Los impactos económicos de la Copa: ¿Oportunidad o herencia maldita? – Por G. Santos Mello

Os impactos econômicos da Copa: Oportunidade ou herança maldita?

El “legado de la copa” y los debates acerca de los impactos económicos y sociales del evento. Los argumentos de quienes sostienen que resolverá problemas crónicos de infraestructura y dejará mucho para el país, a pesar de los problemas de ejecución del gobierno de Rousseff. También, aquellos que sostienen que enormes recursos necesarios en lo social se desviaron para fines intrascendentes.

Introdução

Com o início da Copa do Mundo se aproximando, os debates acerca dos impactos econômicos e sociais do evento cresceram em volume e visibilidade na imprensa brasileira. O discurso simplista de que a Copa mobilizou vultosos recursos sem deixar nenhum legado positivo passou a ser crescentemente questionado, não apenas pelo próprio governo, mas também por diversos analistas que buscaram se aprofundar nos dados acerca do mundial. A crença que se produziu de que os recursos destinados à promoção da Copa do Mundo poderiam resolver problemas sociais crônicos do Brasil também é descontruída quando se debruça sobre os reais custos do evento e compara-se com a necessidade de recursos para as áreas sociais.

Ao mesmo tempo, a visão otimista de que a Copa do Mundo FIFA 2014 serviria como trampolim para o Brasil superar seus históricos problemas de infraestrutura logística mostrou-se igualmente falsa, particularmente diante da imensa dificuldade de planejamento e execução de grandes obras por partes de todos os entes federativos brasileiros. Este curto texto busca organizar o debate sob o prisma econômico acerca do que ficou conhecido como “legado da Copa”, apontando os pontos positivos e negativos na organização do mundial em território brasileiro.

Impactos econômicos: investimentos, despesas e arrecadação prevista com o mundial.

A Copa do Mundo FIFA 2014 será uma força propulsora da economia brasileira neste ano e nos próximos. Segundo estudo da Ernest&Young/FGV, o evento deverá injetar R$ 112,79 bilhões na economia brasileira, entre os efeitos diretos e indiretos. Por se tratar de um evento privado que necessita de uma ampla estrutura para sua realização (como aeroportos, portos, rodovias, modais viários urbanos, amplo aparato de segurança e estádios modernos), os custos das obras necessárias para a realização do mundial certamente recairiam majoritariamente sobre os ombros do governo federal e dos governos estaduais e municipais, mas criou-se a esperança de que o setor privado arcaria com boa parte dos custos de construção dos estádios. A baixa participação de empresas privadas na construção dos Estádios, juntamente aos recursos federais destinados para este fim repassados pelo BNDES, fortaleceu o discurso daqueles que enxergavam na Copa da FIFA apenas uma fonte de gastos públicos que não trariam o devido retorno econômico e social para o país. Este tipo de interpretação, que crescentemente ganhou força até abarcar quase metade da população1, passou a perder credibilidade nos meses recentes com a qualificação do debate acerca dos reais custos da Copa e seu legado.

“La copa del mundo será una fuerza propulsora de la economía brasileña en este año y en los próximos […] La baja participación de empresas privadas en la construcción de los estadios fortaleció el discurso de aquellos que veían a la copa sólo como una fuente de gastos públicos que no traerían el debido retorno económico y social para el país”

