Brasil: Diputados evaluará si autoriza el juicio contra Temer por obstrucción a la Justicia y asociación ilícita

La denuncia contra Temer, al Congreso

La Corte Suprema de Brasil votó ayer a favor de enviar la nueva denuncia por corrupción contra el presidente Michel Temer al Congreso para que éste decida sobre un posible juicio penal.

La mayoría de los 11 jueces del Tribunal Superior de Justicia rechazaron un pedido de la defensa de Temer de frenar la denuncia presentada por la fiscalía el jueves pasado, la segunda presentada en tres meses, y que acusa al presidente de delitos de obstrucción a la Justicia y asociación delictiva. La Cámara baja debe decidir en las próximas semanas si levanta la inmunidad de Temer. El paso es considerado sin embargo como muy improbable, ya que es necesaria una mayoría de dos tercios en el Congreso, y el presidente cuenta ahí con una amplia mayoría. El voto de seis de los once magistrados abre la puerta para enviar la denuncia a la Cámara de Diputados, donde los legisladores deberán votar si autorizan al máximo tribunal a evaluarla y eventualmente elevarla a juicio. “La palabra está con la Cámara de Diputados”, dijo el juez Luís Roberto Barroso al explicar su posición.

El Parlamento se negó ya en agosto a autorizar el juicio por una primera denuncia contra el presidente. Temer es el primer jefe de Estado brasileño en ser denunciado por corrupción durante su mandato. Las acusaciones están vinculadas con el caso “Lava Jato” (“Lavado de autos”), una megacausa sobre corrupción política que sacude al gigante sudamericano desde hace más de tres años. Gran parte de la clase política brasileña está acusada de haberse beneficiado de sobornos pagados por empresas interesadas en obtener contratos estatales o favores políticos. En el centro del escándalo está la petrolera estatal Petrobras.

Temer es acusado, entre otros cargos, de haberse beneficiado de sobornos pagados a su partido, el conservador PMDB para favorecer al grupo J&F, matriz del gigante del sector de la carne JBS. El ex fiscal general Rodrigo Janot presentó una primera denuncia por corrupción pasiva y lavado de activos en junio, y envió la segunda a la Corte Suprema la semana pasada, tres días antes de que terminase su mandato. La gestión de la nueva fiscal, Raquel Dodge, es vista ahora con expectación, a la espera de la posición que tomará respecto a los casos de “Lava Jato” y a las denuncias contra Temer. Dodge fue designada directamente por Temer para el puesto.

Si el Congreso rechaza otra vez levantar su inmunidad, Temer debe tener vía libre judicialmente para acabar el mandato que heredó tras la destitución el año pasado de su predecesora, Dilma Rousseff, y que acaba el 31 de diciembre de 2018. Brasil celebra elecciones presidenciales en octubre del próximo año, en un clima político convulso por los escándalos de corrupción en torno a los principales políticos y partidos del país.

La defensa de Temer pedía devolver a la Fiscalía la denuncia por asociación ilícita y obstrucción a la Justicia bajo la premisa de que varios de los hechos imputados al gobernante son anteriores al ejercicio de su mandato presidencial. La Constitución brasileña establece que un presidente sólo puede ser objeto de un proceso penal cuando se trata de hechos ocurridos durante el ejercicio de su mandato y no anteriores. En esta denuncia, Temer es acusado de haber actuado como “líder de una organización criminal” junto con otros importantes miembros de su partido, el Partido del Movimiento Democrático Brasileño (PMDB), desde mayo del 2016, cuando asumió el poder. No obstante, para el abogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira, el defensor de Temer, los cargos son un absurdo al incluir hechos pretéritos.

Página 12


STF decide enviar à Câmara segunda denúncia contra Temer

O julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre validade ou não das provas apresentadas por Joesley Batista e pelo executivo Ricardo Saud, não foi concluído hoje (20), mas já antecipa um resultado. A maior parte dos ministros votou com o parecer do relator, Edson Fachin, que foi favorável ao envio da segunda denúncia contra o presidente da República Michel Temer para ser avaliada pela Câmara dos Deputados. Amanhã (21), serão apresentados os outros três votos. Já se posicionaram os ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski.

