Maniobras militares en la triple frontera de Brasil, Perú y Colombia: ¿cuál es la intención de EEUU?

El mayor ejercicio militar operado por las fuerzas brasileñas, AmazonLog 17, se lleva a cabo desde este lunes con la participación de efectivos de Colombia, Perú, el Comando Sur y la Guardia Nacional estadounidense.

Cerca de dos mil soldados se instalaron en la triple frontera de Colombia, Brasil y Perú, con la excusa de ensayar situaciones de emergencia humanitaria hasta el próximo 13 de noviembre en la región de Tabatinga, territorio donde solo hay acceso en barco o avión.

Partidos de oposición al actual Gobierno brasileño interino de Michel Temer, debatieron en la Cámara de Diputados sobre la situación de apoyo de Estados Unidos en esta operación militar.

Procedimiento intervencionista

En una entrevista exclusiva para teleSUR, la analista internacional Ana Esther Ceceña explicó cómo esta campaña militar ejecutada por el Gobierno brasileño y respaldada por EE.UU. es una operación para acabar con los Gobiernos progresistas en América Latina.

Ceceña explicó que “el objeto del Ejército de EE.UU. que se encuentra entre Brasil, Perú y Colombia es tener una posición preparada, y dejar una base montada para cualquier momento que se requiera una intervención o una respuesta que pueda ser una contingencia generada por las presiones que ejerce el propio ejército de Estados Unidos en la región”.

Según Ceceña, la idea es que a partir de las instalaciones que se monten en las fronteras una posible intervención en el territorio venezolano pudiera ser más fácil y más rápida, y presentada, no como invasión de Estados Unidos a Venezuela, sino como una acción de fuerzas combinadas de ejércitos de región argumentando una amenaza a la seguridad hemisférica.

Agregó que “los ejércitos de Colombia, Brasil y Perú tendrían la posibilidad a partir de allí de movilizar, tanto en Venezuela como en Bolivia, una amenaza directa a aquellos Gobiernos que están de algún modo confrontando las políticas hegemónicas pero también de aquellos países que hay enormes riquezas naturales”.

Por su parte, el senador por el Polo Democrático Alternativo de Colombia, Iván Cepeda, se declaró en una entrevista para teleSUR, preocupado por “el ascenso del militarismo e intervencionismo en el continente en la última década, y particularmente en la región andina”.

“Todo eso nos preocupa más bajo una administración de Donald Trump, que no ha ahorrado ninguna clase de declaraciones y de acciones pendientes en agudizar por la vía militar, por la vida de agresiones, por la vía de intervención de situaciones en todo el mundo”, agregó el senador.

La presencia de los ejércitos estadounidenses suponen un tipo de intervención, auspiciado por los gabinetes derechistas de los países latinoamericanos, que buscan adueñarse de las riquezas naturales de la región de América Latina, y acabar con los Gobiernos progresistas.

Telesur


Atendimento em Tabatinga marca início do exercício militar humanitário na Amazônia

A participação dos militares no exercício internacional de simulação de ajuda humanitária na Região Amazônica, AmazonLog17, começou (6) com a prestação de atendimento de saúde a moradores do município de Tabatinga e da região do Alto Solimões, na tríplice fronteira do Brasil com o Peru e a Colômbia. Desde o início da manhã, pessoas aguardavam a distribuição de senhas para realizar consultas médicas.

As ações de treinamento de ajuda humanitrária envolvem militares dos três países, além de um contingente dos Estados Unidos e observadores internacionais. A simulação conjunta que acontece até o dia 13 de novembro abarca uma série de atividades, como treinamento para resgates, suprimentos, manutenção e transporte, além de prestação de serviços de saúde.

Durante o exercício, o Exército estima realizar cerca de 450 a 500 atendimentos diários às populações indígenas e ribeirinhas do Brasil e dos países vizinhos, nas especialidades de clínica geral, pediatria, ginecologia e oftalmologia. Além da estrutura do hospital militar de Tabatinga, parte dos atendimentos também é feita no hospital de campanha montado na base multinacional que abriga os militares participantes do evento.

A Agência Brasil acompanhou o início dos trabalhos e conversou com o casal Maria Cauaxe de Souza, 63, e Alberto Cauaxe de Souza, 72, os primeiros a chegar para receber as senhas distruídas pelos militares.

Travessia de três horas

Para assegurar o atendimento, o casal de agricultores andou cerca de três horas para atravessar o assentamento Tacana, localizado na comunidade Bom Jesus, na zona rural de Tabatinga. “A estrada está dificil, choveu. Quando está no verão, é bonito, mas quando chove acaba”, resumiu Alberto.

Eles foram avisados sobre a ação no posto de saúde da comunidade. “De lá, eles mandaram a gente para cá”, disse a agricultora. “Eu sinto fraqueza no corpo, doía a minha cabeça e procurei vir ao médico para ver o que está acontecendo”, afirmou Maria.

