Hijo de Bolsonaro critica la utilidad de la democracia en Brasil

Uno de los hijos de Bolsonaro cuestionó la utilidad de la democracia

Carlos Bolsonaro, uno de los hijos del presidente Jair Bolsonaro, volvió a sembrar la polémica con un tweet en el que cuestiona la utilidad de la democracia para conseguir la transformación que “Brasil quiere”.

“Por la vía democrática, la transformación que Brasil quiere no ocurrirá al ritmo que deseamos… si es que ocurre”, escribió el lunes por la noche Carlos Bolsonaro, de 36 años, concejal de la Asamblea de Río de Janeiro y segundo hijo del mandatario. “Solo veo todos los días la rueda girando en torno a su propio eje y los que siempre nos dominaron nos siguen dominando de maneras distintas”, agregó en el mensaje.

El comentario causó una gran controversia en la red social y fue visto por algunos usuarios como una “amenaza al estado de derecho” en Brasil. “@CarlosBolsonaro, hijo del presidente, dice que no hay transformación por la vía democrática. De este modo afirma la vena dictatorial de la ‘famiglia’ Bolsonaro”, escribió Paulo Teixeira, diputado federal del izquierdista Partido de los Trabajadores (PT).

Por su parte, el centroderechista Partido de la Social Democracia Brasileña, del expresidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), recordó que el presidente Bolsonaro fue electo “por la vía democrática” y afirmó que “la democracia es la única opción posible”. Más tarde, el hijo del mandatario respondió con ironía: “Ahora me volví dictador? La madre que los parió”.

El presidente de Brasil, un ex capitán del Ejército, es un firme admirador de la dictadura militar (1964-1984) y ha desatado numerosas polémicas con familiares de víctimas de los años de plomo al alabar públicamente a torturadores. La semana pasada ya se había manifestado en favor de la dictador chileno Augusto Pinochet.

Apodado “pitbull” por la actitud protectora hacia su padre, Carlos Bolsonaro es considerado el más influyente de los tres hijos del mandatario que se dedican a la política. Tuvo un papel central en la llegada al poder del mandatario, al frente de su exitosa campaña en las redes sociales. Este sábado desfiló al lado de su padre sobre un Rolls Royce descapotable durante la ceremonia de conmemoración de la independencia de Brasil.

En los últimos meses, Carlos Bolsonaro ha protagonizado varios enfrentamientos con ministros, algunos de los cuales terminaron apartados del gobierno, entre ellos el de la Secretaría General de la Presidencia, Gustavo Bebianno, o el de la Secretaría de Gobierno, el general Carlos Santos Cruz.

Las controversias provocadas por los miembros del ‘clan Bolsonaro’ son frecuentes desde la campaña electoral que lo llevó al poder. En octubre del año pasado, Eduardo Bolsonaro, diputado federal a quien el mandatario baraja nombrar embajador de Brasil en Estados Unidos, dijo que para cerrar la Corte Suprema “basta un soldado y un cabo”. El lunes, colgó una foto en Twitter en la que aparece en el hospital, con una pistola en la cintura, junto a su padre, que convalece de una operación de hernia abdominal.

Página 12


Carlos Bolsonaro diz que país não terá transformação rápida ‘por vias democráticas’ e é criticado por autoridades

Uma mensagem do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, publicada em redes sociais causou reações críticas veementes de autoridades em Brasília nesta terça-feira (10).

O vereador carioca afirmou na publicação que a transformação que, segundo ele, o Brasil quer, não acontecerá na velocidade almejada, pelas vias democráticas.

“Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos… e se isso acontecer. Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes!”, afirmou o vereador em rede social.

Na manhã desta terça, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), criticaram a fala do vereador.

Após a repercussão da publicação, Carlos Bolsonaro publicou nova mensagem dizendo que apenas deu “uma justificativa aos que cobram mudanças urgentes”.

