Humor de Copa – Periódico Folha de San Pablo, Brasil

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Pesquisa Datafolha feita durante Mundial mostra ânimo mais positivo dos brasileiros, com reflexos na política e na economia

Perceptível a olho nu, a melhoria do humor do brasileiro após o início da Copa do Mundo foi confirmada pelas lentes do Datafolha. A pesquisa realizada na terça e na quarta-feira quantifica os efeitos do torneio no estado de espírito e na autoestima da população.

Sem que tenham se confirmado os prognósticos negativos sobre a organização do evento –e sendo disputadas partidas de elevado nível técnico e grandes doses de emoção–, aumentou a fatia dos entrevistados que se declaram a favor da Copa no Brasil, passando de 51% para 63% em um mês.

Além disso, o orgulho quanto à realização do campeonato é compartilhado por 60% dos brasileiros (eram 45% na pesquisa anterior).

Verdade que, até quarta-feira, registravam-se somente incidentes operacionais de menor impacto; o mais grave deles havia sido a invasão de chilenos no Maracanã, fruto de uma falha de segurança.

Nada comparável à queda de um viaduto em Belo Horizonte. O acidente, ocorrido ontem, resultou na morte de ao menos uma pessoa e deixou 22 feridos. A obra faz parte do pacote de melhorias de mobilidade urbana e não ficou pronta no prazo prometido.

Não foi, felizmente, tragédia de maiores proporções. Serve para lembrar, ainda assim, o quanto houve de irresponsabilidade e improviso, para nada dizer de corrupção, na organização do Mundial. O primeiro jogo da Arena das Dunas, em Natal, deu-se sem a liberação dos bombeiros, por exemplo.

Seja como for, a atmosfera menos carrancuda proporcionada pelo espetáculo dentro de campo teve reflexos em tópicos como as perspectivas econômicas e eleitorais.

A presidente Dilma Rousseff (PT) beneficiou-se ligeiramente da descontração geral: as intenções de voto a seu favor avançaram de 34% para 38% –enquanto Aécio Neves (PSDB) passou de 19% a 20%, e Eduardo Campos (PSB), de 7% a 9%.

Vale destacar que 76% dos entrevistados disseram condenar os xingamentos dirigidos à presidente na abertura da Copa, em São Paulo. A reprovação foi majoritária mesmo entre os que se declaram eleitores de Aécio e Campos.

Espera-se consciência cívica semelhante dos torcedores que hoje estarão apoiando a seleção no Castelão, em Fortaleza. No jogo anterior, ouviram-se vaias durante a execução do hino nacional do Chile, um lamentável desrespeito.

Como sempre, o levantamento do Datafolha oferece o retrato de um momento. Não é improvável que, passada a Copa, a percepção positiva venha a ser confrontada com outras realidades e se dilua no turbilhão da campanha eleitoral.

Em qualquer hipótese, não convém misturar o plano político com o esportivo. Embora não tenha apresentado o melhor futebol da Copa até aqui, a equipe brasileira ainda é considerada a favorita por 71% dos entrevistados. Resta torcer para que essa opinião seja corroborada dentro de campo.

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