Primer paro general en Brasil contra las políticas de Bolsonaro

Brasil amanece en huelga; Sindicatos rechazan reforma jubilatoria

El presidente de Brasil, Jair Bolsonaro, vive este viernes la primera huelga general de su gobierno convocada por sindicatos, colectivos y diversos movimientos sociales para enfrentar la reforma jubilatoria que impulsa el Ejecutivo y que pretende restringir el acceso a las jubilaciones.

Los sindicatos consideran la reforma que propone Bolsonaro, quien inició su gestión en enero pasado, como una destrucción del sistema de pensiones para su privatización y su impacto se potencia al conjugarse con la reforma laboral aprobada por el Gobierno de Michel Temer.

“La huelga está en boca de todos y preocupando a los empresarios”, declaró el presidente de la Central Única de los Trabajadores (CUT), Vagner Freitas.

Desde el primero de mayo pasado fue convocado el paro general para combatir la reforma jubilatoria, que se encuentra en estudio dentro del Congreso y que el mandatario Bolsonaro espera sea aprobada durante este año.

Con esta iniciativa, la administración de Bolsonaro pretende establecer por primera vez una edad mínima de jubilación (65 años para los hombres y 62 años para las mujeres) y aumenta el número de años cotizados para recibir la pensión completa.

La CUT, la principal central laboral, espera que los sindicatos del transporte público se sumen en su totalidad este viernes a la paralización prevista, pese a que la justicia brasileña ordenó el funcionamiento del servicio del metro y los trenes en la ciudad de Sao Paulo, el principal polo industrial del país suramericano.

“Es esencial que ellos (los transportistas) paren porque, si ellos no adhieren, la impresión es que no hubo paralización. Son categorías expresivas de demostración de poder de los trabajadores”, dijo por su parte el secretario general de Força Sindical, Joao Carlos Gonçalves.

La huelga general ocurre el día de la inauguración de la Copa América que se extenderá hasta el 7 de julio próximo y se desarrollará en varias ciudades brasileñas.

La paralización podría afectar la movilidad de los aficionados al estadio Morumbí de Sao Paulo, donde esta noche se desarrollará el partido entre las selecciones de futbol de Brasil y Bolivia, que abre la competencia regional.

Telesur


Greve geral promete parar o Brasil nesta 6ª em defesa da Previdência

Nesta sexta-feira 14, a promessa das centrais sindicais e dos movimentos sociais é fazer o Brasil parar. A greve geral, que já tem adesão diversas categorias nas cinco regiões do País, tem como mote rejeitar a proposta de reforma da Previdência do governo Bolsonaro, e quer ser ainda maior do que a paralisação de 2017 – organizada contra a reforma trabalhista do governo de Michel Temer, que obteve grande proporção nacional.

Os principais pontos criticados pelos setores são a proposta de capitalização da Previdência, o desmonte do Benefício da Prestação Continuada (BPC) e as alterações na aposentadoria rural. Os pontos ficaram de fora do relatório apresentado na Comissão Especial – que analisa a proposta na Câmara – esta quinta-feira 13.

Mesmo assim, a mudança não seria um motivo para apoiar a reforma, dizem sindicalistas e integrantes de movimentos sociais. A mobilização foca em protestar contra os privilégios que ainda seriam mantidos com a reforma de Paulo Guedes, ministro da Economia. Para Guilherme Boulos, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a questão da capitalização, por exemplo, será somente adiada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“A reforma proposta retira direitos e não enfrenta privilégios. O Maia disse que eles querem apresentar a capitalização como um projeto à parte. É para diminuir polêmicas agora”, disse Boulos. Para ele, os perigos da mudança no tempo de contribuição, a redução da aposentadoria por invalidez e da pensão por morte, por exemplo, ainda sustentam uma Previdência que onera os mais pobres. “É descolado da média internacional, desconsidera um país com alta informalidade. Não tem negociação com essa reforma”, opina.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, afirma que o parecer proposto pelo relator Samuel Moreira (PSDB-SP) também é resultado da pressão dos movimentos sindicais nas bases. “Eles não vão se eleger se aprovarem”, afirma Freitas. “De qualquer forma, o relatório ainda não contempla a expectativa da CUT e continua a retirar direitos do trabalhador”, acrescenta.

