Brasil: mercados reaccionan contra reelección de Dilma, quien prometió prontas reformas económicas

“MUDANÇA NA ECONOMIA A PARTIR DA PRÓXIMA SEMANA

Na segunda entrevista concedida à imprensa, após a vitória no segundo turno, a presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou, à TV Globo, no Jornal Nacional, que não irá esperar a conclusão do primeiro mandato para mudar a política econômica do governo.

“Externei ontem que não ia esperar a conclusão do primeiro mandato no sentido de melhorar o crescimento da economia. Eu vou abrir o diálogo com todos os segmentos. Quero dialogar com os setores empresariais, financeiros, com o mercado, fora do mercado, qual o caminho do Brasil. Pretendo colocar de forma muito clara as medidas que vou tomar. Mas não é hoje. Será antes do final do ano. Vou fazer neste mês que se inicia na próxima semana””, disse.

Abaixo os principais assuntos:

Instabilidade econômica

“Eu não acredito em instabilidade política por se prender e condenar corruptos e corruptores. Acredito que o Brasil tem uma democracia forte. Temos que tomar uma atitude que interrompa a cultura de impunidade. Doa a quem doar temos que fazer justiça. Se alguém errou tem que ser punido. O que deve levar a instabilidade política é a manutenção da impunidade. Farei o possível para colocar às claras o que aconteceu neste caso da Petrobras e qualquer caso que apareça. Vou fazer questão que a sociedade saiba de tudo. Não concordo que isso leve à crise”, afirmou.

“Reconciliar a Nação”

“Acredito que a democracia é um dos mais importantes fatores para que um país não só possa mudar, mas o faça de forma pacífica e ordeira. Mesmo com muitas posições nestas eleições, havia um sentimento comum: a busca por um futuro melhor para o Brasil. Essa busca é a base da nossa união. Isso significa abertura, disposição para dialogar, construir pontes. Garantir a mudança. Temos que ser capazes de garantir as mudanças e reformas que o Brasil precisa e exige. Essa é a base comum entre nós. A grande palavra neste momento é o diálogo. Dialogar com as forças sociais, produtivas, do setor financeiro e com todos os clamores da população. E temos um compromisso: assegurar que tenhamos um país mais moderno, produtivo, inclusivo. É preciso dar oportunidade para todos e combater a corrupção, sem tréguas”.

Reforma política

“Recebi durante a eleição um conjunto de segmentos, como CNBB, OAB, segmentos sociais e a juventude, e uma proposta de consulta popular para se fazer a reforma política. É essencial. Acredito que o Congresso vai ter sensibilidade para perceber que isso é uma onda que avança”.

Brasil 247

 

Petrobras cai mais de 12% e puxa queda da Bovespa

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 2,77% nesta segunda-feira (27), aos 50.503 pontos, após ter recuado mais de 6%, em reação à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

As ações da Petrobras despencaram 12,33% e da Eletrobras, 11,68%. Já os papéis do Banco do Brasil caíram 5,51%.

A Bovespa abriu as suas atividades em queda de 1,44% aos 51.191 pontos. Os recibos de ações da Petrobras chegaram a registrar recuo superior a 15% na pré-abertura do pregão em Wall Street, na manhã desta segunda, a US$ 10,95.

Já o dólar fechou em alta de 2,68%, cotado a R$ 2,5229, o maior valor desde 2005. A moeda chegou a disparar mais de 4% logo após a abertura dos negócios, indo ao patamar de R$ 2,56 e voltando às máximas desde 2008, quando atingiu R$ 2,6190 em dezembro daquele ano.

Nesta manhã, o Banco Central vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem à venda futura de dólares, pelas atuações diárias. Foram vendidos 3,1 mil contratos para 1º de junho e 900 contratos para 1º de setembro de 2015, com volume equivalente a US$ 197,2 milhões.

O BC também vendeu a oferta total de até 8 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 3 de novembro.

Jornal do Brasil

 

PT defenderá reforma política e regulação da mídia como prioritárias

A reforma política e a regulação dos meios de comunicação serão defendidas pelo PT como ações prioritárias no próximo mandato de Dilma Rousseff, reeleita nesse domingo (26) para mais quatro anos de governo, disse hoje (27) o presidente nacional do PT, Rui Falcão, em entrevista à imprensa, na cidade de São Paulo.

