“Basta de desmonte en Brasil”, la consigna en más de 50 ciudades el día del Paro Mundial Contra el Cambio Climático

Em basta contra desmonte do Brasil, trabalhadores cruzam os braços no próximo dia 20

Por Amélia Gomes

Entidades, centrais sindicais, movimentos populares e sindicatos, convocam Dia Nacional de Paralisações e Manifestações em defesa do meio ambiente, direitos, educação, emprego e contra a reforma da Previdência. O ato, marcado para a próxima sexta-feira (20) vem para denunciar o desmantelamento do Estado, executado por Jair Bolsonaro em seus oito meses de mandato.

Para se ter uma ideia, segundo os últimos dados do IBGE o desemprego no Brasil já ultrapassa a cifra de 13 milhões, outras 4 milhões de pessoas desistiram de procurar por trabalho. Do outro lado da balança está a ameaça às políticas públicas. Para 2020 Bolsonaro anunciou uma série de cortes em diversos setores; educação (-30%), energia (-38%) e habitação (-30%), por exemplo. Sendo o corte no Bolsa Família ainda maior, com redução de 41% do recurso destinado ao projeto.

E a lista de medidas que reduziram as políticas destinadas a população não pára por aí. Com o Programa de Aceleração das Privatizações, recém anunciado pelo ministro da economia Paulo Guedes, dezoito empresas federais estão no balcão, entre elas a Lotex, serviço de Loteria Instantânea Exclusiva e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). A ameaça de venda da estatal foi um dos motes que levou a recente greve dos trabalhadores dos Correios na última semana. Na prática, a venda de importantes empresas brasileiras representa o aumento de todas as tarifas dos serviços públicos. Isso quer dizer que os trabalhadores vão ter que colocar mais ainda a mão no bolso para arcar com as contas de água, energia, transporte, etc.

Assim como a reforma trabalhista, aprovada pelo Congresso em 2016, a proposta que agora coloca em xeque os direitos dos trabalhadores é a reforma da Previdência. O texto, aprovado na Câmara em agosto, aumenta a idade mínima de aposentadoria das mulheres para 62 anos e dos homens para 65 anos, além de instituir tempo maior de contribuição (40 anos) para quem quiser se aposentar com o benefício integral.

A proposta está agora sob análise do Senado. Por isso, o principal mote do ato do dia 20, além de denunciar a destruição do país, é pressionar os senadores mineiros Antônio Anastasia (PSDB), Carlos Viana (PSD) e Rodrigo Pacheco (DEM) sobre a votação da reforma da previdência. Como destaca Bruno Pedralva, diretor do Sindicato dos Servidores Públicos de Belo Horizonte- Sindibel, uma das entidades que organiza o ato na capital mineira. “Nós vamos para a porta dos gabinetes dos senadores mineiros pra pressionar eles a votarem em favor do povo”, afirma.

Zema também está na mira

A tentativa de vender as estatais de Minas Gerais também está na pauta das manifestações. A privatização da Cemig, Copasa e de outras empresas do estado é moeda de troca para aprovação do Regime de Recuperação Fiscal proposto por Jair Bolsonaro e defendida por Zema. Na avaliação da coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação – Sindute, Denise Romano, se aprovado, o regime impactará principalmente a vida dos servidores “É um governo que só cortou da educação, fez fusão de turmas e que não investe nem o mínimo exigido por lei no setor, que são os 25%. No primeiro semestre destinou apenas 17.4%. Esse é o pior índice dos últimos 17 anos.” denuncia.

PEC paralela

Os senadores querem aprovar pontos que foram retirados do texto da reforma da Previdência na Câmara dos deputados. Esse é o intuito da Proposta de Emenda da Constituição 133/2019, conhecida como PEC Paralela. O texto prevê por exemplo, o retorno da proposta de capitalização da aposentadoria, ou seja impõe que as contribuições dos trabalhadores fiquem em conta individual em seguradora da iniciativa privada. A media atende sobretudo ao interesse dos bancos. A PEC paralela foi a alternativa encontrada pelos senadores para não precisarem alterar o texo aprovado na Câmara dos Deputados, já que, caso houvesse mudança a proposta teria de voltar para ser analisada e votada novamente pelos deputados. A PEC Paralela deve ir a votação em outubro.