Freitas também criticou as liminares concedidas pela Justiça para o Metrô, a Companhia dos Trens Metropolitanos (CPTM) e a São Paulo Transportes (SPTrans, empresa de ônibus da capital paulista), que determinavam que os funcionários dessas empresas deveriam trabalhar com uma porcentagem do quadro de servidores.

“A lei está sofrendo ataque por parte de alguns juízes, mas isso só faz a greve crescer. Vamos enfrentar esse tipo de constrangimento com denúncias nos fóruns internacionais e na OIT (Organização Internacional do Trabalho)”, afirmou o líder da CUT. Mesmo com as decisões judiciais, os metroviários, motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo decidiram paralisar nesta sexta 14.

Em Porto Alegre, a situação é diferente. Os metroviários aderiram à greve no dia 16 de maio, e as últimas horas da quinta-feira foram para entrar no clima da paralisação, afirmou Luis Henrique Chagas, presidente da SindiMetro-RS. Segundo ele, 180 mil passageiros circulam nos metrôs da capital gaúcha diariamente.

Bancários, professores e Justiça Federal também aderem

Professores, metalúrgicos, bancários, trabalhadores da Educação, dos Correios, da Justiça Federal, portuários, servidores públicos, enfermeiros e outros. A lista dos aderidos à greve é extensa, e passa por mais de 170 cidades do país.

Uma das categorias esperadas em peso nas ruas é a dos professores. Heleno Araújo Filho, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), destaca que o ponto crucial da greve é a situação das professoras com a reforma de Bolsonaro.

“Há um índice muito elevado de evasão da sala de aula por conta de doenças no âmbito profissional. 80% da nossa categoria é composto por professoras. Teremos mais afastamento, mais professoras substitutas e nada irá ser resolvido”, afirma Heleno.

Além disso, ele destacou que a categoria decidiu ignorar a ‘orientação’ do Ministério da Educação – que divulgou uma nota dizendo que funcionários, alunos e até mesmo os pais não seriam ‘autorizados a divulgar e estimular protestos durante o horário escolar’. A declaração já foi rechaçada pelo Ministério Público Federal, e, para Heleno, ela apenas demonstra “a falta de conhecimento de quem assume um ministério”.

“Não é da jurisprudência dele. Quem trata da educação básica no Brasil são os Estados e municípios. Nós não cumprimos essa decisão, vamos continuar mobilizando, e vamos ter estudantes, professores e pais e mães nas ruas amanhã, com certeza”, declarou o presidente da CNTE.

De acordo com ele, a base de filiados à CNTE conta com 4,5 milhões de profissionais da educação, e todos irão parar na sexta. Contando com a rede privada e com o nível superior, Heleno estima entre 8 e 9 milhões de educadores paralisados nessa greve.

Manifestações nas capitais

Confira aqui o horário das manifestações das capitais do País.

Carta Capital


Protestos contra a reforma da Previdência fecham vias no Rio; transportes funcionam normalmente

Confira os impactos da paralisação contra a reforma da Previdência e cortes na educação

Vias expressas do Rio foram parcialmente fechadas em protestos no início da manhã desta sexta-feira (14). Uma greve geral foi convocada por sindicatos contra a reforma da Previdência e os bloqueios na educação.

A PM informou que intensificou o policiamento nas vias expressas.

Resumo às 7h30

Transportes públicos operando normalmente

Atos fechavam pontos na região central do Rio

A Ponte Rio-Niterói sofria o maior impacto. A travessia para o Rio, normalmente feita em 13 minutos, exigia uma hora dos motoristas.

Trânsito

Pequenos grupos com faixas e bandeiras começaram a se aglomerar pouco antes das 6h.

Avenida Brigadeiro Trompowski, em um dos acessos à UFRJ, na Ilha do Fundão;

Avenida Brasil, na pista lateral, em frente ao Into, no Caju; como precaução, a Ecoponte fechou a alça de
descida da Ponte Rio-Niterói para o Into.