“Sobre a democratização dos meios de comunicação, que não afeta a mídia impressa, mas se dirige aos veículos que são detentores de concessões de serviço público de radiodifusão, a Constituição prevê, em seu Artigo 220, a mais ampla liberdade de expressão de pensamento, que defendemos ferrenhamente. Agora, o mesmo item que trata da comunicação social, proíbe a existência de oligopólios e monopólios na comunicação. Nós do PT vamos continuar insistindo para regulamentar [de acordo com] a Constituição no que diz respeito a esses artigos. Considero essa uma das mais importantes reformas do Brasil ao lado da reforma política”, disse.

Sobre a reforma política, Falcão lembrou que já existe uma proposta feita pela presidenta, com 189 assinaturas, convocando o plebiscito. As questões que estarão no plebiscito, acrescentou, ainda serão objeto de debate.

O presidente do PT também falou que o partido não vai determinar quem será o próximo ministro da Fazenda do governo Dilma e que não se oporia à indicação de alguém que não fosse do partido. “O partido não manda no governo e o governo não controla o partido. É natural que a gente seja ouvido [sobre a indicação do ministro]. Se for um quadro preparado e leal ao programa de governo e que a maioria do povo brasileiro aprovou, não haveria restrição a isso”.

Para ele, o fato da eleição no segundo turno ter sido muito disputada, com Dilma sendo reeleita com 51,64% dos votos contra 48,36% de Aécio Neves (PSDB) recebeu 48,36%, demonstrou um “sentimento de mudança muito forte no país”. E admitiu que o PT possa fazer mudanças. “É natural que depois de 12 anos de governo e sendo a gente um partido com muitas propostas e aguerrimento na militância, haja aqui e ali resistência ao partido. Mas o que a eleição mostrou é que a maioria da população brasileira votou com a Dilma e com o PT. É claro que o partido está sempre aberto e vai fazer isso, está se renovando e está se reestruturando”, disse.

Rui Falcão manifestou sua alegria coma vitória nas eleições presidenciais deste ano. “Tanto que estou sem voz. A campanha de 1989, que também foi muito disputada, foi uma campanha épica. Essa que fizemos agora foi dramática até o final, mas um drama com final feliz para nós”.

Ele negou que o Brasil saiu dividido das eleições. “Não acredito nessa divisão até porque o Brasil é um só e os dois candidatos foram votados no Brasil inteiro”, disse. “Não vejo necessidade de pacificar o país porque ele não está conflagrado. É natural que nas democracias, nos regimes presidencialistas, o governo dialogue permanentemente com a oposição. E é natural que a oposição se constitua como tal, que fiscalize, que critique, que proponha e que derrote projetos do governo. Esse diálogo vai ser mais exercitado agora, assim que começarem as tratativas políticas para a constituição do novo Parlamento”, acrescentou.

O presidente do PT também comentou sobre a operação Lava Jato [que investiga um esquema de corrupção na Petrobras], dizendo que o partido já se dirigiu ao Supremo Tribunal Federal e também à Procuradoria-Geral da República para solicitar acesso aos termos da delação premiada. A intenção, segundo ele, é verificar se há alguma delação referente a militantes do partido. “A alusão genérica ao PT atinge a todos nós e é preciso que isso seja personalizado. Se isso existir e é preciso que haja provas comprovando a participação de qualquer filiado nosso a crimes, o PT tomará as providências previstas no estatuto do partido [contra o militante]”.

Para o tesoureiro e coordenador financeiro da campanha de reeleição de Dilma à Presidência, Edinho Silva, a eleição demonstrou que será necessário que o Congresso faça “uma nova regulamentação eleitoral, tornando os elementos mais equânimes na disputa”. “A democracia se consolida quando há condições igualitárias na disputa e esse é um processo que temos que avaliar. Temos que fazer não só a reforma política, mas uma reforma eleitoral que torne, cada vez mais, as disputas equânimes”, disse.

Edinho ressaltou que a derrota significativa do partido no estado de São Paulo não se deve a uma desorganização do PT, mas é resultado das manifestações de junho do ano passado, que para ele foram “um divisor histórico”, e também aos ataques sofridos pelo partido no estado. Outro fator que explicaria a derrota do partido em São Paulo seria a criação de uma nova classe média que teria sido influenciada por setores mais conservadores. “O que penso é que os setores médios desses bairros [da zona leste da capital paulista, antigo reduto petista] tiveram uma contaminação da opinião pública de setores médios mais tradicionais da cidade de São Paulo”.

Agencia Brasil