Brasil: Lula reafirma su candidatura presidencial y rechaza la intervención militar en Río de Janeiro

Mientras se perfila como favorito, Lula confirmó su candidatura a las elecciones

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente de Brasil entre 2003 y 2010 y líder en todas las encuestas de cara a los comicios de octubre de este año, confirmó esté miércoles en un acto en Belo Horizonte: “Soy candidato”.

“Voy a regresar para garantizarle a este pueblo el derecho de vivir mejor”, sostuvo el exmandatario durante su discurso.

“Aprendí a no bajar mi cabeza. Quiero decirles a aquellos que no quieren que yo sea candidato que aprender a lamer sus heridas y permitan que la democracia venza”, continuó.

Además, expresó: “El problema no es Lula, son los millones de Lulas. Pueden intentar acabar conmigo, contar la cantidad de mentiras que cuentan, liderados por la Red O Globo, pueden intentar demonizar al PT. No soportan que el pobre viaje en avión”.

“Es la única explicación que yo encuentro al por qué nos odian tanto. Sólo así consigo entender porque odian a un presidente que dejó su cargo con el 87% de aprobación”, remató.

La confirmación del líder del izquierdista Partido de los Trabajadores (PT) toma especial relevancia ya que el 24 de enero fue condenado a 12 años de prisión por corrupción y se presume que próximamente será arrestado y quedará fuera de la contienda electoral.

Ámbito Financiero


Lula em BH: “Disputem comigo para ver quem ganha e quem tem melhor proposta”

Um dia cheio de emoção, contato humano e olhos nos olhos. Foi essa a marca da quarta-feira (21) de Lula em Minas Gerais. Cheia de abraços, mensagens de esperança e lembranças vivas do incomparável legado de seus anos na Presidência da República, a viagem do ex-presidente se encerrou com um grandioso ato na capital mineira, onde foi feito o lançamento de sua pré-candidatura às eleições de 2018.

“Fui visitar um acampamento dos trabalhadores sem-terra e, depois, tive a grata satisfação de visitar uma antiga colônia de hansenianos em Betim. Pude compartilhar um pouco do meu tempo com aquela gente que, durante muito tempo, não pôde compartilhar tempo com ninguém˜, resumiu.

Aí está a chave do que diferencia Lula dos nomes que se colocam contra ele no mundo político. Na sua avaliação, o medo dos articuladores do golpe em aceitar sua candidatura vem justamente daquilo que ele mais fez em sua trajetória e que permeou a construção de seus governos e luta política: eles têm medo de ouvir a voz do povo.

“Quero que tenham vergonha na cara e respeitem o resultado eleitoral. Perdi três eleições e nunca reclamei, nunca fiz protesto. Ia para casa me preparar para outras”, resumiu. “Eu sou filho de uma mulher analfabeta que me ensinou a nunca baixar a cabeça, e por isso quero dizer aos que querem me impedir de ser candidato: tenham coragem. Aprendam a lamber suas feridas e disputem eleições comigo para ver quem ganha e quem tem a melhor proposta. Permitam que a democracia vença!”

Lula: “Estou candidato!”
Segundo Lula, o desejo dos que o perseguem é anular por completo a possibilidade de que ele seja candidato. Algo similar ao que aconteceu em 1964. “Mas golpe militar é sempre muito ruim aos olhos do mundo”, denuncia.

O “problema” que não estão vendo é que hoje Lula não é só um homem, um ex-presidente, um pré-candidato. Lula são milhões de pessoas. “O Lula incomoda muita gente, dois Lulas incomodam muito mais. Se dois incomodam, uns 60 ou 70 milhões de Lula vão incomodar muito mais!”

As tentativas de desacreditar Lula ou o Partido dos Trabalhadores aos olhos da população não são novidade. “Sempre que acham que nos destruíram, que tentam destruir o PT, nós nos reerguemos”, lembrou, citando a história de resistência e reconstrução que é símbolo desses 38 anos de partido.

“Nunca imaginei na minha vida fazer política. De repente, com vocês, criei um partido”, lembrou. “Imaginem o que é um nordestino, nascido em Garanhuns, sem diploma universitário, desacreditado pela elite brasileira, que tratava de espalhar preconceitos e boatos. Não foram poucas as vezes em que, deitado à noite com a Marisa, eu perguntava: E se a gente não der certo? E se a gente não tiver capacidade de governar? E se a gente for o fracasso que eles dizem que a gente vai ser?”

Não foi. Antes, foi a base para que tirou dezenas de milhares de pessoas da miséria. “O que me motivava era saber que eu não era resultado da minha competência. O que me motivava era saber que eu era resultado do crescimento da consciência política da nossa sociedade.”

