Expresidente brasileño Lula Da Silva declara ante el juez Moro por el caso Odebrecht: “Es un proceso ilegítimo e injusto”

Lula niega sobornos y pregunta al juez Moro si será imparcial al dar su veredicto

El ex presidente de Brasil Luiz Inácio Lula da Silva negó haber recibido sobornos de la constructora Odebrecht y cuestionó la “imparcialidad” del juez Sérgio Moro y el equipo de fiscales de Lava Jato que lo acusan por corrupción, durante su declaración de poco más de dos horas en el juicio que se le sigue por corrupción.

“La mayor demostración de que Lula siente que no está siendo juzgado con imparcialidad es que el mismo, al final de su testimonio, le hizo una pregunta a Moro en ese sentido”, dijo el abogado del ex presidente, Cristiano Zanin Martins.

El ex mandatario, que gobernó Brasil entre 2003 y 2010, está acusado por el Ministerio Público Federal de la sureña ciudad de Curitiba de haber tenido a disposición un terreno en Sao Paulo para montar una nueva sede del Instituto Lula -en el que realizada actividades políticas y debates- como parte de un acuerdo con Odebrecht a cambio de ocho contratos de la gigante de la construcción con la estatal Petrobras.

Lula ya fue condenado por Moro el mes pasado a nueve años y medio de prisión por corrupción pasiva al encontrarlo culpable de recibir un apartamento en la playa de Guarujá de la constructora OAS.

Télam


Lula diz a Moro que processo é ‘ilegítimo, é injusto’

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em seu segundo interrogatório como réu da Operação Lava-Jato, em Curitiba, nesta quarta-feira, que é alvo de um processo injusto.

Com feição fechada e irritado, Lula começou a responder a Moro que “entende que o processo é ilegítimo, é injusto, eu prefiro falar”. “Eu talvez seja a pessoa que mais queira a verdade nesse processo.”

A audiência de Lula durou mais de duas horas. O primeiro a questionar o ex-presidente foi Moro. O ex-presidente vestia camisa azul, gravata listrada e falou sem intervalos.

Após o interrogatório do ex-presidente, Moro passou a ouvir Branislav Kontic, ex-assessor do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma).

Lula é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro sobre contratos entre a empreiteira e a Petrobras. Segundo o Ministério Público Federal os repasses ilícitos da Odebrecht chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a estatal. O montante, segundo a força-tarefa da Lava Jato, inclui um terreno de R$ 12,5 milhões para Instituto Lula e cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo do Campo de R$ 504 mil.

Moro abriu interrogatório questionando sobre o apartamento comprado pela Odebrecht e registrado em nome do sobrinho do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, Glauco Costamarques Bumlai.

Lula disse que não conhece o sobrinho de Bumlai e que não participou de negócio de compra do imóvel. É um apartamento vizinho ao do presidente em São Bernardo, que era usado pela segurança presidencial. O ex-presidente disse que imóvel era do sobrinho e que ele quis ficar com o apartamento e alugado por ele.

“Hoje é um apartamento que está lá a minha disposição. Se permitirem que eu seja candidato em 2018, ele terá uma função política muito forte.”

Irritado

Questionado sobre os pagamentos de aluguéis, Lula disse que “deve ter os recibos” de pagamentos. Moro insistiu que eles não foram apresentados ainda pela defesa.

Aos 20 minutos de depoimento, Lula alterou a voz, visivelmente irritado com a insistência de Moro sobre a acusação de não pagamento de aluguel do imóvel em nome do sobrinho de Bumlai.

“Vou repetir para o senhor. Nunca houve qualquer denúncia que o apartamento não estava sendo pago, seu Glauco nunca levantou… seu Glauco nunca cobrou, seu Glauco nunca me telefonou. Nem ele, nem ninguém. Pois bem, estou dizendo para o senhor que tinha uma relação da Dona Marisa (Letícia, ex-primeira dama, que morreu em fevereiro) no contrato do aluguel, que a Dona Marisa cuidava de forma responsável das coisas da casa. Só fiquei sabendo agora quando Glauco prestou depoimento.”

Confissão

Na semana passada, Palocci rompeu o silêncio, fez um relato devastador e entregou o ex-presidente, a quem atribuiu envolvimento com o que chamou de “pacto de sangue” com a empreiteira Odebrecht que previa repasse de R$ 300 milhões para o governo petista e para Lula.

Além do ex-presidente e de Branislav Kontic, ex-assessor de Palocci, também respondem ao processo o próprio ex-ministro, o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula – que será interrogado na quarta-feira, 20 -, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e outros três investigados.

Lula já foi condenado na Lava-Jato. Em julho, Sérgio Moro aplicou uma pena de 9 anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro ao petista no caso tríplex.

EM


Lula após depoimento: “Jamais enganaria vocês. Prefiro a morte”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do ato com movimentos sociais e militantes petistas na Praça Generoso Marques, em Curitiba, na tarde desta quarta-feira (13),após o depoimento para o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. O petista começou o discurso com uma série de agradecimentos.