Avenida Francisco Bicalho, no Centro, sentido Ponte;

Avenida Marquês de Paraná, em Niterói, sentido Ponte.

O Centro de Operações Rio media, às 7h20, 45 km de engarrafamentos, volume dentro da média registrada nas últimas três sextas-feiras.

Em Campos, no Norte Fluminense, um ato chegou a bloquear os dois sentidos da BR-101, no Km 76. Às 7h, as pistas estavam liberadas, e manifestantes ocupavam o acostamento.

Transportes às 7h
A circulação nos trens da SuperVia, no metrô e nos ônibus do BRT era normal.

ÔNIBUS

O RioÔnibus informou que a operação estava sem interferências nas linhas convencionais.

TRENS

A SuperVia programou para esta sexta a oferta de 2.103.600 lugares, em 942 viagens.

Ramal Deodoro: trens paradores – intervalo de 8 minutos; expressos – intervalo de 4 minutos;

Ramal Santa Cruz: intervalo entre 8 e 15 minutos;

Ramal Japeri: intervalo entre 8 e 15 minutos;

Ramal Belford Roxo: intervalo médio de 15 minutos.

Ramal Saracuruna: Central-Gramacho – intervalo de 10 minutos; Gramacho-Saracuruna – intervalo de 20 minutos.

METRÔ

As linhas 1, 2 e 4 funcionavam sem alterações.

VLT

Linhas 1 e 2 operando em toda a extensão.

Barcas

Todas as linhas saindo no horário.

G1


O que está em pauta na 1ª greve geral no governo Bolsonaro

O governo de Jair Bolsonaro enfrenta na sexta-feira (14) sua primeira greve geral. Os atos em todo o país foram convocadas por centrais sindicais e movimentos sociais, que tentam mobilizar trabalhadores de diversas categorias contra a proposta de reforma da Previdência que está em discussão na Câmara dos Deputados. Os organizadores dizem que decidiram pela paralisação por não conseguirem diálogo com o governo sobre as propostas de alteração nas aposentadorias, mesmo após as mudanças já realizadas no texto. Por unirem grupos sindicais que historicamente estiveram em campos opostos, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a Força Sindical, eles estimam que a greve será maior do que a de 28 de abril de 2017, contra as reformas de Michel Temer.

Apenas na quarta-feira (12), as buscas pelo termo “greve geral” no Google cresceram 200% em relação ao dia anterior. A estratégia das centrais sindicais visa forçar a abertura de um canal de negociação com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Em resposta, grupos de direita como o Vem Pra Rua e o MBL (Movimento Brasil Livre) têm convocado manifestantes para uma passeata pró-governo no dia 30 de junho de 2019, a favor da reforma e do ministro da Justiça, Sergio Moro.

A adesão do setor de transportes

Para os grevistas, conseguir o apoio dos trabalhadores da área de transportes é essencial para que se crie a sensação de que as ruas do país ficaram desertas. Por isso, os organizadores tentam o apoio de sindicatos como o dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo, o SindMotoristas, que já aprovou adesão à paralisação na segunda-feira (10). “É essencial que parem porque, se eles não aderirem, a impressão é de que não houve paralisação. São categorias expressivas de demonstrações de poder dos trabalhadores”, afirmou ao portal UOL, na terça-feira (11), o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves Juruna. Também decidiram parar os sindicatos dos ferroviário e dos metroviários de São Paulo. Na capital paulista, todas as linhas de metrô, inclusive as geridas pela iniciativa privada (4-amarela e 5-lilás), e os trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) não devem circular. Categorias como a dos professores, bancários, metalúrgicos, trabalhadores rurais, caminhoneiros, servidores públicos federais, estaduais e municipais e trabalhadores da saúde e dos Correios também prometeram aderir.

As pautas dos grevistas

Os manifestantes irão às ruas principalmente pelas mudanças nas aposentadorias, mas também por temas relacionados à crise econômica enfrentada pelo país. Eles pedem que o governo gere empregos e interrompa o corte de recursos em áreas como a da educação.