“Eu dizia: não posso errar porque, se eu errar, esse povo pobre nunca mais levanta a cabeça para governar este país”, conta, lembrando que, desde sempre, a mídia e a oposição faziam uma torcida incansável pelo seu fracasso. “Tudo o que queriam era dizer que a elite brasileira era democrática porque tinha permitido que um peão de fábrica chegasse à Presidência, mas, coitado, não era letrado, não poderia dar certo. Eu ia passar para a História como um coitadinho.”

O que garantiu que isso não acontecesse foi o olhar sempre atento e o ouvido atencioso para o povo que o impulsionou até onde chegou.

Assim como fizeram e fazem os alunos do Prouni, Lula combateu o preconceito com uma saída inquestionável: sendo o melhor. O resultado, mais que História, virou mudança efetiva e radical na vida das pessoas, fazendo com que terminasse seus oito anos de mandato como o presidente mais popular de todos os tempos, com 83% de aprovação segundo o Ibope.

Na mesma medida em que a gratidão e a admiração no coração do povo crescia, aumentava também o ódio daqueles que nunca aceitaram que os trabalhadores e trabalhadores subissem um degrau na escala social.

“Não importa que os banqueiros tenham ganhado muito dinheiro, que as exportações tenham quadruplicado e que o país tenha deixado de ter uma dívida com o FMI para ter reservas internacionais. O que eles não suportaram foi ver o aumento de salário, a criação de 22 milhões de empregos.”

O que veio a seguir está escrito nas páginas de um golpe que tirou do poder uma presidenta legitimamente eleita e que passa pela demonização da classe trabalhadora, dos movimentos sociais e do PT. Acontece que, ao apresentar acusações com convicções, e não provas, e armarem uma absurda e injusta condenação, não contavam com a determinação de Lula e seus apoiadores em lutar para comprovar sua inocência.

“Eles estão lidando com um ser humano diferente, porque eu não sou eu, eu sou a encarnação de um pedacinho de cada um de vocês”, disse Lula. “Eu duvido que eles tenham a consciência tranquila que eu tenho. Se eu não tive coragem de com dez anos de idade roubar um chiclete no balcão, como eu ia ter coragem de roubar depois de virar Presidente da República?”

Independentemente do que aconteça na Justiça, não se pode aceitar uma decisão mentirosa, que não se baseia nos autos do processo. “Caráter, honra e vergonha a gente aprende dentro de casa com a educação!”, reitera Lula. “Eles vão ter que aprender a conviver com um inocente, uma pessoa honesta. Se estão acostumados com políticos que colocam o rabo no meio das pernas, eu digo que não tenho medo!”

E completou: “Prendam a minha carne, mas as minhas ideias continuarão!”

Gleisi: “Lula vai ser o candidato do PT e vai provar sua inocência”
Recebida com carinho e entusiasmo pelo público mineiro, a presidenta nacional do partido,  Gleisi Hoffmann, fez questão de esclarecer já no início de sua fala: “Este é um ato de defesa da democracia e de Lula, mas é também um ato de lançamento da pré-candidatura de Lula, porque Lula é nosso candidato!”

A senadora reforçou o caráter injusto e absurdo da decisão contra Lula, explicando os embargos de declaração apresentados nesta semana. Entre outras omissões, é preciso assumir que Sergio Moro não tinha competência para fazer o julgamento de Lula, algo que inclusive foi reconhecido pelo juiz, e a flagrante parcialidade do Ministério Público, com sua acusação em PowerPoint.

“Eles têm que explicar a contradição. Por que acusam o presidente se falta crime? Se ele nunca teve a propriedade do apartamento? O que fazem neste país é uma perseguição cruel!”, denunciou.

Daí, ressalta Gleisi, a importância de um ato como o da noite de quarta, que deixa claro que o Partido dos Trabalhadores e todos os homens e mulheres que acreditam e lutam por Lula e pelo seu direito de ser candidato não têm medo e continuarão resistindo.

“Lula vai ser candidato e vai provar sua inocência. Mais do que candidato do PT, Lula é o candidato de parcela expressiva do povo. Cabe ao Partido viabilizar sua candidatura”, reforçou a presidenta, voltando a afirmar que não há alternativas, ao contrário do que querem fazer crer.

“Aqueles que são contra Lula estão servindo ao atraso, mesmo que muitas vezes travestidos em um discurso progressista. O PT não tem plano B. Essa história de plano B nasce de fora para dentro. Nasce daqueles que querem enxertar na esquerda uma candidatura que não seja competitiva. Por isso vamos fazer atos como este por todo o Brasil para dizer que Lula é inocente e vai ser o nosso candidato!”, prometeu.

