Brasil: a dos meses de la tragedia de Brumadinho, más de 90 personas siguen desaparecidas

Dois meses após rompimento de barragem em Brumadinho, mais de 90 pessoas ainda estão desaparecidas

“Ele completaria agora, dia 30 de março, 27 anos”… “mãe, por que meu pai não teve caixão, cadê o caixão do meu pai?”… “Ela era realmente a alegria da casa…”

O olhar distante reflete a dor e a saudade. As olheiras destacam as noites em claro e as dificuldades para dormir após perder uma parte da alma. A camisa estampa o luto, com uma foto feliz em família e apenas um desejo, em tom imperativo: Justiça!

Nem mesmo o apoio psicológico e os fortes medicamentos usados nas últimas semanas conseguiram cicatrizar a ferida, que ainda sangra. Passados dois meses desde o rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, MAIS DE 90 pessoas ainda não foram encontradas. 60 dias após a ruptura, nem mesmo o direito ao luto, o direito a enterrar seus entes, foi concedido a essas famílias.

Francis Soares Silva tinha 31 anos. Ele trabalhava para uma empresa terceirizada e, algumas vezes na semana, ia às minas da Vale fazer manutenção nos equipamentos. Por uma infeliz coincidência, ele estava na mina de Córrego Feijão no dia da tragédia e, nesse dia, não voltou para casa para abraçar Melissa, sua filha de 6 anos. Jéssica Soares, irmã de Francis, diz que a família não conseguiu contar para a criança sobre a morte do pai.

“Na verdade, a gente não conseguiu contar. A gente falou que ele tava desaparecido. Pedimos auxílio psicológico para ela, para poder ir contando aos poucos. Ela acabou deduzindo, a gente tentou evitar, mas ela via jornal, então ela deduziu que o pai dela já havia falecido. E ela cobra, mãe cadê proque meu pai ainda não teve um caixão, cadê o caixão do meu pai? Ela cobra, então a gente quer dar isso para ela também, dar esse conforto de poder enterrar.”

Andreza Aparecida perdeu Bruno, seu único filho. Ele trabalhava no prédio administrativo da Vale, que foi levado pelo mar de rejeitos. Ela conta que chegou a sentir dores no peito quando soube que a barragem tinha rompido e imaginou a cena, porque tinha visitado o local no ano passado. Para a professora, os últimos meses foram os mais difíceis de sua vida.

“De muita tristeza, de muita dor e, nesse momento, de uma revolta que cresce a cada dia, porque meu filho não foi vítima de um acidente, aquelas mais de 300 pessoas não foram vítimas de um acidente, elas foram assassinados à canetada fria. Quem assinou aquele laudo atestando as condições da barragem tinha ciência do que estava fazendo e que poderia, a qualquer momento, matar todo mundo. ”

No dia 25 de janeiro, a lama destruiu prédios, fauna, flora e os sonhos de centenas de famílias. Eliane Melo, engenheira civil de uma terceirizada, estava grávida de 5 meses quando a onda de rejeitos engoliu o carro onde ela e colegas de trabalho estavam. Eliane teria sua primeira filha, Maria Eliza. O nome seria em homenagem a mãe, Maria e ao pai, já falecido, Elias. Uma pessoa da família, que preferiu não se identificar, conta como a expectativa do nascimento de Maria Eliza alegrava os parentes.

“A minha irmã estava com muita expectativa com essa criança. E toda família está muito sentida, porque ela era realmente a alegria da casa. Ela esforçou muito para poder estudar, ela não estava ainda como engenheira, mas ia ser promovida, ia ter uma oportunidade na empresa, mas o sonhos dela foram ceifados de uma forma cruel.”

Enquanto as respostas não aparecem, o coração das famílias permanece aguardando o fechamento de um ciclo e escondendo um novo começo, uma esperança de encontrar o mínimo de paz.

Globo Radio