Brasil: por primera vez las personas negras son mayoría en las universidades públicas

Por primera vez los negros son mayoría en las universidades de Brasil

Por primera vez en Brasil, los estudiantes negros representan la mayoría en las universidades públicas. El año pasado su presencia alcanzó el 50,3%. Este dato es fruto de la política de cuotas raciales, introducidas a nivel federal en 2012 con el fin de reducir una desigualdad histórica.

Ahora los resultados son alentadores, aunque todavía no reflejan la composición social. En la actualidad un 55,8% de la población es afrodescendiente.

La Universidad Estatal de Río de Janeiro fue pionera en la implementación de las cuotas. Comenzó en 2003, una década antes que el resto del país. Al principio hubo cierta resistencia e incluso casos de agresiones racistas. Pero la determinación del exrector, el profesor de psicología Ricardo Vieiralves de Castro, fue decisiva para consolidar la política de discriminación positiva.

Los críticos temían que admitir a estudiantes negros de la periferia acabaría bajando el nivel académico, debido a las lagunas en su formación escolar. La realidad, sin embargo, demostró todo lo contrario. Los datos indican que los afrodescendientes no solo consiguen recuperar terreno en los primeros dos años, sino que en algunos casos llegan a superar a los colegas blancos.

“¡Que (la mujer negra) supere al hombre blanco es una maravilla!”

“Las mujeres negras consiguen un desempeño mejor que los hombres blancos. Es una clara inversión de la sociedad, porque tradicionalmente la mujer negra siempre fue la base de la pirámide. ¡Que supere al hombre blanco es una maravilla!”, señala Ricardo Vieiralves.

Su expectativa es que una mayor inclusión de negros en la universidad permita modificar la élite brasileña y por ende, las instituciones. Pero todavía queda mucho camino por delante, sobre todo porque este colectivo sufre un abandono escolar más severo por causa de la tradicional falta de recursos. Solo una política de incentivos puede lograr que la universidad sea cada vez más colorida e igualitaria.

Sin embargo, en la actual coyuntura ese escenario no parece probable. El presidente Jair Bolsonaro se opone a las cuotas porque considera que refuerzan los prejuicios raciales y crean más desigualdad y ha amenazado en varias ocasiones con suprimirlas.

Los recientes recortes presupuestarios en la educación y en las becas, que causaron protestas masivas de los estudiantes a lo largo de todo el año tampoco ayudan a dibujar un panorama optimista.

France 24


Negros são maioria nas universidades públicas do Brasil pela primeira vez

João da Silva cuja foto em um ato pela educação no Rio de Janeiro viralizou em maio.

O número de matrículas de estudantes negros e pardos nas universidades e faculdades públicas no Brasil ultrapassou, pela primeira vez, o de brancos. Em 2018, esse grupo passou a representar 50,3% dos estudantes do ensino superior da rede pública, segundo a pesquisa Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, publicada nesta quarta-feira pelo IBGE. Embora representem hoje mais da metade dos estudantes nas universidades federais, esse grupo ainda permanece sub-representado já que corresponde hoje a 55,8% da população brasileira.

O levantamento revela ainda que a população negra e parda está melhorando seus índices educacionais, tanto de acesso como permanência. O abandono escolar diminuiu de 30,8%, em 2016, para 28,8% em 2018. Entre a população preta ou parda de 18 a 24 anos que estudava, o percentual cursando ensino superior aumentou de 50,5%, em 2016, para 55,6% em 2018. Apesar do avanço, o percentual ficou bem abaixo do alcançado pelos brancos na mesma faixa etária, que é de 78,8%.

A melhoria dos índices educacionais dessa parcela da população na rede de ensino é, em parte, reflexo de políticas públicas, como o sistema de cotas, que proporcionaram o acesso e permanências da população preta e parda, segundo o IBGE. A Lei Federal de Cotas, sancionada em 2016, definiu que metade das matrículas nas universidades e institutos federais deveriam atender a critérios de cotas raciais.