Mourão

Em rápida entrevista na portaria da vice-presidência, no Palácio do Planalto, Mourão afirmou que a democracia é “fundamental”. Questionado se a democracia é importante e se deveria ser mantida no país, Mourão respondeu (veja no vídeo acima):

“Fundamental [democracia], são pilares da civilização ocidental. Vou repetir para você: pacto de gerações, democracia, capitalismo e sociedade civil forte. Sem isso, a civilização ocidental não existe”, afirmou.

Mourão está no exercício da Presidência desde domingo (8), quando o presidente Jair Bolsonaro foi internado em São Paulo para a quarta cirurgia decorrente do atentado a faca que sofreu durante ato de campanha em Minas Gerais, no ano passado.

Sobre aprovar medidas mais rápidas, Mourão afirmou que é preciso “negociar” com o Congresso. “Temos que negociar com a rapaziada do outro lado ali da praça [em referência ao prédio do Congresso, que fica do lado oposto ao Planalto na Praça dos Três Poderes]. É assim que funciona. Com clareza, determinação e muita paciência”, declarou.

Alcolumbre

Ainda na manhã desta terça, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que declarações no sentido de enfraquecer a democracia tem o seu “desprezo”.

Uma manifestação ou outra em relação a esse enfraquecimento tem da minha parte o meu desprezo. Eu confio na democracia, eu acredito nas instituições e, por isso, eu cumpro meu papel tentando dar estabilidade a um país que de 200 milhões de brasileiros que aguardam as nossas respostas para emprego, mais saúde, mais educação”, declarou o presidente do Senado.
Em entrevista no Senado, Alcolumbre disse, ainda, que a “democracia está fortalecida”. Questionado se caberia fazer alguma transformação no país pelas vias não democráticas, como sugeriu Carlos Bolsonaro, Alcolumbre respondeu:

“O Senado Federal, o parlamento brasileiro, a democracia está fortalecida. As instituições, todas, estão pujantes, trabalhando todas pelo Brasil.”

Maia

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a declaração de Carlos Bolsonaro “não cabe num país democrático”. Para Maia, frases como a proferida pelo filho do presidente da República devem “colaborar muito com a insegurança dos empresários brasileiros e estrangeiros de investir no Brasil”.

“O Brasil não vai crescer 2,5%, vamos ter mais desempregados, mais fome, mais pobreza e a conta das nossas frases quem paga é o povo mais pobre. É por isso que a gente tem que refletir, cada um de nós, tendo alguma posição relevante ou sendo parente de alguém relevante, tem que ter muito cuidado com o que diz”, afirmou.

Maia afirmou também que a democracia é o sistema que dá estabilidade aos países, e que todas as frases contrárias à democracia liberal geram danos à confiança no Brasil.

“A gente podia estar crescendo 2,5%, reforma da Previdência teve um resultado melhor que o espero, Câmara e o Senado é reformista, por que vai crescer menos de 1%? Alguma variável de sinalização que o Brasil está dando, que os agentes públicos de todos os poderes estão dando que está gerando insegurança naqueles que poderiam estar investindo no Brasil”, finalizou.

Eduardo Bolsonaro

Na tarde desta terça, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), irmão de Carlos, saiu em defesa do vereador. Disse que Carlos Bolsonaro “não falou nada demais” e que “as coisas” na democracia “demoram por conta do debate”.

“Não temos condição de mudar na velocidade que gostaríamos. A gente debate, a gente fala, por nós teria outra velocidade”, acrescentou. Eduardo será indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Eduardo Bolsonaro ainda disse que “a democracia é a pior forma de governo” e atribuiu a frase a Winston Churchill, ex-primeiro-ministro da Inglaterra. Em seguida, acrescentou que Churchill também falou: “Com exceção de todas as demais”.

Quando o inglês se referiu à democracia em 1947, afirmou que “já foi dito que a democracia é a pior forma de governo exceto todas as outras já tentadas”.

O Globo


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