Crímenes y errores en la invasión de la embajada – O Globo, Brasil

Crimes e erros na invasão da embaixada

Ocupação da representação da Venezuela estimula a polarização entre PT e bolsonarismo

A invasão de uma sede diplomática em território brasileiro é uma grave violação aos tratados e leis internacionais, subscritos pelo país. É responsabilidade do governo, sujeito a sanções, a integridade das embaixadas, missões e diplomatas estrangeiros.

Na ocupação da Embaixada da Venezuela, ontem, foram cometidos crimes em série. E, pior, as transgressões acabaram agravadas pela conivência de parlamentares, entre eles os líderes do PT e do PSL.

Os deputados federais Paulo Pimenta (PT-RS) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) arrastaram o Legislativo para um perigoso envolvimento num incidente diplomático, relevante à segurança nacional e em flagrante desrespeito às leis.

A ação parece ter sido projetada para repercutir durante a reunião de líderes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Houve uma estranhável falha na segurança.

Quando a embaixada foi invadida, havia quase 10 mil policiais patrulhando o perímetro de atividades diplomáticas, com apoio aéreo. O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência viu-se na contingência de ter de explicar que “jamais tomou conhecimento e, muito menos, incentivou” a invasão. Inócuo.

Na moldura da crise venezuelana, o episódio chama a atenção para o derretimento da cleptocracia liderada pelo ditador Nicolás Maduro, que já não consegue sequer custear o serviço diplomático. As cenas de Brasília fizeram aflorar extremismos e equívocos.

Governos do PT apoiaram a ditadura chavista. Lula fez comícios para Hugo Chávez na Venezuela e mobilizou recursos do Estado brasileiro para respaldar projetos inviáveis em privilégio da ditadura, com lucros garantidos para empresas amigas. Dilma preservou a política, em benefício de Maduro. O deputado Pimenta entrou na embaixada ontem para defender esse apoio à cleptocracia venezuelana.

O governo Jair Bolsonaro optou pelo oposto. Acabou num atrapalhado alinhamento ao projeto de invasão militar da Venezuela gestado na administração Donald Trump. Foi o profissionalismo das Forças Armadas que impediu a aventura.

A bipolaridade prevalece na política externa. Ela potencializa ações espúrias como a do deputado Eduardo Bolsonaro, que apoiou como “certo” e “justo” o movimento de invasão da embaixada. Pai do parlamentar, o presidente apressou-se em discordar de tal infantilidade e viu-se obrigado a divulgar um repúdio ao desvario. Porém, o dano à imagem do Legislativo estava feito — e pelo deputado que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara.

Governo e Legislativo devem providências. O Executivo, na política externa e na garantia das representações diplomáticas e seus integrantes. A Câmara, na sanção aos extremistas que foram cúmplices em violações às leis nacionais e internacionais.

O Globo


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