Além da capitalização outro ponto polêmico do texto é a inclusão dos servidores estaduais e municipais no novo regime previdenciário. Motivo pelo qual ela é um dos alvos do ato do dia 20. “Cada estado e município tem uma realidade diferente, as finanças públicas são distintas nas diferentes esferas. Então queremos que cada estado e município discuta a sua própria previdência levando em conta aspectos locais”, ressalta Bruno Pedralva.

Ato na capital mineira

Em Belo Horizonte os manifestantes se concentram às 9 horas em frente a Prefeitura, que fica na av. Afonso Pena, n° 1212.

Brasil de Fato


Greve Global Pelo Clima deverá ter atos em mais de 50 cidades brasileiras

Ambientalistas em todo o mundo estão organizando para esta sexta-feira (20) a Greve Global Pelo Clima. Em anúncio na Câmara nesta quarta-feira (18), parlamentares e ativistas anunciaram que o movimento no Brasil visa reivindicar 15 medidas para o governo, dentre elas está a aplicação dos recursos previstos para o Fundo Clima, o Fundo Amazônia, a Compensação Ambiental e a Conversão de Multas.

O manifesto divulgado traz dados preocupantes. Até 2050 serão 200 milhões de refugiados climáticos no mundo, segundo aponta o documento. É despejado nos oceanos mais de 25 milhões de toneladas de resíduos todos os anos. Segundo os últimos levantamentos, se continuar neste ritmo, em 2050 haverá mais lixo que peixes nos mares.

“Para enfrentar a gravidade da situação é necessária a mobilização popular, o esclarecimento da sociedade global sobre a crise, políticas públicas estratégicas e mudanças socioeconômicas radicais”, dizem os ambientalistas através do documento.

“A gente está vivendo uma emergência climática, o nosso planeta não aguenta mais”, alerta Ian Cloelho, 17 anos, integrante da Coalizão Pelo Clima. O coletivo é a união de diversos atores da sociedade civil, que se unem para exigir mudanças nas políticas ambientais. “A gente junta dentro desta coalizão estudantes, ONGs, manifestantes partidários ou não”, explica o jovem.

A Coalizão é formada por instituições como Greenpeace, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Lute pela Floresta, Famílias pelo Clima, Maré Socioambiental e partidos políticos. Em Brasília, as manifestações começarão às 17h.

Veja os 15 pontos de reivindicação:

  1. Neutralização das emissões de carbono e demais gases de efeito estufa em até 80% até 2030 e em 100% até 2050;
  2. Criação e sanção de leis de Clima adequadas no Brasil até o ano de 2020;
  3. Estabelecimento e execução de planos de mitigação da crise climática, visando a consolidação de uma economia de baixo consumo de carbono em todos os setores da economia;
  4. Criação de políticas públicas de promoção da restauração ecológica de áreas degradadas e investimentos em energias renováveis, além do cumprimento do compromisso de Estado assumido no Acordo de Paris de reflorestar 12 milhões de hectares até 2025;
  5. Descontigenciamento imediato de todos os recursos previstos para a área socioambiental este ano;
  6. Retomar os trabalhos e a aplicação dos recursos previstos para o Fundo Clima, o Fundo Amazônia, a Compensação Ambiental e a Conversão de Multas;
  7. Cobrança de grandes devedores do governo no setor empresarial – agronegócio, pecuária, bancos, igrejas, indústrias – para fortalecer o Fundo Clima no combate às emergências climáticas;
  8. Mobilização de mais recursos para pesquisa e implementação de iniciativas e soluções voltadas para ações climáticas;
  9. Apoiar a gestão territorial e ambiental de terras indígenas e as iniciativas indígenas de adaptação e mitigação à emergência climática;
  10. Ampliação da educação sobre meio ambiente e sustentabilidade nas escolas, universidades e comunidades;
  11. Criação de um conselho de combate à crise climática composto de forma paritária pela sociedade civil, comunidade científica, organizações não-governamentais e representantes do governo;
  12. Garantia de um conjunto de políticas desenhadas para assegurar uma transição justa com trabalho decente que ofereça oportunidades às trabalhadoras e aos trabalhadores e às comunidades implicadas e compromisso dos setores envolvidos no processo de elaboração e implementação destas políticas dentre elas o Estado, empresas e trabalhadores, sindicatos e comunidades;
  13. Consideração do tema da emergência climática e medidas de adaptação nas políticas públicas ambientais, de recursos hídricos e de uso do solo;
  14. Fortalecimento dos órgãos/instituições ambientais e de pesquisa; e
  15. Consideração das informações científicas na tomada de decisões do Governo relativas à gestão ambiental e de recursos hídricos.