Na avaliação do pesquisador Claudio Crespo, do IBGE, a melhora nos indicadores é relevante, mas como a desigualdade é histórica e estrutural, os avanços para a população preta ou parda só acontecem quando há mobilização social e políticas públicas direcionadas. “A intervenção de políticas públicas é um fator essencial para a redução dessa desigualdade. Onde há avanços percebidos, apesar da distâncias que ainda reside, são espaços em que houve intervenção de políticas públicas e também organização do movimento social para a conquista de uma sociedade mais igualitária, como as cotas para acesso ao nível superior”, afirmou à agência Brasil.

Para a mestra em Direito Winnie Bueno, integrante da Rede de Ciberativistas Negras, o avanço do número de matrículas de negros na universidade é importante, mas é preciso pensar também em políticas de permanência para que esses jovens concluam o Ensino Superior. “Há uma série de outros desdobramentos, por políticas de permanência que não são aplicadas. É preciso olhar para esse dado com profundidade ou se chegará à conclusão que alcançamos o objetivo da política de cotas e que está tudo bem. E está bem longe de estar tudo bem”, afirma Bueno.

Segundo o IBGE, também houve aumento de matrículas de estudantes negros nas universidades privadas, reflexo de programas como o Programa Universidade para Todos (Prouni), que concede bolsas de estudos parciais e integrais a estudantes de baixa renda. O percentual de vagas ocupadas por essa parcela da população nas instituições privadas avançou de 43,2% em 2016 para 46,6% em 2018.
“Achava que a universidade não era para mim”

Recém-formada em psicologia, Tamires Costa, negra, de 25 anos, foi a primeira da família a entrar em uma universidade. Filha de uma mãe analfabeta e de um pai que teve a chance de estudar apenas até a 3ª série, ela sempre recebeu incentivo familiar para prosseguir os estudos após terminar o ensino médio em uma escola pública. “Eu ficava receosa porque achava que a universidade não era para mim. Tinha a sensação que era elitizado, que era só para quem tinha dinheiro”, diz.

Essa desconfiança fez com que Tamires, apesar de ter realizado a prova do Enem, logo que terminou o ensino médio, adiasse a entrada na universidade. Dois anos depois, tentou outra vez a prova e conseguiu uma nota de corte que possibilitou o ingresso dela em uma faculdade privada de São Paulo com uma bolsa do Prouni, que cobria metade da mensalidade do curso de psicologia. A outra metade ela pagava com quase todo o salário que recebia como auxiliar administrativa de uma empresa de pesquisa.

Em 2016, no entanto, Tamires entrou para a fila do desemprego no país. Impossibilitada de pagar a mensalidade, chegou a pensar em deixar o curso. “Foi o maior pesadelo, fiquei um ano desempregada, acumulando uma dívida de 8.000 reais. Mas minha mãe não deixou que eu desistisse e conseguiu pegar um empréstimo para quitar as mensalidades atrasadas. Só assim, consegui finalizar o curso. Foi a maior vitória, ela que nunca teve uma oportunidade como essa foi a pessoa que mais me apoiou”, explica.

Apesar dos números apontarem para uma participação maior dos negros nas salas de aulas das universidades, Tamires, que chegou a participar de um coletivo negro, acredita que o ambiente acadêmico ainda tem um padrão branco. “Não tive nenhuma referência de docentes negros enquanto estava na graduação”, revela.

Atualmente, a agora psicóloga, é funcionária com carteira assinada de uma editora que produz produtos de psicologia. “Estou muito feliz porque depois de todo o esforço, eu vejo que valeu a pena. No último ano da faculdade, como o futuro é incerto, você fica com muitas dúvidas”. “Quando uma criança negra vê que alguém com cabelo na régua, que veio da favela, que fala e anda do mesmo jeito que ele entrou numa universidade, você está mostrando pra essa criança que ele também pode e deve entrar lá”, disse ao EL PAÍS João da Silva, cuja foto em um ato pela educação no Rio viralizou em maio. Assim como Tamires, João foi o primeiro da família a entrar na universidade.

Os próximos desafios enfrentados por Tamires devem ser dentro do mercado de trabalho. O levantamento publicado nesta quarta-feira revelou que as mulheres pretas ou pardas continuam na base da desigualdade de renda no Brasil. No ano passado, elas receberam, em média, menos da metade dos salários dos homens brancos (44,4%), que ocupam o topo da escala de remuneração no país.

