Lula tras declarar ante el juez Moro: “Cometí algo imperdonable para la élite brasileña, 12 años de aumentos salariales”

“Cometí algo imperdonable: 12 años de aumentos salariales”

El ex presidente brasileño Luiz Inácio Lula da Silva declaró por segunda vez ante el juez a cargo del Lava Jato: negó haber recibido sobornos de Odebrecht y volvió a cuestionar la imparcialidad de Moro y del equipo de fiscales que lo acusan. “Cometí algo imperdonable para la élite brasileña: 12 años de aumentos salariales”, dijo luego ante las cientos de personas que lo acompañaron a los tribunales.

“¿Puedo mirar hoy la cara de mis hijos y decirles que vine a Curitiba a prestar declaración ante un juez imparcial?”, le preguntó Lula al juez Sergio Moro al término de su declaración de más de dos horas. El magistrado le objetó que como acusado no podía hacer preguntas, pero respondió con un escueto “sí”.

Ese fue el tono de la nueva declaración del ex mandatario brasileño ante el que es su principal rival político de cara a las elecciones del año que viene. Se trata del segundo cara a cara entre ambos y el primero después de que Moro condenara a Lula a nueve años y medio de prisión por “corrupción pasiva” al encontrarlo culpable de recibir un apartamento en la playa de Guarujá de la constructora OAS. Ese fallo aún espera la revisión en segunda instancia y podría frenar la candidatura de Lula.

El líder del Partido de los Trabajadores respondió ayer durante dos horas y diez minutos en el tribunal de Moro en Curitiba a acusaciones de que aceptó sobornos de la constructora Odebrecht, en forma de un terreno comprado por la empresa y destinado a ser la futura sede del Instituto Lula en el estado de Sao Paulo.

El ex mandatario negó todos los cargos. “Quiero enfrentar al Ministerio Público (…) para probar mi inocencia”, dijo Lula. Apuntó contra su ex ministro de Hacienda, Antonio Palocci, quien acusó recientemente al ex presidente de haber hecho un “pacto de sangre” con Odebrecht para que la constructora se beneficiara de contratos con el Estado.

Palocci, miembro del Gabinente de Lula entre 2003 y 2006, está preso por acusaciones de corrupción y llegó a un acuerdo de cooperación con la Justicia para hacer una de las llamadas “delaciones premiadas” a cambio de beneficios en su caso. “Vi a Palocci mentir aquí”, aseguró este miércoles Lula, quien dijo sentir “pena y no odio” por su ex ministro.

“Conozco a Palocci bien. Palocci, si no fuese ser humano, sería un simulador. Él es tan experto que es capaz de simular una mentira más verdadera que la verdad”, definió Lula. “El Ministerio Público de la Lava Jato está en un camino difícil, buscando a alguien para penalizarme. Hay una caza de brujas”, afirmó.

Luego de la declaración, el abogado Cristiano Zanin Martins aseguró que “la mayor demostración de que Lula siente que no está siendo juzgado con imparcialidad es que el mismo, al final de su testimonio, le hizo una pregunta a Moro en ese sentido”. “La fiscalía no logró vincular a Lula con cualquier ilícito de estos ocho contratos con Petrobras”, dijo el defensor del líder del PT.

Lula ya anunció que quiere presentarse como candidato a presidente en las elecciones de 2018. El ex mandatario lidera actualmente las encuestas, con alrededor de un 30 por ciento de los apoyos, pero en caso de que la condena a nueve años y medio de cárcel fuera confirmada, no podría candidatearse.

Página 12


Prefiro morrer a passar para história como mentiroso, diz Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso para seus apoiadores na praça Generoso Marques, em Curitiba, na noite desta quarta-feira, 13, e disse que prefere “morrer” do que “passar para a história como mentiroso para o povo brasileiro”. “Não se preocupem com os depoimentos que eu tiver que dar. Eu não sou melhor que ninguém, eu quero prestar todos os depoimentos. A única coisa que eu quero é que aqueles que me ataquem um dia vão para a mesma televisão que me atacam para pedir desculpas”, disse para seus correligionários.

Segundo o ex-mandatário, ninguém “encontrou nenhuma verdade nas acusações”. “Eu sempre digo que a desgraça de quem mente é que tem que passar a vida toda mentindo”, afirmou ainda.