Os investimentos públicos totais na Copa do Mundo FIFA 2014 no Brasil alcançaram a casa dos R$ 25,8 bilhões de reais neste ano2, sendo R$ 24 bilhões já contratos e R$ 16,6 bilhões executados. Nestes cálculos, não estão inclusos os investimentos privados, que ampliaram enormemente a rede hoteleira, assim como a infraestrutura turística das cidades-sede. A divisão dos gastos públicos também revela as prioridades do governo na construção da infraestrutura do evento, com especial destaque para os investimentos em mobilidade urbana e aeroportos. A conta de R$ 8 bilhões em empréstimos do BNDES para a construção das 12 Arenas do evento deve ser considerada a parte, tendo em vista que na realidade estes recursos irão retornar ao banco público acrescidas de juros3. Os quase R$ 17 bilhões de reais restantes dos investimentos públicos se direcionaram principalmente para as áreas de mobilidade urbana (R$ 8,14 bi), ampliação e modernização de aeroportos (R$ 6,28 bi) e compra de equipamentos de segurança pública (R$ 1,87 bi). Ou seja, percebe-se que a maior parcela dos investimentos ficará como legado para a economia e a população brasileira, gerando empregos, renda e a infraestrutura básica necessária para o país, não apenas para a Copa, mas para seu funcionamento diário.

“La mayor parte de las inversiones se quedará como legado para la economía brasileña, generando empleos, renta y una infraestructura básica necesaria para el país”

Um desafio, no entanto, é acelerar o ritmo de execução das obras, fato que será notado pela não entrega dentro do prazo de diversas obras que integravam o caderno de encargos da Copa. Dos R$ 8,14 bilhões de reais destinados para investimentos em mobilidade urbana, apenas R$ 3,22 bilhões haviam sido efetivamente executados até o mês de maio, faltando ainda mais de 50% dos gastos a serem executados após o término do evento. Estes atrasos na execução dos investimentos decorrem de uma série de problemas institucionais do Estado brasileiro que, desarticulado e desmontado ao longo do período neoliberal, possui pouca capacidade de planejamento e execução e complexas e redundantes estruturas de controle. Sendo assim, há problemas diversos na elaboração de projetos enquanto há diversos órgãos de controle que, pouco comprometidos com a execução e andamento dos trabalhos, preferem paralisar as obras ao invés de encontrar soluções criativas e rápidas para os problemas encontrados.

Do ponto de vista da arrecadação, a Copa do Mundo deverá ser uma grande fonte de receita para o governo e para o setor privado. Apenas no setor de turismo, são esperados mais de 600 mil estrangeiros4, que gastarão uma média de US$ 500 dólares por dia no país ao longo de um período médio de estadia de dez dias, injetando R$ 6,7 bilhões na economia brasileira5. Segundo o estudo já citado elaborado pela Ernest&Young, o mundial deve acrescentar 0,4% ao crescimento do PIB nacional por ano entre 2010 e 2019, gerando arrecadação extra de R$ 18,1 bilhões para União, estados e municípios até 2014.

“Según un estudio de Ernest&Young, el mundial debe incrementar 0.4 % el crecimiento del PBI nacional por año entre 2010 y 2019”

Os impactos indiretos do evento também serão vultosos: Calcula-se que 332 mil empregos diretos foram gerados como decorrência do mundial, assim como 381 mil empregos temporários6, além do treinamento de 157 mil pessoas nos cursos do PRONATEC Turismo – Copa 20147. Apenas na construção dos Estádios, foram gerados 24.500 novos empregos. Segundo estimativas da Ernest&Young/FGV, este número é bastante superior quando se acrescentam os empregos indiretos gerados pelo mundial entre 2010-2014, alcançando a casa dos 3,6 milhões de novas vagas criadas e R$ 63,48 bilhões de renda para a população8. Do ponto de vista do turismo, a Copa traz um enorme potencial futuro para o setor, que além do crescimento de 79% do fluxo de visitantes em 2014, poderá ter um impacto ainda maior nos anos subsequentes a depender da qualidade do evento e da visibilidade positiva que ele pode gerar.