A intervenção no Rio de Janeiro e o golpe
O decreto do ilegítimo Michel Temer serviu de exemplo, durante o ato, para denunciar e deixar clara a diferença entre um governo que se fia pelo que dita o mercado e as elites e um líder que governa com os olhos na população.

Na avaliação do governador mineiro,  Fernando Pimentel, o objetivo da ação é colocar as Forças Armadas contra o povo e o povo contra as Forças Armadas. “Vai lá buscar o tráfico de drogas, o crime organizado, os fuzis, as toneladas de cocaína que costumam circular de helicóptero. Porque não vão guardar nossas fronteiras? O que acham que nós somos?”, questionou.

“A mentira tem limite e esse limite esta chegando, porque decidimos resistir”, afirmou. “O povo brasileiro liderado por Lula decidiu resistir. Nós queremos votar em Lula para Presidente da República!”

Na mesma linha de argumentação,  Vagner Freitas reforçou: “O Brasil precisa é de intervenção social, de geração de emprego e de renda, de saúde e de educação. O Brasil precisa do que o presidente Lula fazia, porque o que funciona é intervenção social”.

O presidente da  CUT prosseguiu: “Que o Temer não venha achar que somos crianças. O que ele quis foi criar um fator para ser Presidente da República, então, que enfrente e garanta o direito de Lula ser candidato, porque eleição sem Lula é fraude. Cada militante que enfrentou Temer para derrotar a Reforma da Previdência precisa lutar pela candidatura de Lula!

Na avaliação da senadora Gleisi, são tempos difíceis os que atravessamos, em que o Pacto Constitucional de 1988 está sendo rompido. “A violência sempre foi consequência da desigualdade. Foi nos últimos 30 anos que começamos a resolver essa situação com a Constituição de 1988, mas sobretudo com o governo de Lula, quando começamos a efetivar os direitos. Isso a elite nunca aceitou. A elite muitas vezes quer tratar a violência com mais violência, e a intervenção militar no Rio de Janeiro é não mais do que isso.”

 

PT


‘Temo que a intervenção no Rio de Janeiro seja uma pirotecnia’, afirma Lula

Em visita nesta quarta-feira (21) ao estado de Minas Gerais para participar de ato de aniversário de 38 anos do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu pela manhã entrevista à rádio Itatiaia. Durante a conversa, Lula falou sobre os recursos que tramitarão no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF), fez críticas e ponderações com relação a intervenção federal no Rio de Janeiro, analisou o cenário político para a eleição presidencial em outubro e afirmou que o Brasil precisa “voltar a sonhar”.

A seguir, os principais momentos da entrevista:

Expectativa dos recursos no processo do triplex 

“Tudo o que eu quero é que essa gente analise os autos do processo, veja as testemunhas de acusação e de defesa, e essas pessoas me declarem inocente. Vou dedicar minha vida daqui pra frente pra provar o equívoco que estão cometendo. Estou sendo vítima de uma perseguição jurídica e institucional. A única unanimidade é que a elite não quer que eu seja candidato, fora isso, tudo é possível. E para isso eles vão tentar me colocar na ilegalidade. Quero provar minha inocência. Eu não posso dizer que você cometeu um erro e não provar o erro, se não eu seria um canalha.”

O futuro do Brasil 

“Acho que eu poderia contribuir com o Brasil, ajudar o país a sair desse pantanal. O país precisa voltar a crescer, gerar emprego e sonhar. O Brasil está muito raivoso, é muito ódio espalhado em cada conversa. Acho que eu poderia contribuir, porque eu já fiz uma vez. Não vou pra uma campanha dizer o que eu acho ou penso, porque eu já fiz. O povo está perdendo a coisa mais extraordinária e que não pode perder, que é a esperança.”

Intervenção no Rio 

“Temo que a intervenção no Rio de Janeiro seja uma pirotecnia, uma coisa de interesse político. O Exército já ficou um ano na favela da Maré e, quando saiu, os problemas voltaram. Se o Estado não está presente com políticas públicas nos lugares mais pobres, a violência aparece. O Exército não está preparado pra enfrentar o narcotráfico, lidar com bandido em favela. Colocar o Exército numa tarefa dessa, depois do espetáculo, o resultado pode ser negativo.”