El País Brasil


Negros são maioria pela primeira vez nas universidades públicas, aponta IBGE

O número de estudantes negros nas universidades públicas passou, pela primeira vez, o de brancos , segundo a pesquisa “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil”, feita pelo IBGE e divulgada nesta quarta-feira, com base na Pnad Contínua. Em 2018, o Brasil tinha mais de 1,14 milhão de estudantes autodeclarados pretos e pardos, enquanto os brancos ocupavam 1,05 milhão de vagas em instituições de ensino superior federais, estaduais e/ou municipais. Isso equivale, respectivamente, a 50,3% e 48,2% dos mais de 2,19 milhões de brasileiros matriculados na rede pública.

Esta é a primeira vez que os negros ocupam mais da metade das vagas nas universidades públicas. Em 2016, primeiro ano em que a pesquisa trouxe um módulo específico sobre educação, havia uma ligeira diferença: 49,5% dos estudantes eram negros e 49%, brancos.

Segundo o IBGE, o avanço dessa parcela da população é resultado, parcialmente, do sistema de cotas, que desde 2012 reserva vagas a candidatos de determinados grupos populacionais. A partir de 2016, segundo regras estabelecidas pelo Ministério da Educação (MEC) na Lei Federal de Cotas, ao menos 50% das vagas disponíveis no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), são reservas para atender critérios de renda ou raça. Se analisados em conjunto com os resultados do antigo questionário da Pnad, os dados mostram uma tendência crescente de ocupação de vagas por essa parcela da população.

— Temos uma trajetória de melhora. É resultado de um processo, da universalização do ensino fundamental, correção do fluxo escolar, adequação na série correta, redução do atraso, redução do abandono, somando com as políticas de acesso ao ensino superior, temos esse resultado final — afirma Luanda Botelho, analista do IBGE.

De acordo com o IBGE, nas universidades privadas também houve aumento da presença de negros, em função de programas como Fies e Prouni. Em 2016, 43,2% das vagas nessas instituições eram ocupadas por pretos e pardos. Dois anos depois, esse número passou para 46,6%, o equivalente a 2,93 milhões de estudantes.

O diretor da ONG Educafro, Frei David, credita o aumento do número de estudantes negros nas universidades a uma série de medidas que vêm sendo adotadas desde a década de 1990.

— O primeiro grande fenômeno que gerou esse avanço foi a determinação da comunidade negra a partir dos anos 1990 a criar, nos quatro cantos do Brasil, pré-vestibulares comunitários. Concomitante a isso, iniciamos uma luta pelo direito à isenção da taxa do vestibular para todos os pobres — afirma Frei David.

Depois, veio a luta pelas cotas:

— As universidades públicas não estavam entendendo a maldade que era fazer um vestibular padrão para ricos de escolas particulares e pobres de escolas públicas. Então as cotas foram a maneira de quebrar isso. Foi uma conquista muito difícil, muito suada, via Congresso Nacional, mas conseguimos gerar um fluxo de pobres procurando as universidades públicas, o que não existia antes.

Embora veja um avanço na presença dos negros nas universidades públicas, o diretor da Educafro diz que ainda não há “oportunidades iguais”.

— A gente demorou muito para chegar nesse momento e devemos celebrar com muita alegria, mas estamos só começando o processo. A meta é o mesmo índice de alunos que termina o ensino médio na rede pública, que é de 89%, chegar às universidades públicas.

O maior acesso de pretos ou pardos na educação não é exclusivo ao nível superior. A frequência das crianças de até 5 anos na creche ou escola cresceu de 49,1% em 2016 para 53% em 2018.

A taxa de analfabetismo das pessoas negras de 15 anos ou mais de idade também melhorou, caindo de 9,8% em 2016 para 9,1% em 2018. A proporção de negros com 25 amos ou mais de dade e com pelo menos o ensino médio completo cresceu, de 37,3% para 40,3%.

Sub-representação

Apesar dos números históricos e o fato de representem agora mais da metade dos estudantes do ensino superior público, a população de cor preta ou parda permanece sub-representada, já que são 55,8% da população brasileira.

