Violencia política en Río: asesinan a un concejal suplente y miles marchan por Marielle Franco

A menos de una semana del crimen de Marielle Franco, asesinaron a otro político en Brasil

A menos de una semana del asesinato de la dirigente de izquierda Marielle Franco en Río de Janeiro, otro político fue asesinado en la región metropolitana carioca. Se trata de Paulino Henrique Dourado Teixeira, un concejal suplente de Magé, que fue acribillado mientras manejaba por la ruta del Goiabal en Pau Grande. La Policía Militar indicó que su acompañante resultó herido.

Según los medios locales, los investigadores no descartan que haya sido un crimen político. Así lo señaló Evaristo Magalhães, de la Comisaría de Homicidios de la Baixada Fluminense, que también resaltó que todavía la información es “preliminar”.

Teixeira fue candidato a concejal en 2016 por el Partido Laborista Brasileño (PTB, por sus siglas en portugués) y era suplente en el Ayuntamiento de Magé.

Un relevamiento realizado por el diario O Globo registró que, desde el inicio de 2017, 15 políticos fueron asesinados en Brasil, lo que da como resultado promedio una víctima por mes.

El último caso, que generó una gran conmoción en el país, fue el de Marielle Franco, la concejala feminista que murió acribillada de cinco tiros en la cabeza la semana pasada. La dirigente, de 38 años, había sido elegida en las elecciones de 2016 por casi 50 mil votos.

Según la pericia realizada por la División de Homicidios de la Policía Civil de Río de Janeiro, las balas que la mataron -tanto a ella como a su chofer- pertenecían a un lote comprado por la Policía Federal de Brasil. Ahora investigan cómo esas municiones llegaron a las manos de los asesinos para así poder revelar su identidad.

TN


Vereador assassinado a tiro no Brasil uma semana depois da morte de Marielle Franco

De acordo com a Polícia Militar, Paulo Henrique Dourado Teixeira estava no seu carro quando foi atingido por vários tiros que causaram a sua morte. Uma outra pessoa que o acompanhava no carro foi baleado numa perna, segundo a Globo.

O Comissário Evaristo Magalhães, da divisão de homicídios da Baixada Fluminense, disse que ainda não se sabe qual foi a motivação do crime mas que, embora a informação ainda seja preliminar, uma das linhas de investigação é crime político.

O corpo foi encontrado pouco depois das 9h00 locais na Estrada do Goiabal, em Pau Grande, com diversas marcas de tiros.

Paulo Teixeira tinha 33 anos e foi nomeado para o Conselho em 2016 pelo Partido Trabalhista do Brasil (PTB) na lista do deputado regional Renato Cozzolino, tendo recebido 536 votos. Era vereador suplente no Conselho de Magé.

O crime ocorreu uma semana após a morte, no centro do Rio de Janeiro, da vereadora Marielle Franco e do seu motorista Anderson Gomes, situação que causou uma forte contestação no Brasil e em vários países, com manifestações a apelar ao fim da violência.

Marielle Franco, uma crítica da intervenção militar na segurança no Rio de Janeiro e caracterizada pelo seu ativismo como defensora dos direitos humanos, tinha condenado a violência policial um dia antes do crime.

O Estado do Rio de Janeiro está desde há um mês sob intervenção federal (por decisão do Presidente Michel Temer) por questões de segurança. Esta decisão implica a mobilização e destacamento de militares nas ruas da cidade como forma de manter a ordem pública.

RTP


Milhares voltam às ruas do Rio para pedir respostas sobre assassinato de Marielle e Anderson Gomes

Milhares de pessoas voltaram às ruas do Rio de Janeiro nesta terça-feira (20) para pedir respostas sobre o assassinato da vereadora e defensora dos direitos humanos Marielle Franco, na véspera de se completar uma semana do crime.

Com cartazes que diziam “Marielle vive” e gritos de “Justiça!”, os manifestantes marcharam pela Avenida Rio Branco, uma das principais do centro da cidade, demonstrando indignação e consternação.

“É importante toda essa mobilização social para que esse crime bárbaro não fique impune. A gente não sabe se foi um crime de Estado ou não. Provavelmente tem a ver com crime da polícia e alguma questão de calar uma voz que estava defendendo os direitos humanos. Não podemos deixar que isso aconteça nunca mais no Brasil”, disse Rafael Cavalli, advogado de 36 anos.

