Rousseff vuelve a repudiar el espionaje “de EEUU y sus aliados” y pide explicaciones a embajador canadiense

Chanceler pede a embaixador canadense explicação sobre denúncia de espionagem

O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, convocou nesta segunda-feira o embaixador do Canadá no Brasil, Jamal Khokhar, para prestar esclarecimentos sobre a denúncia de que comunicações eletrônicas e telefônicas do Ministério das Relações Exteriores foram espionadas pelo órgão de inteligência canadense. Em nota divulgada pelo Itamaraty, o ministro manifesta a “indignação” do governo brasileiro e classifica a ação de inaceitável e grave.

“O chanceler brasileiro manifestou ao Embaixador canadense o repúdio do governo a essa grave e inaceitável violação da soberania nacional e dos direitos de pessoas e de empresas.”

Pelo Twitter, a presidente Dilma disse que determinou reforço no sistema de segurança de dados do Ministério de Minas e Energia. Também pela rede social, a presidente ressaltou que a “espionagem atenta contra a soberania das nações e a privacidade das pessoas e das empresas”.

A presidente considerou ainda que “tudo indica que os dados do NSA são acessados pelos cinco governos e pelas milhares de empresas prestadoras de serviços com amplo acesso a eles”. Para Dilma, a denúncia confirma que a espionagem pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) tem razões econômicas.

No Congresso para evento dos 60 anos da Petrobras, a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, disse que o volume de reservas e a tecnologia brasileira para exploração de petróleo na área do pré-sal motiva curiosidade e interesse mundial.

– Energia é soberania, por isso motiva o interesse mundial, sem dúvida. As reservas que temos são expressivas, comparadas às reservas internacionais e é fato inequívoco que estamos produzindo o pré-sal – disse Graça após o evento, completando: – Independente de espionagem ou não a própria capacidade do Brasil motiva o interesse mundial.

Reportagem do Fantástico, da TV Globo, revelou no domingo o funcionamento de uma ferramenta de espionagem da Agência Canadense de Segurança em Comunicação (Csec) — parceira dos americanos — e como ela mapeou as ligações e os e-mails do Ministério de Minas e Energia. O documento foi vazado por Edward Snowden, o ex-agente da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) que atualmente está exilado na Rússia e que também denunciou a espionagem feita contra a presidente e a Petrobras.

A apresentação dos canadenses ocorreu em junho do ano passado, numa reunião anual de analistas ligados a agências de espionagem de cinco países. O grupo, chamado de Five Eyes (Cinco Olhos), é composto por Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. De acordo com o “Fantástico”, Snowden estava nesta conferência.

Não há indicações, no entanto, do período em que as comunicações do ministério foram mapeadas. De acordo com a reportagem, os canadenses conseguiram, inclusive, monitorar comunicações em VPNs, redes consideradas seguras por utilizar tecnologia on-line semelhante à dos bancos. No ministério transitam dados sobre mineração, petróleo e energia elétrica. O Canadá é um dos maiores produtores mundiais de energia (petróleo e elétrica) do mundo e sede de algumas das maiores empresas de mineração.

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