buarque caminha desde a década de 1960 dentro de zonas de conforto artístico, se movimentando dentro das tradições, sem rupturas ou grandes ousadias estilísticas.
Globo.com

 
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