Alguns choraram lembrando da vereadora, negra, nascida e criada no complexo de favelas da Maré, que lutava pelos direito dos negros, das mulheres e da comunidade LGBT e que não abaixava a voz na hora de denunciar os abusos policiais ou a recente intervenção militar do Rio.

“Quem matou Marielle e Anderson?”, dizia um adesivo preto com a foto do rosto da vereadora distribuído aos manifestantes ao longo da manifestação.

“Mais uma negra foi morta, mas outras vão se levantar com tanta força e poder quanto ela. Enquanto eu viver, eu luto. Nós não vamos parar”, disse Irone Santiago, cujo filho ficou tetraplégico na Maré por disparos dos militares.

Nesta quarta-feira (21) completa-se uma semana da morte de Marielle Franco. Na noite do último dia 14, o carro em que ela voltava para casa, após participar de um evento de empoderamento de mulheres negras na Lapa (região central), foi alvejado por ocupantes de outro veículo após ser seguido por 4 km.

O ataque ocorreu no bairro do Estácio, também no centro, e foram efetuados ao menos treze disparos a dois metros de distância.

Junto com a vereadora, que levou quatro tiros na cabeça, morreu o motorista do carro, Anderson Gomes, com ao menos três disparos nas costas. Outra passageira do veículo, a assessora de imprensa de Marielle, ficou ferida por estilhaços.

JB


Cem entidades denunciam Brasil na ONU por morte de Marielle Franco

Mais de cem ONGs e entidades internacionais se unem para denunciar o estado brasileiro na ONU e pedem investigações independentes sobre a morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL). Numa intervenção durante o Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta terça-feira (20/03), o bloco denunciará o fato de que “muitos que falam a verdade ao poder no Brasil enfrentam violência e estigmatização sem precedentes, já que o país está no topo das mortes dos defensores”.

O protesto ocorre no mesmo dia em que deputados europeus cobram respostas do governo brasileiro e que a ONU critica pela segunda vez em uma semana a situação de ativistas no país. Em Genebra, a lista das entidades que apoiam a declaração na ONU inclui Conectas, Organização Mundial contra a Tortura, Front Line Defenders, Friends of the Earth, Conselho Indígena Missionário, além de entidades africanas e latino-americanas. “Solicitamos ao governo brasileiro assegurar uma investigação imediata, imparcial e independente, processando os responsáveis materiais e intelectuais deste crime, com a competência e a abertura para a possibilidade de o assassinato ter sido uma execução extrajudicial”, irá declarar o grupo, de acordo com um texto que circula com a lista de copatrocinado.

“Também pedimos para as autoridades dar proteção efetiva aos sobreviventes desse ataque, como testemunhas-chave desta atrocidade”, diz a solicitação. Segundo o grupo, o ataque ocorre “no contexto de uma intervenção federal altamente militarizada no Estado do Rio, decretada pelo presidente, contrária a vontade das comunidades locais”. “De fato, as preocupações sobre a intervenção foram destacadas pelo Alto Comissário de Direitos Humanos em sua declaração durante esta sessão”, indicarão as entidades, numa referência às críticas feitas pela ONU há duas semanas. “Marielle foi nomeada relatora de um comitê parlamentar para supervisionar os abusos da ação militar no Rio. O programa de proteção dos defensores permanece subfinanciado e insuficiente”, denunciarão.

Apelo europeu

Enquanto em Genebra as entidades denunciam o estado brasileiro, a morte de Marielle foi uma vez mais mencionada por deputados europeus. Numa declaração conjunta entre os diferentes comitês do Parlamento Europeu, os deputados “condenam” o assassinato de Marielle.”Pedimos às autoridades brasileiras e à Justiça brasileira que conduzam investigações imediatas, completas e transparentes sobre o assassinato de Marielle Franco para identificar todos os responsáveis e os levar a um tribunal independente”, apelam os europeus. “Também pedimos que as autoridades no Brasil garantam a integridade física e psicológica de defensores de direitos humanos no Brasil”, completam. O documento é assinado pelos deputados Ramón Jáuregui Atond, Fernando Ruas,Francisco Assis e Elisabetta Gardini, líderes de delegações dentro do Parlamento Europeu responsável por relações com a América Latina e sobre direitos das mulheres.

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