“Eu quero que o Ministério Público, que é uma instituição que eu respeito tenha a coragem de admitir: não tenho provas contra Lula, eu menti”, acrescentou.

Em outra parte de seu discurso, e mantendo o ritmo de pré-campanha política que vem fazendo nas últimas semanas, Lula falou sobre seus dois mandatos à frente da Presidência.

“Cometi graves erros: sonhei fazer uma indústria naval competitiva com coreanos e japoneses, sonhei fazer o filho de pedreiro virar engenheiro Eu sonhei que a juventude poderia ter esperança. Sonhei em fazer esse país ser respeitado no mundo.

Sonhei que o país superasse o complexo de vira-latas e tivesse relações internacionais de igual para igual”, afirmou.

“Cometi o erro imperdoável para a elite de promover a valorização do salário mínimo e aumento real para todas categorias. Não há na história da humanidade nenhum estadista que resolveu governar para os pobres e tivesse resistido à sanha da elite perversa. Eu tenho comigo uma coisa que devo a vocês: tenho comigo a verdade. Eu jamais mentiria pra vocês”, destacou ainda.

O Povo


Lula diz a Moro que processo é ‘ilegítimo, é injusto’

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em seu segundo interrogatório como réu da Operação Lava-Jato, em Curitiba, nesta quarta-feira, que é alvo de um processo injusto.

Com feição fechada e irritado, Lula começou a responder a Moro que “entende que o processo é ilegítimo, é injusto, eu prefiro falar”. “Eu talvez seja a pessoa que mais queira a verdade nesse processo.”

A audiência de Lula durou mais de duas horas. O primeiro a questionar o ex-presidente foi Moro. O ex-presidente vestia camisa azul, gravata listrada e falou sem intervalos.

Após o interrogatório do ex-presidente, Moro passou a ouvir Branislav Kontic, ex-assessor do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma).

Lula é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro sobre contratos entre a empreiteira e a Petrobras. Segundo o Ministério Público Federal os repasses ilícitos da Odebrecht chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a estatal. O montante, segundo a força-tarefa da Lava Jato, inclui um terreno de R$ 12,5 milhões para Instituto Lula e cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo do Campo de R$ 504 mil.

Moro abriu interrogatório questionando sobre o apartamento comprado pela Odebrecht e registrado em nome do sobrinho do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, Glauco Costamarques Bumlai.

Lula disse que não conhece o sobrinho de Bumlai e que não participou de negócio de compra do imóvel. É um apartamento vizinho ao do presidente em São Bernardo, que era usado pela segurança presidencial. O ex-presidente disse que imóvel era do sobrinho e que ele quis ficar com o apartamento e alugado por ele.

“Hoje é um apartamento que está lá a minha disposição. Se permitirem que eu seja candidato em 2018, ele terá uma função política muito forte.”

Irritado

Questionado sobre os pagamentos de aluguéis, Lula disse que “deve ter os recibos” de pagamentos. Moro insistiu que eles não foram apresentados ainda pela defesa.

Aos 20 minutos de depoimento, Lula alterou a voz, visivelmente irritado com a insistência de Moro sobre a acusação de não pagamento de aluguel do imóvel em nome do sobrinho de Bumlai.

“Vou repetir para o senhor. Nunca houve qualquer denúncia que o apartamento não estava sendo pago, seu Glauco nunca levantou… seu Glauco nunca cobrou, seu Glauco nunca me telefonou. Nem ele, nem ninguém. Pois bem, estou dizendo para o senhor que tinha uma relação da Dona Marisa (Letícia, ex-primeira dama, que morreu em fevereiro) no contrato do aluguel, que a Dona Marisa cuidava de forma responsável das coisas da casa. Só fiquei sabendo agora quando Glauco prestou depoimento.”

Confissão

Na semana passada, Palocci rompeu o silêncio, fez um relato devastador e entregou o ex-presidente, a quem atribuiu envolvimento com o que chamou de “pacto de sangue” com a empreiteira Odebrecht que previa repasse de R$ 300 milhões para o governo petista e para Lula.

Além do ex-presidente e de Branislav Kontic, ex-assessor de Palocci, também respondem ao processo o próprio ex-ministro, o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula – que será interrogado na quarta-feira, 20 -, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e outros três investigados.

Lula já foi condenado na Lava-Jato. Em julho, Sérgio Moro aplicou uma pena de 9 anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro ao petista no caso tríplex.

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