O julgamento foi marcado por avisos de que o que está sendo analisado é o mérito e até críticas ao ex-procurador-geral da República que deixou o cargo na última semana, Rodrigo Janot. Mas imperaram, mesmo, as declarações dos ministros de que o Supremo tem a responsabilidade cívica de aceitar a denúncia contra o presidente Michel Temer e de garantir o direito da Câmara dos Deputados de avaliar se tal denúncia deve ser acolhida ou não, conforme disse o ministro Luís Barroso.

O parecer de Fachin foi no sentido de não acolher o pedido feito pela defesa do presidente Michel Temer para que a denúncia contra ele e integrantes do PMDB seja devolvida à Procuradoria-Geral da República (PGR) e, em consequência, autorizar o seu envio para a Câmara.

Um dos momentos mais emblemáticos foi o voto do ministro Barroso, que defendeu o direito das instituições e destacou a importância de a denúncia apresentada na última semana pelo então procurador-geral, não retornar para a procuradoria, para revisão. “A peça está correta e não precisa de revisão. Devemos deixar seguir o rito correto na Câmara dos Deputados”, afirmou Barroso.

O magistrado ressaltou que os áudios entregues pelos representantes da JBS não consistem nas únicas provas da delação e falou sobre outras evidências, como anotações, agenda, notas fiscais e emissões de passagens.

Celso de Mello aproveitou, ao apresentar seu voto, para dizer que é preciso as pessoas saberem bem o que significa questão de ordem e atenderem aos critérios de apresentação da tese pelo magistrado que esteja se pronunciando (numa espécie de alfinetada elegante ao colega Gilmar Mendes, que minutos antes interrompeu o ministro Dias Toffoli).

Celso de Mello ainda disse que “o que se pode afirmar é que a jurisprudência desta corte está cristalizada no sentido de que terceiros não podem questionar a validade de acordos de colaboração”, em resposta ao pedido feito pela defesa do presidente Michel Temer.

Farpas e críticas

Gilmar Mendes, por sua vez, usou sua fala para criticar Rodrigo Janot e, ao mesmo tempo, outro ex-procurador-geral da República, Claudio Fontelles. “Acredito que o doutor Janot, com essa denúncia, vai conseguir superar o Claudio Fontelles, no quesito de inépcia”, disse, provocando certo desconforto entre os colegas.

A opinião de Mendes é de que a segunda denúncia apresentada contra o presidente apresenta fatos que ocorreram antes do seu mandato, o que é sustentado pela defesa de Temer e rebatido por membros do Ministério Público.

O ministro Luis Fux, cujo voto teve um teor parecido com o de Luís Barroso, alertou os colegas para o fato de que o juízo político do caso compete à Câmara, onde os deputados votarão pela admissibilidade ou não da denúncia.

“Qualquer iniciativa do STF nessa fase preambular violaria a cláusula pétrea da separação dos Poderes”, acrescentou. Já a ministra Rosa Weber destacou que, no momento, não é cabível qualquer avaliação sobre a validade da prova.

Alexandre de Moraes, apesar de ter votado com o relator, destacou o que chamou de ineditismo do caso e da relevância da questão.

‘À margem de controle’

Um dos pontos da sessão que chamou a atenção dos magistrados e advogados presentes foi a posição do ministro Ricardo Lewandowski. Embora tenha um comportamento discreto em suas ponderações, Lewandowski afirmou que as investigações do Ministério Público, nos últimos tempos, têm sido feitas “à margem de qualquer controle jurisdicional”, numa crítica direta à gestão de Rodrigo Janot.

“Quando o Supremo Tribunal Federal definiu o poder de investigação do Ministério Público, foram fixados cuidados que não estão sendo observados, daí as distorções que estamos vendo”, ressaltou ainda o ministro e ex-presidente do tribunal.

Rede Brasil Atual