“É preciso ter clareza que mais ou menos violência está ligada à capacidade de desenvolvimento do Estado, e o estado do Rio de Janeiro está empobrecido, é a grande vítima da crise desse país”, afirmou o ex-presidente, citando os problemas da indústria naval e do setor de óleo e gás, o “baque” da Petrobras com a Lava Jato, além de com policiais, professores e servidores públicos sem receber salário.

“Acho que o Temer está encontrando um jeito de ser candidato à Presidência da República e achou que a segurança pública pode ser uma coisa importante pra pegar um nicho dos eleitores do Bolsonaro. Como é só uma tese minha, vamos ver o que vai acontecer. O Temer sabe que se eu disputar a eleição posso ganhar no primeiro turno, ou vou pro segundo turno. Ele sabe que se eu disputar, só tem uma vaga no segundo turno pra todos os outros candidatos. Se eu não disputar, tem duas. Então ‘vamos tirar o Lula do jogo’. Acho que o Temer está fazendo uma aposta.”

“A Marinha sabe que, se quiser diminuir o contrabando de armas e o tráfico, tem que ter estrutura pra controlar oito mil quilômetros de fronteira marítima. O Exército sabe que tem que ter estrutura pra controlar 16 mil quilômetros de fronteira seca. Essas coisas temos que discutir e apresentar pra sociedade um plano definitivo.”

Eleição 2018 e alianças 

“Me parece que a Justiça está querendo cumprir o papel da elite política e econômica que não quer que o Lula seja candidato. ‘Temos que caprichar, afinal, tiramos a Dilma com um golpe pra deixar esse baixinho voltar? Não pode.'”

“Isso de ‘PMDB nunca mais’ é uma bobagem. Como o Pimentel vai governar Minas Gerais sem o PMDB? O PMDB de Minas é um aliado importante e boa parte se colocou contra o impeachment.O PMDB não é um partido nacional, é uma federação de grupos regionais e cada um é um PMDB.”

“Quero ganhar as eleições pra melhorar a vida do povo brasileiro, pra fazer mais escola, gerar mais emprego, aumentar o salário mínimo, fazer o povo mais humilde comer peito e coxa de frango, não pele e pescoço. Então tenho que construir uma aliança política que me permita fazer isso, se não, eu serei o melhor candidato do mundo e não ganharei as eleições.”

Depois da entrevista, o ex-presidente Lula foi visitar um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Itatiaiuçu, na região metropolitana de Belo Horizonte. Na sequência, iria conhecer uma colônia de hansenianos, em Betim.

Rede Brasil Atual


No Rio, manifestantes marcharam pela aposentadoria e contra intervenção militar

Além das inúmeras manifestações que aconteceram no estado e na cidade do Rio de Janeiro na última segunda-feira (19), uma  marcha reuniu centenas de ativistas no centro da capital, no final da tarde. Entre os manifestantes estavam jovens, trabalhadores e aposentados insatisfeitos com a condução política do país e a intervenção militar no estado.

Apesar da suspensão de todas as Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que tramitam no Congresso, devido ao decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro, a apreensão de que a Reforma da Previdência possa retornar para a pauta faz com que os movimentos sociais estejam atentos para os próximos capítulos do desfecho político brasileiro.

Adriana Mota é militante feminista da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) no Rio. Ela explica que a Reforma teria um impacto pior na vida das mulheres devido as múltiplas jornadas de trabalho enfrentadas dentro e fora da casa.

“A Reforma da Previdência será ruim para todos os trabalhadores, mas para as mulheres  é ainda pior, porque a carga de trabalho das mulheres em casa é uma carga horária que não é reconhecida pelas leis trabalhistas e previdenciárias que a gente têm”, afirma a ativista.

Igor Barcelos é estudante do curso de História da Universidade Federal Fluminense (UFF) e integra o Levante Popular da Juventude. O jovem destaca que a questão previdenciária brasileira é central para a juventude, pois impacta diretamente no futuro profissional.

“Eu pretendo virar professor e não sei se vou conseguir me aposentar e ter uma vida digna depois de uma longa trajetória dedicada à docência, então, acho que o principal impacto apesar de todos os valores econômicos que tem por trás disso é no sonho de uma vida tranquila com alguma estabilidade no futuro”, destaca o estudante.

O ato percorreu toda a Avenida Rio Branco, no centro, até a Praça da Cinelândia. Durante o percurso houve uma parada em frente ao quadrilátero das estatais, onde ficam as sedes da Caixa Econômica Federal, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Petrobras para falas em defesa da soberania nacional.

A marcha foi acompanhada por um forte contingente de Policiais Militares do Batalhão do Choque que intimidaram os manifestantes com revistas no início e no final do ato.

