El autoritarismo surge en el combate a las fake news – O Globo, Brasil

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Los conceptos vertidos en esta sección no reflejan necesariamente la línea editorial de Nodal. Consideramos importante que se conozcan porque contribuyen a tener una visión integral de la región.

O uso do WhatsApp para distribuição em massa de mensagens contra o candidato do PT, Fernando Haddad, e favoráveis ao adversário, Jair Bolsonaro (PSL), parece ser o marco da inclusão das eleições brasileiras de 2018 entre os casos ocorridos no mundo, nos últimos anos, de tentativas de interferência na decisão do eleitor, por meio de ferramentas eletrônicas. O fato, noticiado pela “Folha de S.Paulo”, reativou o ânimo aguerrido do PT, que passou a tentar configurar a existência de uma “fraude” na eleição. Bem como do uso de caixa 2, porque o acionamento de baterias de mensagens fakes seria financiado por empresas. Por sua vez, alijadas das campanhas por veredicto do Supremo.

Não será fácil, porque o Ministério Público Eleitoral precisará reunir provas cabais de que pessoas e/ou empresas ligadas de fato a Bolsonaro estariam nos bastidores dos chamados disparos de milhares de mensagens destinadas a atingir Haddad.

A Procuradoria-Geral da República, de forma correta, abriu inquéritos para investigar os dois lados que se enfrentam no segundo turno, porque não se deve esquecer o pioneirismo do PT no manejo agressivo de robôs e outras ferramentas na internet, para caluniar adversários e promover candidatos.

O preocupante é que, na esteira das repercussões dessa onda de conteúdos de propaganda eleitoral desfechada por meio do WhatsApp, ressurgem propostas que até podem ser bem-intencionadas, mas são inconstitucionais, por invadirem os direitos à privacidade e à liberdade de expressão. Nenhuma ação que viole os arquivos que transitam nas redes é legal.

A questão se torna mais intrincada porque, ao contrário do Facebook e do e-mail —cada vez mais em desuso —, os conteúdos que trafegam pelo WhatsApp são convertidos em códigos indecifráveis. Sequer técnicos do WhatsApp— empresa controlada pelo Facebook— conseguem traduzir estes conteúdos. O que não impede que não possam encerrar contas que infrinjam normas da empresa.

Nesta campanha eleitoral a rede tem punido usuários por infingirem regras. O mesmo acontece no Facebook, centro do escândalo da interferência russa nas eleições americanas de 2016, em que a candidatura Trump foi ajudada por hackers russos, assunto ainda sob investigação nos Estados Unidos.

As fake news são insidiosas. Que o diga o candidato Haddad, que, em sabatina ontem no GLOBO, foi enganado por uma, ao dizer que, segundo o músico Geraldo Azevedo, o vice da chapa de Bolsonaro, general Mourão, havia sido torturador.

O caminho a seguir é o do aprendizado constante e da mobilização de empresas de comunicação, como o Grupo Globo, que montou uma equipe conjunta de checagens. O poder público pode contribuir com campanhas de esclarecimento, sem prejuízo da abertura de investigações na tentativa de encontrar e punir responsáveis. Mas nada substituirá a busca individual das melhores fontes de informação como vacina contra as fake news.

O Globo


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