A reforma de Previdência

As centrais sindicais se dizem favoráveis a uma reforma. “Mas não da proposta do governo federal”, escreve o presidente nacional da União Geral dos Trabalhadores, Ricardo Patah, em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo, na quinta-feira (13). Segundo ele, a entidade defende “um regime único, igualitário para todos os brasileiros”. “O valor do teto legal valeria para todo mundo. A partir daí, quem quiser uma aposentadoria acima do limite tem a alternativa de participar de um fundo complementar, por conta própria”, escreve. Vagner Freitas, da CUT, afirma no site da central sindical que a proposta do governo joga “a conta da crise nas costas dos trabalhadores” e acaba com o “direito à aposentadoria de milhões de brasileiros”. A paralisação ocorre um dia após o relator do projeto de reforma na comissão especial da Câmara dos Deputados, Samuel Moreira (PSDB-SP), apresentar seu relatório sobre o tema. Ele retirou pontos polêmicos, como a proposta de capitalização (espécie de poupança feita pelo próprio trabalhador para garantir sua aposentadoria), na tentativa de obter aprovação mais rápida. Também excluiu estados e municípios. O texto ainda precisa ser votado, em data não definida, e servirá de base para a próxima etapa, a discussão e votação em plenário. Um dos pontos a que os líderes sindicais se opõem é a mudança no tempo de contribuição. A proposta do governo prevê idade mínima de aposentadoria de 65 anos para homens e 62 para mulheres (hoje, é de 60 para elas). O tempo mínimo de contribuição, atualmente em 15 anos, passaria para 20 anos, o que garantiria apenas 60% do valor do benefício (o valor integral valeria para quem contribuísse por pelo menos 40 anos). No relatório apresentado pelo relator, porém, o tempo mínimo de contribuição de 15 anos foi mantido para mulheres. As exigências dificultariam que os trabalhadores se aposentassem, segundo as centrais. “O governo não dá condições de emprego e ainda altera a legislação para criar trabalhos precários, sem qualquer estabilidade para o trabalhador. Como ele vai conseguir atingir essas exigências?”, diz o secretário de Comunicação da CUT, Roni Barbosa, no site da entidade. Eles também são contrários a mudanças na aposentadoria rural e no Benefício de Prestação Continuada (salário mínimo por mês pago a idosos e pessoas com deficiência), mas esses trechos foram suprimidos no relatório apresentado na quinta-feira (13).

Geração de empregos

Os organizadores da paralisação também cobram do governo Bolsonaro medidas para a criação de empregos. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o país registrou entre fevereiro e abril de 2019, 13,2 milhões de desempregados, com um aumento de 4,4% em relação ao trimestre anterior. Também cresceu o número de pessoas desalentadas, como são classificadas pelo instituto as que desistiram de procurar emprego. Elas já somam 4,9 milhões no mesmo período. As centrais sindicais apontam que a reforma trabalhista aprovada no governo de Michel Temer em novembro de 2017, com a promessa de que criaria 2 milhões de vagas, não obteve o efeito a que se propunha. Um ano depois de entrar em vigor, apenas 298.312 vagas com carteira assinada foram criadas, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho. “O governo usou a tese da criação de empregos porque queria aprovar a reforma, e esse discurso dava uma desculpa para os deputados votarem a favor dela. A reforma cria melhores condições de contratação, mas não cria vagas nem as formaliza”, afirmou o economista Hélio Zylberstajn, professor da Universidade de São Paulo, ao portal UOL, em novembro de 2018. “Nem podemos imaginar quantos e quais dramas são vividos por essas pessoas [desempregadas] e suas famílias. Não fazemos greve apenas por fazer, mas porque não estamos conseguindo conter a revolta dos trabalhadores frente à carestia em que vivem”, escreveu o presidente nacional da União Geral dos Trabalhadores, Ricardo Patah, no artigo no jornal Folha de S.Paulo publicado na quinta-feira (13). Segundo ele, a reforma apenas ampliou o “trabalho informal e precarizado”. Ele diz que a entidade organizou três mutirões de emprego nas áreas de comércio e serviço, mas que apenas 60% das vagas foram preenchidas devido à falta de qualificação profissional, que ocorre até para postos simples como o de caixa de supermercados.  Em 2019, o Brasil foi incluído na lista de países suspeitos de violar direitos trabalhistas da Organização Internacional do Trabalho.