Calendário de manifestações

20/09/2019

ALAGOAS
Maceió | 13:30 | Em frente à prefeitura

AMAZONAS
Manaus | 17:30 | Aula pública “Amazônia e Mudanças Climáticas” | Largo de São Sebastião

AMAPÁ
Macapá | 16:00 | Parque do Forte

BAHIA
Feira de Santana | 15:00 | Pista de Skate – R. Barão de Cotegipe, 964
Salvador | 9:00 | Concentração na Praça 2 de Julho, Largo do Campo Grande
Vale do Capão | 8:30 | Escola Brilho do Cristal

CEARÁ 
Fortaleza | 07:30 | Ação da Escola Vila na Praça da Igreja Nossa Senhora de Fátima
Fortaleza | 8:00 | Marcha pelo Clima na Praça Luíza Távora – Av. Santos Dumont, 1589 |

DISTRITO FEDERAL
Brasília | 17:00 | Concentração na plataforma inferior da Rodoviária (escadas do metrô) para em seguida sair em marcha até o Congresso Nacional.

MARANHÃO
São Luís | 15:00 | Praça Deodoro

MINAS GERAIS
Belo Horizonte | 17:30 | Igreja Nossa Senhora da Paz, Rua Nilo Aparecido, 341
Uberlândia | 15:00 | Em frente à prefeitura

PARÁ
Belém | 16:00 | Escadinha do Cais do Porto

PARAÍBA
João Pessoa | 9:00 | Centro Administrativo Municipal (Rua Diógenes Chianca, 1777 – Água Fria

PARANÁ
Campo Mourão | 9:00 | Praça são José
Curitiba | 17:30 | Praça Santos Andrade
Maringá | 19:00 | Praça da Catedral, em frente à catedral de Maringá
Ponta Grossa | 12:00 | Calçadão

PERNAMBUCO 
Recife | 16:00 | Praça do Derby

PIAUÍ
Parnaíba | 8:00 | Cemti Polivalente
Teresina | 12:00 | Em frente ao IFPI Central | Praça da Liberdade

RIO DE JANEIRO
Rio de Janeiro | 10:00 | Em frente à ALERJ – R. Primeiro de Março, S/n – Praça XV
Rio de Janeiro | 14:30 | IFRJ Maracanã. Rua Senador Furtado 121/125
Rio de Janeiro | 16:00 | Em frente ao IBAMA – R. Primeiro de Março, S/n – Praça XV |

RIO GRANDE DO NORTE
Mossoró | 15:00 | Praça do PAX | Rua Coronel Gurgel, 191
Natal | 15:00 | Praça Cívica (Praça Pedro Velho)

RIO GRANDE DO SUL
Porto Alegre | 15:00 | Redenção

SÃO PAULO 
Bauru | 17:00 | Em frente à Câmara Municipal
Bertioga | 9:00 | Forte São João Bertioga. Av. Vicente de Carvalho, s/n
Campinas | 16:00 | Largo do Rosário
Cotia / Granja Viana | 8:00 | Em frente à escola Sidarta, Estrada Fernando Nobre, 1332
Guaratinguetá | 14:00 | EMEIEF Profª Aliete Ferreira Gonçalves, Rua Geraldo Nunes, 304 – bairro São Manoel
Guarujá | 17:00 | Praça Horácio Lafer
Ilhabela | 10:00 | Praça da Mangueira
Limeira | 13:00 | Praça Toledo Barros
Peruíbe | 09:00 | Praia de Peruíbe, Avenida da Praia Peruíbe
Santos | 14:00 | Estação da Cidadania (Av. Ana Costa)
São Carlos | 15:30 | Praça XV de Novembro
São Paulo | 16:00 | MASP – Museu de Arte de São Paulo, Av. Paulista, 1578 |

SANTA CATARINA
Araquari | 16:00 | Aldeia Tarumã
Atalanta | 9:00 | Em frente à prefeitura
Florianópolis | 15:00 | Largo da Catedral de Florianópolis
Jaraguá do Sul | 17:30 | Museu da Paz
José Boiteux | 16:00 | Centro – Av. 26 de Abril, 140
Palhoça | 16:00 | Morro dos Cavalos
Porto União | 12:00 | Praça do Contestado

SERGIPE
Aracaju | 15:00 | Calçadão da João Pessoa

21/09/2019
Itapecerica da Serra (SP) | 13:00 | Concentração na Praça João Pessoa (Panificadora da Serra) e Caminhada pelo Clima. Às 14:30 plantio de mudas no Parque do Povo.

