Brasil: indígenas forman grupos de autodefensa en uno de los años más violentos en la última década

Esse é o caminho: indígenas formam grupos de autodefesa

O ano de 2019 está sendo fechado como sendo um dos mais violentos da última década e os dados apresentados pela Comissão Pastoral da Terra (CTP) revelam um pouco dessa situação. Os dados preliminares apresentam que ao menos 27 pessoas já morreram em decorrência da violência do latifúndio no ano de2019.

Sem sistematizar todas as informações, o número já é superior ao de 2018 (com 28 assassinatos) e chama a atenção para o número de lideranças indígenas assassinadas. Foram 7 assassinatos em 2019, contra 2 mortes em 2018. Em relação aos indígenas é o maior número dos últimos 11 anos.

O aumento da violência se deu, apesar da política colocada em prática pela esquerda de não entrar em confronto com os latifundiários bolsonaristas.

A recusa em enfrentar a direita no campo está levando a um setor mais exposto a violência da pistolagem a sofrer de maneira mais incisiva, que no caso é os indígenas.

Essa situação está levando de maneira natural a criação de grupos de indígenas para se defenderem da violência do latifúndio e da invasão sistemática de madeireiros, garimpeiros, grileiros e latifundiários a suas terras.

Já são inúmeros casos em todo o país, mas alguns chamam a atenção pela organização e a situação de conflito que se encontram. O governo Bolsonaro, além de apoiar a violência abertamente, corta os recursos de órgãos do governo que dão apoio aos indígenas como Fundação Nacional do Índio (Funai), Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) entre outros.

Em Roraima, um estado com grande concentração de indígenas e quantidade de terras demarcadas, os latifundiários e mineradoras cometem constantemente violência e invasão das terras indígenas. Observando essa situação e o apoio do Estado sob controle da extrema direita bolsonarista, o Conselho Indígena de Roraima (CIR) está fomentando a formação de grupos de autodefesa. As comunidades das regiões de Raposa, Baixo Cotingo, Tabaio, Serras, Serra da Lua, Murupu, Amajarí, Wai-Wai e Surumu criaram o Grupo de Proteção e vigilância dos territórios indígenas (GPVIT) com intuito de garantir a integridade física dos indígenas e de suas terras.

Essas regiões fazem parte da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e há grupos há cerca de 5 anos, mas que estão se ampliando rapidamente nos últimos três, que coincide com o golpe de Estado em 2016 e a subida do fascista Bolsonaro a presidência.

No Maranhão, onde a violência contra os indígenas está tomando proporções muito grandes, os indígenas formaram o grupo de autodefesa Guardiões da Floresta, formado pela etnia Guajajara e Awa-Guajá. Conta com centenas de indígenas que andam armados pelas aldeias e territórios do Maranhão.

Também no Maranhão outra etnia, os Ka’apor, devido ao aumento da violência criaram os guardas de Autodefesa Ka’apor com a mesma finalidade de se proteger dos ataques dos pistoleiros a mando de latifundiários, mineradoras e grileiros de terras.

Diante do avanço da violência da direita, a única solução são os grupos de autodefesa

Os relatos dos indígenas, mas também dos trabalhadores sem-terra ou quilombolas, é que com a subida de Bolsonaro a presidência através de uma fraude, a violência no campo aumento exponencialmente.

Essa violência se deu com maior apoio do Estado, seja do judiciário ou das forças de repressão, e que está levando a uma situação em que os indígenas não têm a quem recorrer em caso dos ataques de pistoleiros.

Constantemente os despejos e ações de intimidação realizada por pistoleiros ocorrem com a ajuda das forças policiais. Polícia Federal, Força Nacional de Segurança Pública, Polícia Civil e Polícia Militar atuam abertamente em favor dos latifundiários tratando os movimentos de luta pela terra como criminosos e a serviço dos latifundiários bolsonaristas.

É preciso fortalecer os grupos de autodefesa

Existem diversas iniciativas, principalmente nos movimentos de luta pela terra no campo e, em especial os indígenas. Esses grupos de autodefesa devem ser o eixo principal em defesa dos direitos e contra a violência dos latifundiários.

Já discutimos aqui que a atuação de forças policiais ou até mesmo com uma fachada esquerdista, como a Força-Tarefa de Proteção à Vida Indígena (FT-Vida) criada pelo governador do PCdoB Flávio Dino, não passam de formas de aumentar a repressão contra os povos indígenas.

Esses grupos de autodefesa devem ser incentivados e propagandeados em todos os locais, inclusive nas cidades, contra a violência. Os partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais devem apoiar inclusive com recursos para compra de equipamentos de defesa e lutar pelo direito ao armamento da população.

Causa Operária


Povos indígenas sofreram os ataques mais violentos da história no primeiro ano Bolsonaro

O movimento indígena foi um dos mais afetados pelas políticas do governo federal neste ano. Desde o primeiro dia de 2019, quando o Executivo retirou da Fundação Nacional do Índio (Funai) as atribuições para demarcação de terras, os povos tradicionais tiveram que se articular para ir às ruas.

“Esse ano foi um retrocesso para as nossas lutas. Não vou dizer que os povos indígenas tenham tido anos fáceis, porque desde a invasão desse país estamos em luta”, analisa Chirley Pankara, co-deputada estadual da Bancada Ativista em São Paulo.

Além da falta de novas demarcações, indígenas sofreram com tentativas de reintegração de posse e principalmente com a violência de latifundiários e grileiros.

Anteriores à Presidência, as declarações de Jair Bolsonaro de que não demarcaria “um centímetro de terra para indígenas” e de que as reservas deveriam servir para o garimpo foram um chamariz para a violência. Os povos Guajajara foram os mais perseguidos. Ao menos seis indígenas da etnia foram assassinados neste ano – quatro foram sepultados no Maranhão em menos de dois meses.

“Os garimpeiros e os madeireiros se sentem fortalecidos pela palavra infeliz de alguém que deveria estar liderando e cuidando de um país, acolhendo e salvando vidas. Se aquele que era para proteger está dizendo ‘vocês podem fazer o que vocês quiserem’, os demais vão seguindo… invadem as terras, matam indígenas, exploram, levam madeiras, põem fogo na nossa mata”, comenta a co-deputada.

Segundo Chirley Pankara, a expectativa é que 2020 seja um ano de luta e resistência. “A gente não espera que seja melhor [que 2019]. Enquanto não houver um impeachment [de Bolsonaro], não vai mudar. Nós temos que estar articulados para ocupar as ruas, denunciar. Sabemos que, enquanto estiver lá esse presidente, com esses pensamentos, vai ter luta. Vai ter muita luta”.

Brasil 247


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