Conclusão

Como é possível se verificar pelos dados, os impactos econômicos da Copa são positivos e devem compensar os gastos com investimento do governo federal que, em sua maioria, ficarão como legados para as cidades e estados sede do evento. Obras em aeroportos, ampliação e modernização da rede de transporte público urbano, novosequipamentos de segurança, ampliação da rede de celular e internet 4G, da rede hoteleira e mesmo os novos estádios, tudo isso ficará como legado da Copa para o povo brasileiro usufruir após o evento. São obras de infraestrutura há muito necessárias, mas que foram aceleradas e priorizadas com a aproximação do evento internacional. Além disso, os impactos indiretos gerados pelo evento, tanto no setor de turismo quanto os empregos gerados na economia como um todo, parecem compor um cenário muito mais positivo do que aquele propalado nos últimos anos por vastos setores da imprensa nacional, criando-se a falsa impressão de que a Copa do Mundo era um péssimo negócio para o país.

“Los impactos económicos de la copa son positivos y deben compensar los gastos del gobierno federal que, en su mayoría, quedarán como legados par las ciudades y estados sede del evento (…) Como aspecto negativo, se resalta la baja capacidad de ejecución del Estado brasileño, eventuales casos de sobrefacturación y los impactos sociales indirectos”

Como aspectos negativos, ressalta-se a confirmação da baixa capacidade de execução orçamentária do Estado Brasileiro, eventuais casos de suspeita de superfaturamento nas obras e os impactos sociais indiretos, como a realização de remoções forçadas ou desapropriações ilegais para a consecução de obras voltadas para o mundial por parte dos governos estaduais e municipais. Por fim, talvez o maior impacto negativo da Copa tenha ocorrido sobre o humor e o espírito de boa parte da população brasileira que, convencida pelo bombardeio midiático diário de que a Copa era um antro de corrupção que não traria nenhum legado positivo para o país, passou em alguns momentos a se posicionar contra a realização do evento, desconhecendo de todo os impactos reais do evento. Deste ponto de vista, a pouca capacidade do governo de promover uma verdadeira campanha de esclarecimento acerca do mundial antes das versões catastrofistas prevalecerem no debate também aparece como aspecto negativo, ao mesmo tempo em que revela a força da mídia empresarial oligopolizada no debate público nacional.

Referencias

1 . Segundo pesquisa DATAFOLHA deabril de 2014, 41% dos pesquisados se posicionaram contra a realização da Copa do Mundo, enquanto 48% se mostraram favoráveis. A parcela daqueles que acreditam que a Copa trará mais benefícios do que prejuízos som apenas 33%, enquanto os que acreditam que trará mais prejuízos do que benefícios alcançam a casa dos 49%.

2. Dados consultados no “Portal da transparência Copa” (http://www.portaltransparencia.gov.br/copa2014/home.seam) do governo federal em 30 de maio de 2014.

3. Obviamente um empréstimo não pode ser considerado gasto, já que ele retornará aos cofres do banco acrescido de juros. A questão é o diferencial de juros de um empréstimo do BNDES e dos títulos do tesouro, que são a forma de captação de recursos do banco através de aportes do Tesouro nacional. Esse diferencial hoje se encontra próximo a 5% ao ano, o que levaria a uma conta aproximada de R$ 1,1 bilhão de subsidio creditício ao longo de todo o prazo de decorrência do empréstimo. Este é o custo fiscal real para o tesouro dos empréstimos do BNDES para as Arenas.

4. Segundo pesquisa realizada pela agência Moodys, disponível em https://www.moodys.com/research/2014-FIFA-World-Cup-Brazil-A-Quick-Score-for-the–PBC_166461para assinantes.

5. Previsões da consultoria Capital Economics.

6. Fonte: Rego etalli, 2013. A copa do mundo FIFA como gerado de emprego. Revista Intercontinental, volume 3, suplemento 2. Disponível em http://www.revista.universo.edu.br/index.php?journal=gestaoesportiva&page=article&op=view&path%5B%5D=1094&path%5B%5D=815

7. Fonte: Balanço da Copa – Setembro de 2013, disponível no site Portal da Transparência da Copa

8. Estes empregos em sua maioria são considerados empregos temporários, com duração para um ano. A possibilidade de se tornarem permanentes depende de diversos fatores não contemplados na pesquisa

http://coyuntura.sociales.uba.ar/518/