22/09/2019
Belo Horizonte (MG) | 17:30 | Igreja Nossa Senhora da Paz. Rua Nilo Aparecido, 341
Goiânia (GO) | 16:00 | Parque Flamboyant – Jardim Goiás
Indaiatuba (SP) | 16:00 | Parque Ecológico (Quiosques) – Av. Fábio Roberto Barnabé
São Paulo (SP) | 9:30 | Pedalada na Horta da Missão Ambiental, Rua Moreira de Godoy, 1, Ipiranga

25/10/2019
Nilópolis (RJ) | 9:00-17:00 | Inicia no auditório da IFRJ e às 15h manifestação no pátio com a comunidade.
Águas da Prata (SP) | 7:00 | Escola de Guardiões – Rua Yolanda Prezia, 72 – Jd Moneda

27/09/2019
Manaus (AM) | 15:00 | Praça da Saudade
Cuiabá (MT) | 11:00 | UFMT – RESTAURANTE UNIVERSITÁRIO, Av. Fernando Correa da Costa, 2367
Teresina (PI) | 17:00 | Praça Pedro II

Esquenta a agenda ambiental no Congresso

uol


Comunicado CUT: Trabalhadores estarão nas ruas no dia 20 por direitos e por aposentadoria

Diversas categorias de vários estados estão mobilizados para os atos e paralisações na próxima sexta-feira (20), chamados pela CUT e demais centrais, pela Coalização pelo Clima e pelos movimentos sociais das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. Todos juntos em defesa do clima, dos direitos sociais, trabalhistas e pela educação que vêm sendo atacados pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Além de queimar as florestas brasileiras e abrir caminhos para o desmatamento desenfreado, Bolsonaro está “queimando” direitos sociais e trabalhistas e destruindo o Brasil, diz o Secretário-Geral da CUT, Sérgio Nobre, ao convocar todos os trabalhadores e trabalhadoras a participarem do Dia Nacional de Luta Contra a Rerforma da Previdência nesta sexta-feira. Também fazer nos somar aos atos da Coalização pelo Clima em defesa do meio ambiente que ocorre no mesmo dia em todo o mundo.

Todo dia é anunciado um retrocesso, um ataque aos trabalhadores e a toda a sociedade, prossegue o dirigente.

“Esta semana ficamos sabendo que o governo estuda congelar o Salário Mínimo e que liberou mais de 63 tipos de agrotóxicos. Nos primeiros dias da gestão, Bolsonaro encaminhou ao Congresso a reforma da Previdência que acaba com o sonho da aposentadoria de milhões de trabalhadores. A lista de ataques é enorme e não para de cresce. Motivos não faltam para ir ás ruas,” diz Sérgio.

“Os grupos econômicos que destroem a Amazônia são os mesmos que apoiam o fim da aposentadoria, da educação pública, dos serviços públicos e que buscam lucrar em cima da privatização dos nossos direitos”, acrescenta o secretário do Meio Ambiente da CUT, Daniel Gaio.

“As lutas não estão separadas umas das outras porque os interesses do capital se encontram muito bem alinhados quando se trata se apropriar de direitos conquistados, por isso a importância de estarmos juntos nessa sexta contra essa agenda de destruição”, ressalta Gaio.

Atos no Brasil

São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Pernambuco, Brasília, Bahia e Ceará já têm locais e horários confirmados [veja no fim da matéria]. No Rio Grande do Sul o ato da classe trabalhadora será no dia 24.

Categorias organizadas

Metalúrgicos, trabalhadores e trabalhadoras da educação e servidores públicos estão mobilizados para o Dia Nacional de Paralisações e Manifestações em Defesa do Meio Ambiente, Direitos, Educação, Emprego e Contra a Reforma da Previdência. Os petroleiros e os bancários irão se somar nos atos das capitais.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC tem uma agenda de assembleias para consultar os trabalhadores sobre a paralisação. As empresas Fledlaz, de Ribeirão Pires, e a Delga, em Diadema, aprovaram cruzar os braços na manhã do dia 20, como orientou a CUT.