Contingenciamento na educação

O tema já foi responsável por gerar a primeira e maior manifestação de rua contra o governo Bolsonaro, em 15 de maio de 2019. Fazia apenas quatro meses e meio que o presidente estava no cargo quando protestos foram realizados em cerca de 200 cidades pelo país. O motivo: o contingenciamento de recursos de instituições de ensino públicas federais, anunciado inicialmente pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, como um “corte” em universidades onde seriam promovidas “balbúrdias”. O governo congelou 30% das despesas discricionárias (não obrigatórias) das universidades e institutos. Potencializada pela fala do ministro, a iniciativa de congelar recursos gerou reação em professores e alunos, que foram para as ruas, apoiados pelas centrais sindicais como CUT e Força Sindical. Bolsonaro reagiu ao primeiro ato chamando os manifestantes de “idiotas úteis”.  O protesto se repetiu em 30 de maio de 2019, não com a mesma força do primeiro. Foram realizados em cerca de 120 cidades.

Outros temas

Embora as centrais sindicais e movimentos sociais tratem a greve como um ato contra a reforma da Previdência, outras questões devem fazer parte da pauta.

Moro e a Lava Jato

O ministro da Justiça, Sergio Moro, deve ser alvo dos manifestantes devido ao vazamento de diálogos atribuídos a ele e ao coordenador da força-tarefa da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol, que teriam ocorrido entre 2015 e 2017. A divulgação foi feita pelo site The Intercept Brasil, em 9 de junho de 2019. As conversas, por meio do aplicativo Telegram, colocaram sob suspeita a atuação no ex-juiz em casos como o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nelas, Moro aparentemente interfere na ação dos procuradores, cobrando a realização de operações e sugerindo testemunhas a serem ouvidas, o que é vedado por lei. Procuradores da Lava Jato também combinaram modos de impedir que o ex-presidente fosse entrevistado antes das eleições de 2018. O medo entre eles era que a entrevista pudesse colaborar para a eleição do candidato do PT, Fernando Haddad, derrotado por Jair Bolsonaro no segundo turno. Os envolvidos negam impropriedades nos diálogos e dizem ter sido vítimas de uma ação criminosa de hackers, que teriam invadido celulares dos procuradores. Integrantes da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba sugerem que os diálogos possam ter sido “forjados”.

Lula Livre

Principal bandeira do PT desde que o ex-presidente foi preso em abril de 2018, a defesa da libertação de Lula, que cumpre pena em Curitiba após ter sido condenado na Lava Jato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, já tem aparecido em postagens nas redes sociais de parlamentares do partido, como a deputada federal Maria do Rosário, que divulgou na quinta-feira (13) um vídeo convocando seus eleitores para a greve com a hashtag #LulaLivre. Ela deve ganhar força principalmente após o vazamento das conversas de Moro, responsável por condenar Lula no caso do tríplex do Guarujá. Em 25 de junho de 2019, o Supremo Tribunal Federal também irá julgar um pedido da defesa do petista para considerar o ex-juiz suspeito no caso, o que pode anular as decisões contra ele. Caso isso ocorra, Lula poderá ser libertado.

