Brasil: allanan la residencia de líder del partido de Bolsonaro

Em meio à crise com Bolsonaro, presidente do PSL, Luciano Bivar, é alvo da PF no caso dos laranjas

O presidente do PSL, deputado federal Luciano Bivar , é alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga o lançamento de candidaturas laranjas pelo partido no estado de Pernambuco. Os agentes vasculham nesta manhã de terça-feira endereços ligados a ele, entre eles a sua residência e uma gráfica usada na campanha de 2018. A operação foi deflagrada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE). Não há mandados de buscas e apreensão a serem cumpridos em Brasília.

Entres os alvos da ação policial estão a residência de Bivar, em Jaboatão dos Guararapes, e a sede do PSL, em Recife.

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco autorizou as buscas em endereço do presidente do PSL. Inicialmente, a juíza Maria Margarida de Souza Fonseca, da 6ª Zona Eleitoral, rejeitou os pedidos dos investigadores. A Procuradoria Regional Eleitoral recorreu ao tribunal e, por seis votos a um, obteve autorização para seguir em frente com a investigação.

A Justiça Eleitoral decretou o sigilo das investigações. Pela decisão todo o caso deveria permanecer em segredo. O mesmo expediente foi adotado pela Justiça Eleitoral de Minas Gerais nas investigações sobre suposto uso de laranjas pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, também do PSL, nas eleições passadas.

Os casos sobre os quais se debruçam os agentes envolvem candidaturas femininas que teriam sido utilizadas para desviar recursos dos fundos eleitoral e partidário nas eleições do ano passado.

“As medidas de busca e apreensão, deferidas pelo TRE/PE, visam esclarecer se teria havido burla ao emprego dos recursos destinados às candidaturas de mulheres, tendo em vista que ao menos 30% dos valores do Fundo Partidário deveriam ser empregados na campanha das candidatas do sexo feminino, havendo indícios de que tais valores foram aplicados de forma fictícia objetivando o seu desvio para livre aplicação do partido e de seus gestores”, afirma nota divulgada pela PF.

O inquérito na Justiça Eleitoral investiga a prática dos crimes eleitorais e também de organização criminosa. A operação recebeu o nome de Guinhol, uma referência a um marionete, personagem do teatro de fantoches. Segundo a PF, o nome é pela possibilidade de candidatas terem sido utilizadas exclusivamente para movimentar transações financeiras escusas.

A operação ocorre em meio à crise entre o PSL e o presidente Jair Bolsonaro, que ameaça deixar a sigla por desavenças sobre o fundo partidário e o controle do partido. No início de outubro, o GLOBO mostrou que o partido vem enfrentando uma disputa interna pelo controle do seu fundo partidário de R$ 103 milhões . Aliados de Bolsonaro travam uma briga para que Bivar altere o estatuto da legenda e dilua com integrantes da executiva seu poder sobre o controle dos recursos. A mudança enfrenta resistência de Bivar, que começou a sofrer um processo de fritura por deputados que cobram sua saída do cargo.

A queda de braço que colocou em campos opostos Bolsonaro e Bivar em meio a disputas pelo controle dos recursos milionários do fundo partidário e pelo domínio político da segunda maior bancada na Câmara, tem ainda um ingrediente regional: a disputa pela Prefeitura do Recife . Maior colégio eleitoral de Pernambuco, com mais de um milhão de eleitores, a cidade é reduto de Bivar, ex-cartola do Sport Clube Recife, que estuda uma candidatura própria ou de um aliado. Bolsonaro, no entanto, quer emplacar o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Gilson Machado Neto, para substituir o prefeito Geraldo Júlio (PSB).

De malas prontas
No sábado, Bolsonaro reconheceu que trabalha com a possibilidade de deixar o PSL . Ele também afirmou que gostaria de ter o poder de vetar candidaturas do partido na eleição municipal do próximo ano.

Ao ser indagado se havia chance de sair do PSL, Bolsonaro respondeu:

— Lógico que existe . Não vou negar pra você. Nós queremos ver se há uma maneira de compor, que é muito difícil, porque a executiva, no meu entender, tem que abrir, tem que ser democrática.

O Globo