Os trabalhadores e as trabalhadoras da educação, tanto da básica, ligados a CNTE, quanto das universidades ligados a APUB e a FASUBRA, estão mobilizados para a paralisação nas escolas de manhã e vão se somar a tarde aos atos de ruas das capitais com a Greve Global Pelo Clima.

Os servidores públicos ligados à CUT, tanto federais, municipais e estaduais, também vão aderir a paralisação e estarão nas ruas no dia 20.

Saiba onde já tem atos marcados

Bahia

– Caminhada da Praça do Campo Grande até Praça Castro Alves em Salvador, a partir das 9h.

Brasília

– Ato na Plataforma inferior da Rodoviária de Brasília, a partir das 17h.

Minas Gerais

– A partir das 9h, manifestações dos servidores públicos municipais e estaduais, pressão nos escritórios regionais dos senadores e depois marcha pelo centro da cidade com concentração na frente da prefeitura.

Pernambuco

– Ato na Praça do Derby, em Recife – concentração a partir das 14h.

Santa Catarina

– Ato com concentração às 15 horas, na Câmara de Vereadores em Guaramirim (Rua Vinte e Oito de Agosto, 2042- Centro) – para protestar e pedir uma audiência pública sobre o fechamento do terminal da Petrobras na cidade, pois esse abastece toda região e com o fechamento o município pode perder até 30% da arrecadação.

– Em Florianópolis, o ato está sendo chamado para às 17h, no largo da Catedral.

São Paulo

Na capital paulista, as atividades estão programadas a partir das 13h, no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), com aula pública sobre aquecimento global e oficinas de cartazes. O ato terá concentração às 16h.

CUT


Agronegócio dividido? Lideranças divergem sobre escândalos ambientais

A agenda ambiental entrou de vez na pauta nacional. Nesta semana, o plenário do Congresso Nacional se transformou em uma comissão geral para debater a liberação de agrotóxicos e, em 4 de setembro, todo o parlamento se reuniu para discutir as queimadas na Amazônia. Governadores se encontram em fóruns, ministros visitam a região da floresta e o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se empenha para convencer o mundo de que atua em favor do meio ambiente.
A tentativa é transparecer que as ações estão coordenadas para solucionar os escândalos, mas, aparentemente, falta articulação em uma ala: as lideranças ruralistas. É o que mostram declarações de figuras do agronegócio que expõem rachaduras entre si.

A senadora Katia Abreu (PDT-TO), por exemplo, diz à imprensa que a retórica de Bolsonaro é “antiambiental” e ataca produtores rurais que são favoráveis ao governo. Uma divisão entre setores do agronegócio? Foi o que sugeriu ao jornal O Estado de S. Paulo:

“Os produtores estão enganados. Os produtores estão alegres hoje e poderão chorar amanhã. Temos o agro que produz na roça, que apoia o Bolsonaro. Mas o agro tem outras cadeias: a produção de insumos (adubos, fertilizantes e agroquímicos), o processamento (frigoríficos, esmagadores de soja) e industrialização e os transportadores. Esses três últimos estão desesperados, porque quem vai bater na porta com a cara e a coragem para vender são eles. Isso é tudo agronegócio também”, disse a ex-presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em entrevista publicada no dia 13 de agosto.

Na contramão de Katia, o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Marcelo Vieira, fez elogios às decisões ambientais do governo. Ao mesmo veículo, disse que o escândalo internacional sobre as queimadas é fruto de “países concorrentes do Brasil”. Não houve tom crítico a Bolsonaro.

“O governo federal está falando em montar uma força-tarefa para solucionar o problema. É a estratégia correta”, afirmou Vieira, em 23 de agosto. “As discussões dentro dos ministérios e no governo estão indo na direção correta.”

CartaCapital procurou Katia e Vieira para questioná-los sobre quais são as aparentes divergências entre setores do agronegócio em relação às políticas ambientais do governo. No entanto, ambos recusaram ceder entrevista.