A greve geral no governo Temer

Em 28 de abril de 2017, cerca de 40 milhões de trabalhadores pararam em ao menos 130 cidades do Brasil, segundo os organizadores da greve geral daquele ano. O clima, na manhã daquela sexta-feira, era de feriado. E a pauta era parecida com a de 2019: opor-se à proposta de reforma da Previdência do governo. Na época, porém, havia ainda a reforma trabalhista, que acabou passando no Congresso. As centrais sindicais e movimentos sociais descreveram o ato como o maior da história. Em capitais como Curitiba, Salvador e Recife, os ônibus não circularam. Já em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, o transporte público operou apenas parcialmente. Bancários e professores também aderiram à greve, e colégios particulares tradicionais da capital paulista, como o Equipe e o Santa Cruz, não tiveram atividades. Em grandes empresas, o expediente foi normal. Houve, entretanto, conflito entre manifestantes e policiais militares em São Paulo (inclusive na região onde ficava a casa do então presidente Michel Temer) e no Rio. Na capital paulista, o ato ocorreu no Largo da Batata, onde 70 mil pessoas se reuniram, na estimativa do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. A polícia disse que eram apenas 3.000. O governo Temer tentou minimizar o protesto, tentando ressaltar os episódios de violência e seu caráter estritamente político. O então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, afirmou que o Brasil tinha “funcionado normalmente”. A reforma da Previdência proposta por Temer foi apresentada em 2016 e teve sua tramitação suspensa em 2018, quando o governo decretou intervenção federal no Rio de Janeiro (a legislação proíbe aprovação de emendas à Constituição durante intervenções federais). Tido como o presidente mais impopular desde o fim da ditadura militar (foi considerado ruim ou péssimo por 62% dos entrevistados no final do mandato, em 2018, segundo o Datafolha) e denunciado duas vezes pela Procuradoria-Geral da República na Lava Jato, Temer não conseguiu apoio político para conseguir aprovar as mudanças nas aposentadorias.

Nexo Jornal


Governo Bolsonaro aposta em fiasco da greve geral nesta sexta

O governo federal ainda duvida que a greve geral, marcada para esta sexta-feira (14/06/2019), será um grande ato que atrairá milhões de trabalhadores para as ruas do Brasil. O Palácio do Planalto acredita, na verdade, que o evento será fraco e a orientação é para que, nas redes sociais, simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro (PSL) combatam qualquer tentativa de enaltecer as manifestações por militantes da oposição.

O Metrópoles conversou com diversos parlamentares do PSL e da base do governo. Muitos chegaram a usar a palavra “fiasco” para definir o evento. A greve geral foi marcada por sindicatos, partidos e entidades estudantis contra a reforma da Previdência que tramita no Congresso Nacional.

“Você pode perceber que a primeira manifestação contra o corte nas universidades foi grande, mas não foi gigante. O segundo protesto já foi pífio. Na sexta será menor ainda. Não estamos preocupados com isso. Será um fiasco”, disse um líder do PSL no Congresso à reportagem.

“Nós vamos aprovar a reforma eles querendo ou não. É a vontade não só do governo como do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e das ruas”, afirmou um deputado do Democratas. Um outro senador do Cidadania acredita que apenas “petistas e socialistas” estão empenhados. “Gente de bem estará trabalhando e não vai perder tempo com esse fiasco”, completou o senador.

No Palácio do Planalto, o próprio presidente vem desdenhando da manifestação. Assessores de Bolsonaro disseram que o militar reformado acredita que é preciso ficar atento aos atos, mas sem dar mais importância do que eles de fato merecem. Opinião parecida é compartilhada pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Cautela militar

Apenas os militares do governo preferem a cautela ao invés da comemoração antecipada. Ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, que tem como missão prevenir ocorrências e articular o gerenciamento de crises, pediu que seus subordinados fiquem de olho e prontos para agir em caso de uma grande manifestação.

O ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, tenta não alarmar os demais ministros e governistas, mas também acha cedo qualquer comemoração.

Na tarde desta quarta-feira (12/06/2019), um tuitaço em apoio à greve geral fez a #SextaTemGreve ascender à lista dos assuntos mais publicados do Twitter brasileiro.

Adesões

A hashtag tem sido impulsionada por parlamentares de oposição, especialmente dos partidos PT, PDT e PSol, além dos perfis da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em São Paulo, sindicatos de ferroviários, metroviários e motoristas de ônibus já confirmaram que vão aderir à paralisação.

No DF, se as previsões de sindicatos, confederações e federações se confirmarem, serviços públicos essenciais vão parar. Diversas categorias do e servidores federais decidiram aderir ao movimento. Duas áreas sensíveis serão afetadas: a educação e o transporte público.

Metropoles