De mais longe veio o jovem Frank Mendonça da Silva, 25 anos, acompanhado do pequeno Jonatan Lorenzo Mendonça Lopes, de pouco mais de 1 ano e meio. Pai e filho tiveram que atravessar de barco, durante dois dias, do pequeno município de Tonantins a Tabatinga.

Localizado no sudoeste do Amazonas e distante cerca de 870 km de Manaus, o pequeno município, com pouco mais de 20 mil habitantes chegou a constar, até o final de outubro, na lista de municípios atingidos pela enchente do Rio Solimões este ano. “A cidade tem até posto de saúde, mas não tem os recursos que tem por aqui. Falta médico. Daí ou a gente vem para cá ou para Manaus”, contou Frank, que há cerca de um ano está desempregado.

Silva relatou que o filho tem um problema na perna, adquirido após uma queda recente. “Ele está puxando a perna e a gente veio para cá para trazer no pediatra. Como tem esse evento, trouxemos ele aqui”, disse.

Enquanto aguardava o atendimento do clínico geral, a agricultora Maria Vanice Ferreira, 51 anos, relatou que é comum a população atravessar a fronteira em busca de atendimento na vizinha colombiana Letícia.

“Estou sentindo dor nos rins e, sexta-feira, deu febre alta. Eu sofro do fígado e eu não sei se é tudo isso. Aí eu vim aqui para ver como é que vai ficar, porque aqui [na Região] alguns atendimentos tem somente em Letícia, mas pagando com dinheiro”, disse Maria Vanice. “Quando a gente não tem dinheiro, não pode fazer nada, fica dificil”, acrescentou.

Bem-humorada, Maria Vanice relatou que também veio saber sobre a possibilidade de um atendimento para o esposo, Raimundo Ferreira, 62, anos, que sofre de diabetes e apresenta problemas na visão em decorrência da doença. “O caso dele é sério: esse AVC [acidente vascular cerebral], já deu seis vezes nele. Eu já disse que ele é igual gato: tem sete vidas”, brincou.

Carência de unidades de saúde

Tabatinga tem apenas uma unidade de pronto atendimento e algumas unidades básicas de saúde. A maioria dos atendimentos fica a cargo do Hospital de Guarnição do Exército. No fim de outubro, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) começou a investigar uma denúncia de falta de oxigênio medicinal nos hospitais do município.

Uma das responsáveis por coordenar a distribuição dos atendimentos, a major do Exército Sonia Alves disse que o exercício acaba sendo uma forma de conhecer um pouco mais sobre a região. “A gente chega aqui e vê a carência que tem de profissionais, de clínicas”, disse a militar, que há dois anos serve em Manaus.

Pela primeira vez na região, o tenente médico do Exército Jorge Lanzelotti se surpreendeu com a receptividade da população. “Estou encantado com a riqueza natural e com a população, que nos recebe de forma bem calorosa. É gratificante para a gente estar junto à população, isso ratifica a necessidade do nosso trabalho”, disse.

Ao avaliar a estrutura montada para o exercício de simulação, o tenente disse que treinamentos como esse evidenciam a capacidade abrangência do serviço de saúde do Exército. “Eu sou um recurso que está lotado no Rio de Janeiro, mas que pode ser empregado em qualquer lugar, dependendo da necessidade que surgir”, afirmou.

AmazonLog

São esperados para o AmazonLog cerca de 2 mil participantes. Além dos exércitos do Brasil, da Colômbia e do Peru, o evento tem a presença de militares dos Estados Unidos. Do Brasil, participarão cerca de 1.550 militares; a Colômbia deve enviar 150; o Peru, 120 e, os Estados Unidos, 30. Outros países, como Alemanha, Rússia, Canadá, Venezuela, França, Reino Unido e Japão levarão menos de dez representantes cada. A maioria dos militares começou a chegar ontem (5) à cidade.

A atividade envolve unidades de transporte, logística, manutenção, suprimento, evacuação e engenharia. No caso de catástrofes, por exemplo, requer o planejamento logístico de deslocamento de equipamentos, suprimentos e equipes até o local da ação. Durante o treinamento, são realizadas simulações do preparo da área, do atendimento aos feridos e da evacuação do local.

Segundo o Exército, parte da estrutura montada para o AmazonLog17 ficará como benefício para a cidade, a exemplo da manutenção realizada na rede elétrica de parte da cidade. O local de realização do exercício de logística poderá ser posteriormente transformado em área de lazer para a população.

Além de capacitar militares das Forças Armadas, o evento também tem como objetivo promover uma atuação mais integrada das instituições que atuam em catástrofes naturais e acidentes, como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, secretarias estaduais e polícias militar e civil.

Acrítica