5ª Marcha de las Margaritas: con la presencia de Dilma, 70 mil mujeres rechazan intentos de golpe en Brasil

Margaridas afirmam: ‘não vai ter golpe!’

“Não vai ter golpe”, afirmaram à presidenta Dilma Rousseff as 70 mil mulheres que participaram da 5ª Marcha das Margaridas, o maior movimento de mulheres do continente, nesta quarta (12), na capital federal. “Nós podemos envergar, mas nós não quebramos: nós seguimos em frente”, respondeu a presidenta, que participou da cerimônia de encerramento da marcha, no estádio Mané Garrincha.

Desde a abertura, na noite de terça (11), o clima do evento era de muita emoção e muita disposição para a luta em defesa do governo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou da cerimônia, defendeu sua sucessora e deu o tom do que se tornaria a análise de conjuntura corrente entre o movimento das mulheres. “Algumas pessoas não perceberam que a eleição acabou dia 26 de outubro e que a Dilma é presidenta deste país”, afirmou.

Na marcha que parou Brasília na manhã desta quarta, a defesa do governo eleito e da democracia já era pauta corrente. “No meu país, eu boto fé, porque ele é governado por mulher”, cantavam as margaridas. Nos discursos e nas palavras de ordem, se destacava à crítica ao pacote de ajuste fiscal e aos cortes de verbas para as áreas sociais, especialmente saúde e educação. Mas não se falava em golpe ou impeachment.

Na sessão solene realizada pelo Congresso Nacional em homenagem às margaridas, a defesa do governo eleito democraticamente também deu a tônica dos discursos. Autor do requerimento para a homenagem, o deputado Odorico Monteiro (PT-CE) pediu que a mobilização servisse de exemplo para a defesa da democracia e contra o golpe. “É preciso que se respeite a democracia e as vozes das ruas. Não aceitaremos investidas golpistas”, afirmou.

A senadora Vanessa Graziotin, que presidiu a sessão, também criticou aqueles que tentam alterar o resultado das urnas e enalteceu a pauta de reivindicação das mulheres, que incluía a reserva de cadeiras do parlamento nas próximas eleições, matéria que já estava na pauta do dia para ser votada. “Nós não conseguimos a reserva de 50% das cadeiras, mas queremos garantir pelo menos 10% para depois irmos ampliando”, explicou.

Vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), a principal entidade organizadora da marcha, Carmem Foro falou ao parlamento da extensa pauta de reivindicações das mulheres. “A Marcha das Margaridas, há 15 anos, vem à Brasília trazendo mais do que uma pauta de reivindicações, mas uma plataforma política para o Brasil”, justificou.

Entre as reivindicações ao parlamento, ela destacou a descriminalização do aborto, a não precarização das relações do trabalho, a manutenção da atual definição de trabalho escravo, a não aprovação do PL que retira a obrigatoriedade da Petrobrás ser a exploradora do pré-sal. A militante também criticou as manobras realizadas pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que resultaram na aprovação de uma reforma política contrária aos interesses do povo.

Mais tarde, no encerramento do evento, no estádio Mané Garrincha, a coordenadora da marcha, Alessandra Lunas, confessou que foi muito cobrada se o movimento iria, de fato, defender a permanência de uma presidenta desgastada inclusive por medidas contrárias aos interesses dos trabalhadores. Ela, porém, disse que as margaridas jamais tiveram dúvidas do que querem. “As margaridas estão juntas à presidenta Dilma sim, porque esse é um governo no qual nos sentimos incluídas”, justificou.

Para Lunas, quem representa perigo de retrocesso para as mulheres e a classe trabalhadora não é o governo federal, e sim o congresso que aprova pautas como a redução da maioridade penal e a contrarreforma política. “Estaremos nas ruas quantas vezes forem necessárias para defender o projeto que nos representa”, destacou.

Risonha e bastante à vontade, a presidenta Dilma Rousseff cumprimentou as margaridas com entusiasmo, fez selfies, beijou e abraçou várias delas. Usou o chapéu símbolo do movimento. Agradeceu o apoio e o carinho. Confessou estar emocionada. Aos coordenadores do movimento, entregou a resposta do governo à pauta de reivindicações. E reiterou a disposição para a manutenção do diálogo em relação às pautas que não pode atender.

Dilma anunciou uma série de inciativas que seu governo pretende tomar em defesa das mulheres, especialmente no meio rural. Entre elas, a implementação das Patrulhas Rurais Maria da Penha, que visam acabar com a violência contra a mulher no campo. A presidenta ressaltou várias ações voltadas para o atendimento integral à saúde da mulher no campo, incluindo a entrega de 109 unidades móveis odontológicas.

Ela também se comprometeu a lançar, até 2018, 1,2 mil espaços para creches, inclusive no meio rural. “Nós queremos instalar pelo menos um módulo nas escolas rurais existentes”, explicou. E anunciou a instalação de mais 6 mil cisternas de produção, para projetos ecológicos no semiárido. Dilma assinou, ainda, dois decretos que beneficiam as mulheres do campo: o que atualiza a Política Nacional de Crédito Rural e o que estabelece o direito à aposentadoria especial para aquelas que atuam no setor da pesca.

A presidenta também falou do momento complicado pelo qual passa seu governo e pediu o apoio das mulheres. Dilma, que se definiu também como uma margarida, afirmou que continuará trabalhando para honrar e realizar o sonho de todas as mulheres do movimento. “Nós, margaridas, não permitiremos que haja qualquer retrocesso nas conquistas sociais e nas conquistas democráticas do nosso país”, garantiu.

Somos todas margaridas

Reconhecido como o maior movimento de mulheres da América Latina e um dos maiores do mundo, a Marcha das Margaridas reúne camponesas, extrativistas, indígenas, quilombolas e pescadoras de todas as regiões do país. A manifestação de rua que ocupou a capital federal nesta quarta (12) é realizada de quatro em quatro anos, desde o ano 2000.

A escolha do nome e da data é uma homenagem à Margarida Maria Alves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, que foi assassinada em 12 de agosto de 1983, a mando de latifundiários da região. Por mais de dez anos à frente do sindicato, Margarida lutou pelo fim da violência no campo, por direitos trabalhistas e pela equiparação de gênero. “É melhor morrer na luta do que morrer de fome”, é sua frase mais célebre.

Na pauta do movimento deste ano, estão reivindicações históricas da luta das brasileiras, como o fim da violência contra a mulher e as defesas da agroecologia, da soberania alimentar e do desenvolvimento sustentável, mas também temas mais pontuais da conjuntura, como a reforma política reivindicada pelo povo, a não redução da maioridade penal e o fim das terceirizações.

Carta Maior