Em 2018, apenas 35,4% dos negros com ensino médio completo chegavam ao ensino superior (público ou privado). Entre os brancos, esse número era de 53,2%.

Estudante de Letras na Universidade Federal Fluminense (UFF), Larissa Maciel, 26, negra, foi a primeira da família a entrar na universidade. Não teve aula com nenhum professor negro e era uma das poucas negras da sua sala.

— Ter mais negros na universidade é o mínimo de justiça que a gente pode ter. Sou coordenadora de um pré-vestibular social na Cidade de Deus, e digo aos alunos que a gente não se identifica de cara com o espaço da universidade. A primeira força é de expulsão, não de adaptação, mas a gente persiste para também reparar todo o desequilíbrio de 300 anos de escravidão no Brasil. É o início de um momento de justiça, para poder lutar por mais espaço e qualidade de vida.

Outro obstáculo é refletido pela taxa de conclusão do ensino médio da população preta ou parda (61,8%), que é menor do que a taxa da população branca (76,8%). Essa taxa é cerzida a partir do número de pessoas com 3 a 5 anos acima da idade esperada de frequência no último ano do ensino médio (de 20 a 22 anos de idade) que concluíram esse nível.

“Um fator que auxilia a compreensão desses resultados consiste na maior proporção de jovens pretos ou pardos que não dão seguimento aos estudos por terem que trabalhar ou procurar trabalho. De fato, em 2018, entre jovens de 18 a 24 anos com ensino médio completo que não estavam frequentando a escola por tais motivos, 61,8% eram pretos ou pardos”, destacaram os analistas do IBGE.

Depois da universidade

Quanto maior o nível de instrução, maior a renda. Embora o estudo comprove essa máxima, ele mostra também que mesmo quando a população negra conclui o ensino superior, ela ainda ganha 45% menos do que a população branca.

Isso fica claro também pelas posições alcançadas no mercado de trabalho: os brancos ocupavam 68,6% dos cargos gerenciais, contra apenas 29,9% dos negros, em 2018.

O estudante de Psicologia na UERJ, Renato Gama, 32, sabe que, quando se formar, o mercado que o espera será desigual.

— Uma vez que a pessoa negra se forme como médica ortopedista, a consulta dela vale menos do que de uma pessoa branca. A consulta psicológica também vai ser mais barata. O valor do serviço oferecido pelo negro é um valor menor — argumenta, e conclui: — O fato de ter mais estudantes negros na universidade é uma melhora, mas a qualidade da formação e como se dá a passagem e permanência desse estudante na universidade me impedem de usar a palavra avanço.

Os problemas começam, segundo Gama, com a localização das universidades, muito distantes dos bairros onde vivem boa parte da população que se identifica como parda ou preta. E passam pelos horários, com cursos vespertinos, quando a maioria dos jovens precisa estar no trabalho. Os conteúdos são, ele aponta, ‘eurocêntricos’, o continente africano ‘alijado’ e autores negros ignorados: “o negro só aparece como objeto de análise, jamais no lugar de agente”.

— E os estudantes pretos ou pardos ainda enfrentam brincadeiras racistas de alunos, professores e funcionários e quando acontece algum crime na universidade, como furto, roubo ou estupro, a suspeita recai sempre sobre os alunos negros. Já aconteceu com amigos meus — afirma Gama.

Para ele, outra questão complexa é a exigência de uma segunda língua como algo natural. Além de poder se revelar um constrangimento na faculdade, acaba virando uma barreira para a obtenção de estágios.

Renato, no entanto, ainda se preocupa com as fraudes nas cotas. Somadas as suspeitas levantadas por coletivos negros de apenas três instituições, UFRGS, Unicamp e UFRJ, houve quase mil alunos apontados como brancos que ocupam vagas de negros e pardos. Os casos estão em análise. Uma reação a esse problema é a criação de comissões para verificar a autodeclaração dos candidatos.

— Me preocupo com as fraudes cometidas por pessoas brancas, porque, ao se declararem negras ou indígenas para entrarem nas respectivas reservas de vagas, elas podem aumentar artificialmente a estatística de negros na universidade — afirma.

O Globo