Fato é que, no exterior, os reveses crescem. Nesta semana, um grupo de 230 investidores manifestou preocupação com a crise do desmatamento na Amazônia e pediu que empresas adotem políticas de fiscalização e transparência. Alemanha e Noruega já suspenderam recursos de apoio à preservação. E o tema, possivelmente, será pauta na 74ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, na próxima semana.

As políticas ambientais dividem o agronegócio?

Para o deputado federal Neri Geller (PP-MT), da comissão de Meio Ambiente da Frente Parlamentar da Agropecuária, “a questão ideológica não tem que ser posta na mesa”, mas ele admite que houve “erros de comunicação” entre o governo e lideranças do agronegócio. O parlamentar esteve no estado do Pará, com governadores, ministros, membros do Exército e órgãos de fiscalização, para discutir o combate aos incêndios criminosos.

“A questão ideológica, nesse momento, tem que ser deixada de lado. Nós estamos falando de soberania nacional e de desenvolvimento econômico e social. E a atividade econômica mais forte, hoje, com certeza é a produção, desde a produção de soja, pecuária e a agroindustrialização que está avançando muito no Centro-Oeste e no Norte do país. Então, a gente tem que fazer a discussão técnica, sem paixão política, nem direita, nem esquerda, nem de centro. Não estou fazendo crítica à ex-ministra Katia Abreu e nem ao presidente Bolsonaro. Acho que teve alguns erros de comunicação, alguns excessos, isso sim, mas também quero ser justo. Vejo que há, por parte do governo, um alinhamento com os governos dos estados.”

Geller foi ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento entre 2014 e 2015, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo ele, é necessário fazer um combate sistemático às atividades ilegais, no entanto, a seca é maior neste ano, o que aumenta a possibilidade de mais queimadas.

Ele defende o estabelecimento de uma regulação fundiária para captar os responsáveis pelos incêndios. A medida também é defendida pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Durante evento em São Paulo, Salles afirmou que muitas terras não possuem registro e, portanto, estabelecer uma regulação permitiria “saber quem é o CPF que se responsabiliza pelo que está acontecendo”. A argumentação é a mesma de Geller.

“Neste ano a seca é muito maior do que historicamente, o que possibilita mais queimadas. É importante ressaltar que, onde tem produção, tem poucas queimadas, como no norte do Mato Grosso. Além disso, a maioria dos focos de incêndio se dá em beiras de BR, onde falta fazer manutenção em estradas, o que provoca o fogo e se alastra nas reservas onde não há segurança e controle maior. Diferente é nas áreas de produção, porque as queimadas prejudicam a rentabilidade do produtor. Ao queimar a mata onde se faz o plantio direto, é preciso queimar fertilizante e criar um ambiente negativo do ponto de vista da fertilidade do solo. Criou-se um estigma na imprensa com relação a algumas atividades ilegais, que precisam ser combatidas, mas é muito pouco. Acontece principalmente em assentamentos de reforma agrária, regiões mais longínquas, que não têm recurso nem domínio da tecnologia. Precisamos fazer um trabalho forte da regulação fundiária, para captar quem são os responsáveis por essas áreas”, diz.

Já o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) ataca frontalmente as políticas ambientais do governo. O petista também foi ministro de Dilma Rousseff, em 2016, na pasta do Desenvolvimento Agrário. Ananias diz que a conduta do Palácio do Planalto no tema “é um desastre”, porque não apresenta nenhuma política ambiental. Sobre a divisão entre os setores do agronegócio, ele afirma que há divergências próprias das “relações humanas”.

“Certamente, dentro do agronegócio, nós temos uma síntese das relações humanas. Então, embora seja um setor marcadamente mais conservador, é claro que existem, também, diferenças internas entre eles. Temos um setor, digamos, mais retrógrado, que não tem nenhuma sensibilidade social e ambiental, ‘é o meu ganho aqui e agora’, não tem nenhuma perspectiva de futuro. E, certamente, tem algumas pessoas com maior sensibilidade, com relação ao meio ambiente, por exemplo, até porque a questão é fundamental para a agricultura”, explica o deputado.

E que divisão é essa?

Na avaliação de especialistas, é difícil caracterizar a divisão entre lideranças do agronegócio entre quem se preocupa e quem ignora a preservação ambiental. A discussão é estratégica. Esta é a visão da doutora em Geografia Humana e professora da Universidade Federal do ABC, Yamila Goldfarb. Segundo ela, a degradação ambiental pelo agronegócio não é um fato novo. No entanto, agora há um discurso presidencial que estimula estas ações.

