Un millón de brasileños votan en consulta separatista de tres estados del sur del país

Movimento diz ter levado consulta separatista a dois terços dos municípios do Sul

O movimento “O Sul é o meu país” realizou neste sábado (7) consulta pública sem valor legal sobre a separação de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul do restante do Brasil. Os organizadores afirmaram que dois terços dos municípios da região tiveram registro de votações (cerca de 800 cidades de um total de 1.191). Também estimam que mais de um milhão de pessoas tenham participado, o que equivale a quase 5% dos 21,28 milhões de eleitores sulistas.

O resultado oficial só será conhecido na tarde deste domingo (8), pois o processo de contagem dos votos é manual e há entraves técnicos, como conexões lentas em algumas cidades. “É tudo feito na mão e vai sendo colocado no computador, então é um processo demorado e que exige todo cuidado e conferência”, explicou Adriano Winckler superintendente do movimento no Paraná.

Até as 20h deste sábado, quando a votação foi encerrada, mais de 83 mil votos (17,3% das urnas) já haviam sido apurados, sendo 96,4% deles favoráveis à separação. A apuração pode ser acompanhada em tempo real no site oficial do movimento.

Segundo o presidente da Comissão Curitiba do movimento “O Sul é Meu País”, Pedro Liss, a maior organização e o ambiente político do Brasil contribuíram para o aumento da atenção que o movimento vem recebendo nas últimas semanas. “Estamos bem mais organizados, não dá nem para comparar com o ano passado. As pessoas estão procurando uma alternativa e a proposta é pela criação de um sistema diferente acabou chamando a atenção”, afirmou.

Liss afirmou que o número de voluntários triplicou em relação a 2016, ano em que o movimento organizou a primeira consulta do tipo, que teve, segundo os organizadores, 617 mil votos. A estimativa para este ano é de que o número de votantes ultrapasse 1 milhão.

“Foi excelente pela estrutura que temos, um movimento que nem conta bancária tem”, disse Liss a respeito do dia de votação. Mais cedo, na Boca Maldita, em Curitiba, ele observou que “muita gente está passando e votando de livre e espontânea vontade, não precisamos nem convidar. As pessoas querem, necessitam, buscam uma mudança, e veem no movimento uma forma de buscar soluções”.

Nas urnas, os voluntários se mostraram otimistas quanto a adesão ao referendo. Ramon Schadeck, que trabalhou no ponto de coleta do Jardim Botânico, em Curitiba, afirmou que a presença de público superou a expectativa. Para ele, o que mais surpreendeu foi o engajamento do público: “Muitas pessoas nos procuraram já cientes do que estava acontecendo. A maioria chegou aqui já nos procurando para votar, e alguns vieram até em caravanas de outros lugares”.

Além da consulta, as pessoas que foram votar foram convidadas a assinar um Projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLIP) que visa transformar a consulta em um plebiscito oficial, em 2018. A consulta realizada hoje não tem qualquer valor legal. Mesmo a aprovação de uma PLIP não garantirá a constitucionalidade de uma votação sobre a separação.

Divisão

No centro de Curitiba, muitos simpatizantes do “O Sul é Meu País” compareceram às urnas. O programador Lucas Ferla, afirmou que a votação “é uma forma de dar voz à sociedade. A gente não quer o governo dizendo o que as pessoas devem fazer. A sociedade precisa ter essa voz, é isso que me motivou a vir aqui votar”.

Mas há quem discorde, não só da votação em si, mas também da motivação pela divisão. “A questão é que existe um recorte que não é feito. O senso comum diz que o dinheiro que pagam aqui no sul vai para o bolso do nordestino. E não é verdade, esse dinheiro vai para o bolso do político e o nordeste segue com necessidades. E o nordestino não concorda com isso”, diz Pedro Ferraz, que é estudante universitário. Baiano de Vitória da Conquista, Ferraz passou a tarde de sábado engajado em debates com pessoas que passavam próximas à urna da consulta na Boca Maldita.

A cada manifestação em sentido contrário à votação, o estudante celebrava, repetindo a frase “tudo pelo Brasil”. A cena, porém, não incomodou quem votava ou os organizadores do movimento. “Acredito que se incentivarmos o debate, quem sai ganhando é o país. Cada um tem uma posição, o rapaz inclusive concorda com a gente em muita coisa. Acho saudável e não vejo nada de mal”, disse André Assis, um dos que participaram da votação na tarde de sábado.

Gazeta do Povo