Temer pide solucionar “pronto” el caso del crimen de la concejala Marielle Franco

Morte de Marielle Franco: ‘Determinação é apurar no menor prazo possível’, diz Temer

O presidente Michel Temer afirmou nesta segunda-feira (19) ter determinado ao interventor federal na segurança pública do Rio de Janeiro, general Walter Souza Braga Netto, que solucione “logo” o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ).

Segundo o presidente, a determinação é apurar a morte de Marielle “no menor prazo possível”.

Temer deu as declarações após ser questionado sobre o assassinato da vereadora. Marielle foi morta a tiros no último dia 14, no centro do Rio.

“A determinação é para apurar no menor prazo possível, então, [com] todos os esforços. Falei, inclusive, com o general Braga na sexta-feira para envidar todos os esforços e recursos disponíveis para logo solucionar essa questão”, afirmou o presidente, após participar da abertura do 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília.

O assassinato de Marielle causou grande repercussão em todo o país. Milhares de pessoas foram às ruas, o governo federal informou que concentrará “todos os esforços” para achar os assassinos, e a Procuradoria Geral da República passou a estudar pedir a federalização das investigações.

Marielle Franco foi morta a tiros dentro de um carro na rua Joaquim Palhares, no Rio por volta das 21h30 de quarta (14). O motorista dela, Anderson Gomes, também foi baleado e morreu. Uma outra passageira, assessora de Marielle, foi atingida por estilhaços.

A principal linha de investigação da Delegacia de Homicídios é execução. A polícia acredita que os assassinos seguiram o carro onde estava a vereadora desde o momento em que ela saiu de um evento na Lapa, no Centro do Rio. Ela pode ter sido perseguida por cerca de 4 km.

Marielle deixou uma filha de 20 anos e uma companheira. Neste domingo (18), a arquiteta Monica Tereza Benício concedeu entrevista ao Fantástico e disse que ainda tenta aceitar a perda de sua companheira, com quem vivia há 12 anos.

Interventor federal

O general Braga Netto comanda a segurança pública do Rio de Janeiro desde fevereiro, quando Temer assinou o decreto de intervenção federal no estado.

Com a medida, o governador Luiz Fernando Pezão (MDB) deixou de responder pela área, o que inclui polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e sistema penitenciário.

O Globo


Após pressão de interventor, Temer anuncia R$ 1 bi para custear ação no Rio

O presidente Michel Temer cedeu à pressão do interventor federal Braga Netto e mudou a previsão de repasse de recursos para o Rio de Janeiro.

O Palácio do Planalto anunciou na noite desta segunda-feira (19) que destinará R$ 1 bilhão ao Rio de Janeiro —não mais R$ 800 milhões, como havia anunciado o presidente mais cedo.

A alteração foi definida em reunião do presidente com os ministros Dyogo Oliveira (Planejamento), Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).

A avaliação no encontro foi de que o valor deveria ser elevado para que o governo federal não fosse cobrado no futuro por não ter investido o suficiente na intervenção federal.

Em reunião com parlamentares, Braga Netto afirmou que são necessários R$ 3,1 bilhões para colocar em dia os gastos que o estado tem com segurança pública.

Antes da declaração, Temer estimara, durante almoço no Palácio do Itamaraty, que seriam repassados entre R$ 600 milhões e R$ 800 milhões.

Segundo ele, serão destinados entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões para o Ministério da Segurança Pública por meio de um projeto de lei.

A expectativa é de que a medida provisória com os recursos para o Rio de Janeiro seja publicada na quarta-feira (21).

Temer informou ainda que ordenou ao interventor que priorize as investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e que resolva o caso no “menor prazo possível”.

“A determinação é para apurar no menor prazo possível. Todos os esforços, e falei com o general Braga Netto na sexta-feira (16), é para aplicar todos os esforços e todos os recursos para logo solucionar essa questão”, disse.

CRISE

O Rio de Janeiro passa por uma grave crise política e econômica, com reflexos diretos na segurança pública. Desde junho de 2016, o estado está em situação de calamidade pública e conta com o auxílio das Forças Armadas desde setembro do ano passado.

Não há recursos para pagar servidores e para contratar PMs aprovados em concurso. Policiais trabalham com armamento obsoleto e sem combustível para o carro das corporações. Faltam equipamentos como coletes e munição.

A falta de estrutura atinge em cheio o moral da tropa policial e torna os agentes vítimas da criminalidade. Somente neste ano, 27 PMs foram assassinados no estado —foram 134 em 2017.

Policiais, porém, também estão matando mais. Após uma queda de 2007 a 2013, o número de homicídios decorrentes de oposição à intervenção policial está de volta a patamares anteriores à gestão de José Mariano Beltrame na Secretaria de Segurança (2007-2016). Em 2017, 1.124 pessoas foram mortas pela polícia.

Em meio à crise, a política de Unidades de Polícia Pacificadora ruiu —estudo da PM cita 13 confrontos em áreas com UPP em 2011, contra 1.555 em 2016. Nesse vácuo, o número de confrontos entre grupos criminosos aumentou.

Com a escalada nos índices de violência, o presidente Michel Temer (MDB) decretou a intervenção federal na segurança pública do estado, medida que conta com o apoio do governador Luiz Fernando Pezão, também do MDB.

Temer nomeou como interventor o general do Exército Walter Braga Netto. Ele, na prática, é o chefe das forças de segurança do estado, como se acumulasse a Secretaria da Segurança Pública e a de Administração Penitenciária, com PM, Civil, bombeiros e agentes carcerários sob o seu comando. Braga Netto trabalha agora em um plano de ação.

Apesar da escalada de violência no Rio, que atingiu uma taxa de mortes violentas de 40 por 100 mil habitantes no ano passado, há outros estados com patamares ainda piores.

No Atlas da Violência 2017, com dados até 2015, Rio tinha taxa de 30,6 homicídios para cada 100 mil habitantes, contra 58,1 de Sergipe, 52,3 de Alagoas e 46,7 do Ceará, por exemplo.

Folha de S. Paulo


VOLVER