Brasil de Fato


Apesar de negar uso eleitoral da intervenção no Rio, Temer prepara agenda de candidato

Enquanto tenta despistar suas intenções de vir a disputar a reeleição, o presidente Michel Temer começa a fazer movimentos na construção de sua candidatura com ações típicas de quem terá o nome nas urnas em outubro. O Palácio do Planalto está pedindo a todos os ministérios uma relação completa de realizações, possíveis inaugurações e anúncios de balanços positivos para que o presidente possa “faturar” com as ações. O governo iniciou também uma campanha publicitária para dizer que “vai tirar o Rio de Janeiro das mãos da violência”, embora a intervenção federal na Segurança Pública do estado mal tenha começado.

Após reunião da Executiva do PMDB na quarta-feira que o reconduziu à presidência do partido, Romero Jucá deixou a discrição de lado e afirmou que Temer é um nome para a eleição presidencial:

— Temer é uma opção do PMDB, se ele assim o entender. O partido defende candidatura própria. Agora, se será ou não Temer, o tempo e a própria decisão dele vão definir.

De acordo com aliados, Temer vem notando que muitos ministros fazem agendas próprias ou voltadas apenas para os seus próprios partidos. Com isso, chegam até a tentar excluir o presidente de eventos para concentrarem os holofotes em si. O drible também tem a intenção de evitar o contágio da alta rejeição de Temer, especialmente em estados do Norte e do Nordeste.

Por enquanto, estão sendo costuradas visitas para os próximos dias a São Paulo, Minas Gerais, Piauí e Pará. Neste último, Temer participará de uma cerimônia para regularização fundiária. Simbolicamente, vai contar a algumas centenas de paraenses que as casas e terras que eles temem perder por falta de documentação regular estarão salvas.

PRÉ-CANDIDATOS REAGEM

A ação na Segurança Pública no Rio é vista como um ponto de virada. O próprio marqueteiro do presidente afirmou que ele jogou “todas as fichas” na intervenção. Durante uma viagem de volta do Rio, Temer compartilhou com alguns ministros que sua ideia é “acompanhar de perto” o trabalho das forças federais. Disse ainda que, se for possível, quer ir semanalmente conferir a ação in loco. Na campanha publicitária iniciada pelo Planalto, o mote é “o governo que está tirando o país da maior recessão da sua história, agora vai tirar o Rio de Janeiro das mãos da violência”.

Tanto aliados quanto adversários passaram a reconhecer Temer como um potencial candidato. Não só por estar no cargo e dispor da máquina federal, mas também por comandar o PMDB, que possui uma forte estrutura partidária. A aprovação presidencial, porém, ainda é muito baixa, de menos de um dígito nas pesquisas.

As movimentações de Temer foram observadas pelos demais pré-candidatos à Presidência. O ex-presidente Lula disse acreditar que a intervenção no Rio é um sinal de que Temer quer disputar:

— Acho que o Temer está encontrando um jeito de ser candidato a presidente da República. E eu acredito que ele achou que a segurança pública pode ser uma coisa muito importante para pegar um nicho de eleitores do Bolsonaro — disse Lula, em entrevista à “Rádio Itatiaia”.

O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) postou um vídeo em suas redes sociais afirmando que “Temer já roubou muita coisa aqui, mas o meu discurso não vai roubar, não”. O presidente do PSDB e governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, outro possível rival no pleito, afirmou que Temer tem o direito de ser candidato

Uma das pessoas mais próximas do presidente, o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral) é apontado no Planalto como o futuro coordenador de uma eventual campanha à reeleição. Um dos principais articuladores da intervenção no Rio, foi ele quem fez relatos ao presidente sobre a situação de descontrole na segurança, sobretudo na capital. Escalado por Temer, esteve no Rio para falar com Luiz Fernando Pezão e levou o governador a Brasília para participar da reunião com o presidente que definiu a medida na semana passada.

Entre os militantes do partido, o clima de empolgação em torno da candidatura de Temer tem crescido nas últimas semanas. De grupos no WhatsApp a reuniões de núcleos internos, filiados mais engajados contam que as movimentações têm contagiado a militância.

— Não só os núcleos internos do partido, mas muitos dirigentes da Executiva, deputados e senadores da legenda que antes eram avessos à ideia de Michel ser presidenciável, agora já estão mais abertos, mais simpáticos à proposta — relata um peemedebista.

A provável candidatura tem levado assessores e coordenadores de grupos internos do partido a incentivar os filiados a participarem ativamente de enquetes lançadas em redes sociais para melhorar a imagem do peemedebista.

O Globo