“Tem questões do ponto de vista estratégico que alguns setores não conseguem enxergar. Primeiro, o agronegócio brasileiro, principalmente o agroexportador, que exporta commodities, sempre foi devastador. Avanços sobre as fronteiras agrícolas sempre foram feitos à base da derrubada de florestas, das queimadas, do conflito fundiário e da tomada de terras de comunidades tradicionais. Então, não há grande novidade no que está acontecendo. O que existe é que, desta vez, há um discurso que legitima essas ações. Então, quem tem uma mente minimamente estratégica, sabe que esse discurso é um tiro no pé. Porque, para exportarmos commodities, temos que cumprir uma série de acordos que dizem respeito à preservação do meio ambiente”, opina.

Na avaliação dela, é possível que alguns setores da agropecuária vejam vantagens na conduta ambiental do governo, enquanto outros sentem impactos negativos de forma direta.

“Quem bota fogo em floresta são pessoas que estão grilando terras e que vão vendê-las para produtores rurais. O produtor, depois, tem que vender. E a agroindústria, que vai comprar, vai processar e vai vender, está em outro momento da cadeia produtiva. Então, de fato, a cadeia do agronegócio é muito extensa. E setores da ponta, num extremo inicial, quem está produzindo os insumos, e num extremo final, os que vão processar as commodities para vender, talvez sejam sim prejudicados pela ação desse setor que está no meio da cadeia, que é o da produção em si.”

Doutor em Geografia e professor da Universidade de Brasília, Juscelino Eudâmidas Bezerra avalia que a estratégia “hard power” do governo colaborou para as primeiras fraturas no campo político-empresarial que ajudou a eleger Bolsonaro. Nesta estratégia, por exemplo, o presidente deslegitimou dados científicos apresentados por institutos tradicionais, demitiu o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), rebateu críticas de líderes internacionais e colocou sob suspeita a atuação de organizações dedicadas à preservação do meio ambiente.

A explicação mais visível para as fissuras iniciais é o risco de países europeus boicotarem os produtos vendidos pelo Brasil. A ideia foi sinalizada pela Finlândia, presidente rotativa da União Europeia, que sugeriu aos países associados a suspensão de compras do mercado brasileiro. Marcas internacionais também já anunciaram a interrupção nas relações comerciais com fornecedores de couro.

Mas o professor também indica que o “hard power” de Bolsonaro contrasta com uma campanha que os ruralistas adotaram desde os anos 1990 para transmitir uma imagem de sensibilidade e modernidade. Ele lembra que o próprio termo “agronegócio” não era utilizado até aquela época. A adoção do nome teve a intenção de, justamente, desfazer associações do setor a conflitos por terra, massacres no campo e violações de leis ambientais por latifundiários. Anos depois, quando a própria televisão reproduz a ideia de que “o agro é pop”, promover discursos austeros representa, a algumas alas, retrocessos em uma campanha que há anos é construída.

Por outro lado, para o professor, há uma questão geopolítica que deixa certos produtores despreocupados com o rigor na legislação ambiental. Apesar de países europeus alardearem o cenário brasileiro, diz o professor, é a China que representa maior parte da compra de nossas commodities e, ao mesmo tempo, não apresenta exigências duras quanto à regulação ambiental. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, entre janeiro e agosto de 2019, 32,38% das exportações brasileiras foram para a China, à frente da União Europeia (17,73%) e dos Estados Unidos (7,36%). Em 2018, os chineses compraram quase 80% da soja brasileira.

“Alguns produtores, sobretudo os que fazem o produto e o põem em circulação, e que não dominam toda a rede, eles estão preocupados em saber o custo da produção e o quanto ele vai ganhar no final. E há uma questão geopolítica que envolve a China. A commodity brasileira mais importante é a soja, e a China é a maior compradora. Eu pergunto: o que a China demanda em termos ambientais e sociais? Nada. Então, um produtor do Mato Grosso que vende sua produção para a China, por que ele vai se interessar em saber se está seguindo alguma regra ambiental? No dia em que a China mudar suas práticas de compra, talvez haja alguma mudança”, argumenta o professor.

Carta Capital


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