— Eu queria ressaltar a presença da CUT, quero cumprimentar a Força Sindical, Sem Teto, esse momento de solidariedade e vieram para um ato público. Quero agradecer a minha presidenta Gleisi, quero cumprimentar cada senador e senadora do PT, os companheiros que estão sempre conosco nessa luta. Obrigada ao Requião.

O ex-presidente declarou que sempre que for intimado, vai viajar para Curitiba para prestar depoimento.

— Eu, na verdade, não queria falar. Eu deveria me calar e fiquei mais de três horas prestando depoimento. Só queria dizer que não se preocupem com os depoimentos que tenho que prestar. Virei a Curitiba prestar quantos depoimentos forem necessários.

Lula declarou que é inocente e espera que os acusadores se desculpem com ele.

— Não sou melhor do que ninguém, eu respeito a Justiça. Quem está me acusando tem a dignidade de que se não provarem um real na minha conta, que vá para a televisão pedir desculpa.

O petista insistiu em sua inocência e garantiu que não mentiria para o povo brasileiro.

— Sou um cidadão comum, só tenho quatro anos de escolaridade e curso do Senac, mas tenho a sensibilidade de entender o coração e a alma do nosso povo. Desafio eles a ter coragem de ir para a rua como tenho e abraçar cada mulher, cada homem e cada criança. Tenho comigo uma coisa que devo a vocês: a verdade. Jamais mentiria para vocês. Jamais enganaria vocês. Prefiro a morte a mentir para o povo brasileiro.

Ainda durante o discurso, Lula falou que é perseguido e, mesmo assim, não encontram provas contra ele.

— Tenho consciência do porquê dos ataques, tenho consciência por conta das mentiras que são contadas, mas em vez de ficar nervoso, fico orgulhoso. Foram mais de dois anos gravando Marisa e eu, a Dilma e eu, meus filhos e eu, invadindo a nossa casa até agora, ainda não encontraram uma verdade.

Lula também declarou que a pessoa que mente uma vez, acaba mentindo para sempre.

— Quero dizer que conheço o peso da mentira. A desgraça de quem conta a mentira, é ter que ficar o resto da vida mentindo para justificar a primeira mentida.

Sob aplausos e gritos dos participantes da manifestação, o ex-presidente ainda comentou que seu erro foi o de ser um “sonhador”.

— Sonhei em fazer a Petrobras a maior petroleira do mundo. Sonhei em fazer esse país uma indústria naval competitiva, sonhei em fazer uma energia limpa, a começar pelo etanol. Sonhei que era possível fazer uma empregada doméstica fazer a filha cursando uma faculdade. Sonhei que era possível fazer as pessoas mais humildes fazerem faculdade […] sonhei que o Brasil tinha que pagar a dívida de 300 anos com a África e que o Brasil poderia virar protagonista internacional e ser respeitado pelos Estados Unidos e pelo mundo inteiro.

Ele continuou falando sobre seus sonhos e atacou a atual realidade do povo brasileiro.

— Um país que ainda tem escravo, trabalho infantil, que ainda a mulher é tratada como objeto de mesa e cama. Sonhei em fazer com que o país perca esse complexo de vira lata. Fiz com que o trabalhador brasileiro, durante 12 anos, tivesse aumento real de salário […] sonhei que o negro deveria ser primeira casa e o índio não deveria ser exterminado.

Lula finalizou seu discurso dizendo que vai lutar até o fim dos processos contra ele.

— Não sei quantos processos tenho. Não sei se eles vão cansar, mas eu não vou. Se eles estão com medo de que possa voltar e me candidatar, é bom eles terem mesmo. Esse é o grande crime que eles querem me condenar: fazer as pessoas comerem três vezes ao dia, respeitar a religião, as mulheres, os índios. Vou lutar até o fim.

Antes de Lula subir ao palanque, o senador Roberto Requião (PMDB-PR), falou com a multidão que esperava pelo líder petista.

— Nós estamos protestando contra um processo ilegal e seletivo.

Quem também aproveitou a tarde desta quarta para sair em defesa do ex-presidente foi o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

— O Moro é um juiz parcial, a gente sabe. Mas é importante para a narrativa política: o Lula terminou perguntando a Moro se ele seria um Juiz parcial.
A presidente do PT (Partido dos Trabalhadores), Gleisi Hoffmann, também discursou em defesa de Lula.

— Quando atacam o Lula, atacam o que ele representa para o povo brasileiro. Essa gente não tem compromisso com o Estado brasileiro. É uma gente que ganha muito bem. Esses mesmos que atacam o presidente, são aqueles que têm salários fartos, acima do teto […] eles não suportam a democracia e a participação do povo. Todos os grandes líderes que lutaram pela nação brasileira, receberam a mesma perseguição.

De acordo com os organizadores, mais de sete mil pessoas marcaram presença no evento. Na manhã desta quarta, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) contabilizou pelo menos 33 ônibus com manifestantes que participariam de atos a favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Curitiba.

NoticiasR7