Brasil: renuncia un ministro del PSDB y se profundiza la crisis en la coalición gobernante

Temer prepara reforma tras renuncia de otro ministro

El presidente brasileño, Michel Temer, aceptó este lunes la renuncia del ministro de Ciudades Bruno Araújo , perteneciente al partido del expresidente Fernando Henrique Cardoso, y anunció que prepara una reforma ministerial que concluirá a mediados de diciembre.

El pedido de renuncia de Araújo fue el primero desde que el Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB, centro-derecha) comenzó a dar señales de querer desembarcar del gobierno de Temer con la vista puesta en las elecciones de 2018.

“Agradezco la confianza de mi partido, en el que ejercí toda mi vida pública, y en el que ya no existe el apoyo necesario para permitirme seguir en esta tarea”, escribió Araújo en su carta, distribuida por su equipo.

No obstante, fuentes del PSDB dijeron a la AFP que el partido seguiría apoyando el programa de ajustes y reformas económicas de Temer y que el alejamiento busca sobre todo satisfacer a sus votantes, críticos de los constantes escándalos de corrupción del gobierno.

El fin de semana pasado, el senador y excandidato presidencial del PSDB Aecio Neves había dicho que la formación saldría del gobierno “por la puerta principal”.

Temer agradeció a Bruno Araújo “por los buenos servicios prestados” e iniciará ahora “una reforma ministerial que concluirá a mediados de diciembre”, informó el palacio de Planalto en un breve comunicado.

El Ministerio de Ciudades era una de las cuatro carteras en manos del PSDB dentro de la coalición que gobierna a la mayor economía Latinoamericana desde la destitución de la presidenta de izquierda Dilma Rousseff en 2016.

El partido de Fernando Henrique (1995-2002) conserva aún la cancillería y los ministerios de la Secretaría de gobierno -brazo del Ejecutivo que articula con el Congreso- y de Derechos Humanos.

El puesto que tenía Araujo es de “gran valor electoral”, dijo un asesor del PSDB, a menos de un año de los comicios generales. La cartera es responsable de entregar viviendas sociales y vehiculizar obras de infraestructura básica, que impactan directamente en la vida de la población.

Y es codiciado por el ‘Centrao’ (gran centro), un conglomerado de partidos con tintes conservadores en lo político y liberales en lo económico, que apoyó a Temer cuando la Cámara de Diputados votó por congelar dos acusaciones de corrupción en su contra.

El PSDB, en cambio, votó mayoritariamente para que las denuncias avancen hasta la corte suprema.

El Telégrafo


PSDB inicia desembarque e acelera reforma ministerial

O ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), pediu demissão do cargo nesta segunda-feira, 13, pouco antes de participar de uma cerimônia, no Palácio do Planalto, preparada para ser uma “agenda positiva” do governo. O movimento do primeiro tucano a deixar a equipe deflagrou a reforma ministerial planejada pelo presidente Michel Temer para obter apoio político no Congresso e conseguir aprovar as mudanças na Previdência.

Em carta dirigida a Temer, que foi pego de surpresa, Araújo mencionou indiretamente o racha interno vivido pelo PSDB. Disse que não tinha mais o aval do partido para continuar à frente da pasta. “Agradeço a confiança do meu partido, no qual exerci toda a minha vida pública, e já não há mais nele apoio no tamanho que permita seguir nessa tarefa”, escreveu.

Quatro horas depois, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência divulgou nota confirmando que “o presidente dará início agora a uma reforma ministerial que estará concluída até meados de dezembro”.

Araújo conversou com Temer pouco antes de acompanhá-lo na solenidade de entrega do Cartão Reforma. Já estava demissionário quando participou da cerimônia. Moradores de Caruaru, em Pernambuco – reduto eleitoral de Araújo – receberam o cartão. Ali, o tucano chegou a usar verbos no passado sobre o período em que comandou a pasta das Cidades, mas ninguém na plateia percebeu que ele estava de malas prontas para deixar a Esplanada.

Deputado licenciado, Araújo disse ao Estado que não havia mais “clima” para permanecer no ministério porque o PSDB não lhe dava respaldo para isso. “Agora, vou me dedicar a trabalhar pela unidade do PSDB”, afirmou ele, que não quis confirmar se será candidato ao governo de Pernambuco, em 2018. “Vou retomar o meu mandato na Câmara e construir alianças para o ano que vem.”

A saída do ministro das Cidades – uma das pastas mais cobiçadas da Esplanada – escancara a crise na coalizão governista. O Centrão pressiona Temer para tirar todos os tucanos do primeiro escalão, se quiser aprovar a reforma da Previdência. Formado por partidos médios, como o PP, PR, PSD e PTB, o bloco também ameaça paralisar outras votações na Câmara, caso não seja atendido.

Sem Cidades, o PSDB ainda tem três ministérios (Secretaria de Governo, Relações Exteriores e Direitos Humanos). A tendência é de que a pasta antes ocupada por Araújo seja entregue ao PP (mais informações na pág. A6), justamente o partido que mais fez ameaças a Temer.

Cota. No Palácio do Planalto, auxiliares de Temer afirmam que a ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, também deve deixar o cargo. Temer pretende manter na equipe, em sua cota pessoal, o chanceler Aloysio Nunes Ferreira – que será candidato à reeleição ao Senado – e Antônio Imbassahy, hoje titular da Secretaria de Governo. Imbassahy, porém, deve ser deslocado para outro ministério porque o Centrão também cobra mudança na articulação política do Planalto com o Congresso.

Dos atuais ministros, 17 pretendem disputar as eleições de 2018 e terão de deixar os cargos até abril. O presidente, porém, já disse que vai antecipar a reforma ministerial.

Temer também não quer ficar a reboque do PSDB, que no dia 9 de dezembro fará uma convenção e deve anunciar o rompimento com o governo. Até mesmo o presidente licenciado do partido, senador Aécio Neves (MG), admitiu no sábado passado que os tucanos deixarão o Executivo. “Vamos sair do governo pela porta da frente, da mesma forma que entramos”, disse Aécio. Por isso, Temer vai aproveitar a entrega do cargo de Araújo para começar a fazer as trocas na equipe.

Antes de o Planalto confirmar o início da reforma ministerial, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), afirmou que Temer comentou as mudanças na equipe. “Ele falou que depois conversaria comigo e com o presidente da Câmara (Rodrigo Maia)”, disse o presidente do Senado.

TRECHO

“Agradeço a confiança do meu partido, no qual exerci toda a minha vida pública, e já não há mais nele apoio no tamanho que permita seguir nessa tarefa. Tenho a convicção, senhor presidente, de que a serenidade da história vai reconhecer no seu governo resultados profundamente positivos para a sociedade brasileira. Receba minha exoneração e meus agradecimentos.”

Estadao