Nuevo presidente argentino acierta al optar por pluralismo en las alianzas – O Globo, Brasil

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Novo presidente argentino acerta ao optar pelo pluralismo nas alianças

Mauricio Macri, ex-presidente, e seu sucessor, Alberto Fernández, mostraram na posse do novo governo argentino, terça-feira, como é necessário resgatar a civilidade, o pluralismo e o espírito democrático no ambiente político sul-americano, atualmente marcado por notável predomínio de radicalismos.

Macri foi o quinto presidente eleito a completar o mandato nos últimos 87 anos. Com Fernández, que o derrotou nas urnas, proporcionou algo que não se via há duas décadas, uma transição normal de governo.

Fernández, em discurso, homenageou o falecido Raúl Alfonsín, líder do pluralismo que caracterizou a transição da ditadura militar para a democracia e formulador do Mercosul, em parceria com José Sarney.

Essa moldura de simbolismos é relevante pelo realce de valores democráticos e, também, por reafirmar a inviabilidade de uma vida política binária, polarizada, como alternativa ao desenvolvimento.

O novo presidente falou por mais de 60 minutos e, ainda assim, deixou sem resposta algumas das questões cruciais para a Argentina. Uma delas é de onde virá o dinheiro para emergências sociais, como o socorro a 16 milhões de pobres (40% da população urbana), metade submetida a uma dieta involuntária nos últimos 12 meses por escassez de moeda para comprar comida. Outra é como vai ajustar as contas públicas para reduzir a inflação de 55% ao ano. E, também, como vai sair da moratória da dívida externa de US$ 57 bilhões, que impede acesso do país a fontes de financiamento.

Nas circunstâncias é imprescindível a recomposição da unidade política nacional. Como os eleitores não lhe deram sólida maioria legislativa, Fernández precisará negociar com a oposição, tanto o Cambiemos de Macri quanto a União Cívica Radical, que tem Alfonsín como um dos ícones em 128 anos de história.

O problema de Fernández, como se viu na posse, é a vice Cristina Kirchner. Ela tem a liderança da bancada governista no Congresso e escolheu alguns ministros em áreas-chave, como a sócia Marcela Losardo na Justiça, além de indicar aliados no comando do serviço secreto.

Com vários processos em curso, por corrupção, Kirchner tende a ser a sombra política do governo Fernández no embate doméstico que se desenha, com o Poder Judiciário, e na política externa, com o governo dos Estados Unidos.

Fernández não tem opção, a não ser afirmar sua liderança numa pluralidade de alianças. Caso contrário, corre o risco de acabar como um presidente com poder limitado pela vice.

O Globo